O Bloco de Esquerda (BE) questionou o Governo, através dos Ministérios do Trabalho e da Economia, sobre o ‘lay-off’ e a rescisão de 40 contratos na Mitsubishi Fuso, no Tramagal, apesar dos resultados recorde da empresa em 2023.

Nos requerimentos endereçados ao executivo, a que a Lusa teve acesso, o deputado Fabian Figueiredo sublinha que a unidade industrial instalada em Tramagal, registou em 2023 o seu “melhor ano de produção de sempre”, atingindo um volume de negócios de 334 milhões de euros e a marca histórica de 11.854 veículos produzidos.

O partido considera contraditório que uma empresa com este desempenho financeiro recorra a mecanismos de redução salarial.

Nas questões colocadas, o Bloco quer saber se o Governo está a acompanhar a situação e que medidas serão tomadas para salvaguardar os postos de trabalho nesta unidade, que é um dos principais empregadores da região do Médio Tejo, contando com cerca de 500 trabalhadores.

A paragem da produção, prevista para o mês de julho, é justificada pela administração como uma “adaptação à transição energética”.

A fábrica deixará de produzir para o mercado europeu os modelos Canter a gasóleo até 3.500 quilos, focando-se em veículos de maior dimensão e na versão elétrica eCanter, da qual detém produção exclusiva para a Europa.

Segundo fonte oficial da Mitsubishi Fuso Truck and Bus Corporation (MFTBC) à Lusa, o processo faz parte de uma reorganização internacional do grupo para responder às exigências ambientais do setor automóvel europeu.

A empresa assegurou, contudo, que a unidade do Tramagal “se mantém nos planos da multinacional” e que, por agora, não estão previstas alterações estruturais além das comunicadas.

O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras (SITE-CSRA) confirmou que, a par do ‘lay-off’, a empresa está a avançar com um programa de rescisões por mútuo acordo que abrange cerca de 40 trabalhadores.

A pressão sobre o Governo aumentou também por parte do PCP.

Em comunicado, a Comissão Concelhia de Abrantes dos comunistas classificou o ‘lay-off’ como um “ataque inaceitável” às condições de vida das famílias, num contexto de aumento do custo de vida.

O PCP critica o facto de os encargos das decisões estratégicas de grandes grupos económicos, que “acumulam milhões de lucros”, acabarem por recair sobre os trabalhadores – que perdem parte do salário – e sobre o Estado, que suporta a maior parte dos custos salariais.

Ambos os partidos convergem na exigência de uma intervenção firme do executivo para garantir que a necessária transição energética da indústria automóvel não se faça à custa da precariedade e do desemprego na região de Santarém.

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