A Câmara de Alcanena divulga hoje, no âmbito do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, achados arqueológicos que provam que a vila, “enquanto núcleo urbano estável, já existe, pelo menos, desde o século XV”.

O historiador Gabriel Feitor disse à Lusa que os achados resultam dos primeiros trabalhos com acompanhamento arqueológico por iniciativa do município, realizados na Rua Joaquim d’Avelar, num dos edifícios da Estratégia Local de Habitação de Alcanena.

A apresentação pública dos resultados dos trabalhos arqueológicos na Rua Joaquim d’Avelar está marcada para o final da tarde, no Museu do Curtume.

Segundo Gabriel Feitor, os achados são, essencialmente, “cerâmicas de vários tipos [alguidares, panelas, escudelas, caçoila, púcaros, etc.], elementos pétreos e monetários, bem como estruturas de extração de argila”.

“Destaca-se ainda o silo onde foi encontrado o maior número de materiais”, acrescentou o também chefe de gabinete de apoio à presidência da Câmara de Alcanena, liderada pelo independente Rui Anastácio, eleito em 2021 pela coligação PPD-PSD/CDS-PP/MPT.

“Por incrível que pareça, estas foram as primeiras sondagens efetuadas por iniciativa da autarquia no Centro Histórico de Alcanena, no âmbito de um programa mais alargado de trabalhos, depois de um histórico de empreitadas sem acompanhamento arqueológico naquele local, o que levou à destruição de património”, declarou.

Em comunicado, a Câmara de Alcanena lembra que este é o segundo ano em que se associa às comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, que se celebra em 18 de abril, propondo o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS, na sigla em inglês) para este ano o tema “Património em Mudança”, inspirado pela “temática tão atual e preocupante da emergência climática”.

Para o município, a arqueologia é fundamental para a “preservação do património e memória locais e enquanto ciência auxiliar no planeamento e compreensão das dinâmicas urbanísticas e geográficas contemporâneas”.

“No caso de Alcanena, na escassez de fontes escritas sobre o período medieval-moderno (séculos XII-XVI), a arqueologia é fundamental para a compreensão da história do nosso território e das suas transformações”, lê-se na nota.

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