O PCP vai interpelar o Governo sobre o ‘lay-off’ na Mitsubishi Fuso Truck Europe (MFTE), exigindo a manutenção integral dos salários e a defesa dos postos de trabalho na fábrica do Tramagal, anunciou o partido.

Em comunicado, a Comissão Concelhia de Abrantes do PCP refere que o processo naquela empresa ocorre no âmbito de uma reorganização internacional do grupo e alertou para as consequências para os trabalhadores de uma unidade que emprega centenas de pessoas.

“Num momento em que os trabalhadores já enfrentam um acentuado aumento do custo de vida, o anúncio de um ‘lay-off’ […] constitui um ataque inaceitável às suas condições de vida”, lê-se na nota.

Segundo o PCP, a redução dos rendimentos surge num contexto de aumento das despesas essenciais, agravando a situação económica das famílias.

O partido critica ainda o recurso ao regime de ‘lay-off’ por grandes grupos económicos, defendendo que os encargos acabam por recair sobre trabalhadores e Estado.

“É inaceitável que sejam os trabalhadores e o Estado a pagar o preço de decisões estratégicas de grandes grupos económicos”, afirma, acrescentando que estas empresas “acumulam milhões de lucros todos os anos”.

De acordo com os comunistas, os trabalhadores poderão perder cerca de um terço do salário, enquanto o Estado suportará a maior parte dos custos salariais, incluindo a comparticipação direta nos vencimentos e a isenção de contribuições.

“Enquanto uns fazem o negócio e arrecadam os lucros, trabalhadores e Estado são chamados a pagar a fatura”, refere o PCP.

O partido diz que vai questionar o Governo sobre as razões para a aplicação do ‘lay-off’ e as medidas previstas para salvaguardar os trabalhadores.

Entre as exigências, destaca a manutenção integral dos salários, a defesa dos postos de trabalho e garantias quanto ao futuro da unidade industrial.

“O PCP exige uma intervenção firme do Governo, que coloque o interesse nacional e os direitos dos trabalhadores acima dos interesses dos grandes grupos económicos”, conclui.

A Mitsubishi Fuso vai suspender a produção na fábrica do Tramagal, durante o mês de julho, confirmou a empresa à Lusa, na sequência de um ajustamento do planeamento operacional, prevendo a aplicação de ‘lay-off’ e saídas voluntárias.

Segundo fonte sindical, no âmbito do processo deverão ser celebrados acordos para a saída de cerca de 40 trabalhadores, através de um programa de saídas voluntárias.

A unidade emprega cerca de 400 trabalhadores permanentes, segundo a empresa, enquanto o sindicato aponta para cerca de 500 no total, incluindo trabalhadores temporários.

De acordo com a fonte sindical, a paragem da produção está associada a um ajustamento do volume produtivo e à transição da gama de veículos, num contexto de reestruturação industrial do grupo.

A empresa indicou que está a adaptar o seu planeamento operacional “em consonância com a transição do modelo europeu de encomendas e distribuição”, num processo ligado à evolução do setor automóvel europeu, incluindo exigências ambientais e a aposta em veículos de zero emissões.

Fonte oficial da Mitsubishi Fuso Truck and Bus Corporation (MFTBC) indicou à Lusa que, nesta fase, não estão previstas alterações adicionais ao funcionamento da unidade do Tramagal, sublinhando que a fábrica continua integrada na rede industrial internacional do grupo.

A mesma fonte acrescentou que a unidade “se mantém nos planos da multinacional”, no quadro da reorganização em curso, sem perspetiva de encerramento ou alterações estruturais para além dos ajustamentos comunicados.

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