Abrantes vai reforçar o dispositivo de combate a incêndios rurais com a operacionalização de ‘kits’ de primeira intervenção nas freguesias, num investimento continuado que visa melhorar a capacidade de resposta inicial, anunciou a Câmara Municipal.

Segundo o presidente da Câmara de Abrantes, o apoio às freguesias no âmbito da proteção civil é “decisivo para a resposta inicial” aos fogos florestais, destacando o papel dos ‘kits’ no terreno e um investimento que este ano ascende aos 195 mil euros e que visa consolidar o modelo de proteção civil concelhio.

Manuel Jorge Valamatos recordou ainda que, desde 2019, o município tem vindo a investir de forma continuada neste dispositivo de proteção civil, que prevê vigilância com pré-posicionamento de meios, dissuasão de crimes de incendiarismo e combate imediato a um fogo nascente, num montante global que já ultrapassa 1,28 milhões de euros (ME).

“Estamos, mais uma vez, ao lado das juntas de freguesia, ao serviço das populações locais”, afirmou o autarca.

No âmbito do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), o executivo aprovou, por unanimidade, a celebração de contratos interadministrativos com 11 juntas de freguesia, num montante global de 180 mil euros.

O valor corresponde à operacionalização de 12 ‘kits’ de primeira intervenção, atribuídos a 11 freguesias do concelho, com um valor de 15 mil euros por ‘kit’, numa decisão que será submetida à aprovação final em sede de Assembleia Municipal, na sexta-feira, 24 de abril.

Em comunicado, o município indicou à Lusa que estão abrangidas as freguesias de Abrantes e Alferrarede (com dois kits), Aldeia do Mato e Souto, Alvega e Concavada, Bemposta, Mouriscas, Rio de Moinhos, São Facundo e Vale das Mós, Tramagal, Carvalhal, Pego e Fontes.

Os ‘kits’ são compostos por viaturas ligeiras equipadas com tanque de 600 litros, mangueiras, maquinaria e sistemas de comunicação rádio, sendo posicionados em locais estratégicos durante períodos de maior risco de incêndio.

“A taxa de sucesso de ataque inicial deve-se em muito à atuação destes meios”, referiu o presidente da Câmara, sublinhando a importância da intervenção precoce no terreno.

Em paralelo, o executivo aprovou ainda um apoio de 15 mil euros à Junta de Freguesia de Aldeia do Mato e Souto para a aquisição de uma viatura destinada a operações de proteção civil, integrada no dispositivo de primeira intervenção.

Segundo o município, a atual viatura da freguesia “apresenta poucas condições de segurança para o fim pretendido”, não dispondo a junta de capacidade financeira para a substituir.

“Este é o primeiro ano que vamos fazer este apoio e abrimos aqui esta oportunidade de, todos os anos, podermos ter que fazer estes apoios em função das necessidades das diferentes juntas de freguesia”, afirmou Valamatos.

O autarca explicou que a nova viatura permitirá reforçar a capacidade de resposta local em conjunto com os ‘kits’ de primeira intervenção.

“Estamos a fazer este apoio de 15 mil euros para adquirir uma ‘pick-up’, uma carrinha para levar os reservatórios de água e as bombas de água para a primeira intervenção”, disse.

Valamatos destacou ainda o modelo de articulação entre freguesias e restantes agentes de proteção civil, incluindo bombeiros, GNR e sapadores florestais.

“Este trabalho de complementaridade é um aspeto absolutamente decisivo na gestão do território”, referiu.

O presidente da Câmara sublinhou ainda que a estratégia assenta na resposta rápida às ignições.

“Não há nenhum incêndio que nasça grande. Os incêndios nascem todos pequenos”, concluiu.

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