BONS SONS 2024 – Concerto de Expresso Transatlântico, no Palco Zeca Afonso. Foto: Carlos Manuel Martins

A aldeia de Cem Soldos, em Tomar, volta a ser palco, entre hoje e domingo, do festival de música Bons Sons, que celebra 20 anos com uma edição “marcada pela resistência”.

À 13.ª edição, o festival volta a ocupar o perímetro da aldeia com dez palcos distribuídos por ruas, largos, eiras, hortas, auditório e espaços ao ar livre, mantendo a aposta exclusiva na música portuguesa e numa programação multidisciplinar que cruza concertos, dança, cinema, ambiente e atividades para a comunidade.

O cartaz desta edição, que cruza tradição, contemporaneidade e novos projetos emergentes, inclui ao longo dos quatro dias bandas e artistas como A Sul, Cacique’97, Crua, Lavoisier + Coro Polifónico da Pedreira, Líquen, Mães Solteiras, Miss Universo, MXGPU, Romeu Bairos, Seara, projeto que junta Amélia Muge, Daniel Pereira Cristo, Júlio Pereira, Manuel de Oliveira e Rão Kyao, Quinta do Bill, Rita Redshoes, Luca Argel, Luta Livre, Cacique’97, 800 Gondomar, Jonas – Maçã-de-adão, Xullaji e Jorge Cruz.

Aquando do primeiro anúncio do cartaz, a organização lembrou que muitos destes artistas “fazem parte da história dos 20 anos do Bons Sons e regressam agora com novos projetos, novas roupagens, novas fusões e uniões”.

Por exemplo, Seara, Mães Solteiras (banda constituída por André Henriques, Joaquim Albergaria, Pedro Cobrado e Ricardo Martins) e MXGPU (a dupla Moullinex e GPU Panic) são projetos que juntam músicos “que já viveram a aldeia” ao longo das últimas duas décadas.

A organização recordou também que, “ao longo dos tempos, coros e canções coletivas foram usados também para esbater fronteiras, mas igualmente para resistir a regimes autoritários, para preservar culturas, ajudar comunidades a manter línguas ou tradições, para além de ajudarem a criar sensação de pertença, contribuindo para a vivência e sobrevivência emocional coletiva”, destacando assim a presença do Coro Polifónico da Sociedade Recreativa e Musical da Pedreira, concelho de Tomar, que sobe a palco com os Lavoisier.

Um dos responsáveis pela programação e direção artística do festival, João Rufino, em declarações à Lusa este mês, referiu que “a resistência é o manifesto desta edição, mas o próprio festival já é, em si, um movimento de resistência”.

João Rufino sublinhou a ligação entre o festival e a aldeia: “O Bons Sons já faz parte da aldeia e a aldeia faz parte do Bons Sons”, referindo-se ao impacto social e cultural que tem ajudado a manter população, escola primária e jardim-de-infância.

Organizado desde 2006 pelo Sport Clube Operário de Cem Soldos, sob o mote “Vem viver a aldeia”, o Bons Sons manteve-se bienal até 2014, passando depois a realizar-se anualmente, “mantendo uma programação exclusiva da música portuguesa, completamente aculturada e diversa”.

No final de 2024, a organização anunciou que o festival iria voltar a ser bienal, retomando a periodicidade inicial.

Os passes para os quatro dias do festival, com campismo incluído, custam 70 euros. Há também à venda bilhetes diários, que custam 35 euros.

A programação completa do 13.º Bons Sons, bem como horários e outras informações, pode ser consultada no ‘site’ oficial do festival, em www.bonssons.pt.

As crianças com idades até aos 11 anos, inclusive, não pagam bilhete.

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