Presidente da União de Freguesias da Cidade de Santarém faz balanço dos primeiros meses de mandato, aponta a limpeza, a manutenção urbana e a proximidade com a população como prioridades e reconhece constrangimentos ao nível dos recursos humanos, viaturas e equipamentos.
Alfredo Amante quer que a União de Freguesias da Cidade de Santarém assuma uma intervenção mais directa na manutenção e limpeza do centro histórico, através de novas delegações de competências da Câmara Municipal de Santarém. No primeiro balanço público dos meses iniciais de mandato, o presidente da Junta identifica ainda problemas ao nível dos arruamentos, falta de viaturas, equipamentos informáticos obsoletos e dificuldades na gestão dos recursos humanos distribuídos pelos quatro espaços onde funciona a autarquia.
A intervenção, divulgada nas redes sociais da União de Freguesias, surge depois de um início de mandato marcado pelas dificuldades na constituição do executivo. Alfredo Amante reconhece que o processo de entendimento entre as forças políticas representadas na Assembleia de Freguesia “não foi assim tão fácil”, recordando que a Junta acabou por tomar posse e iniciar funções sem que a força política vencedora das eleições dispusesse de maioria no órgão executivo.
“Naturalmente, foi um ano em que tivemos de dialogar entre todas as estruturas partidárias, no sentido de tentarmos criar um executivo de acordo com aquilo que era o nosso pensamento”, afirma Alfredo Amante, referindo-se ao período que se seguiu às eleições autárquicas de 2025.
O presidente da Junta acrescenta que o executivo optou por “viabilizar a situação”, mesmo sem maioria, procurando criar condições para responder às necessidades dos moradores e do território. O funcionamento pleno do novo executivo começou, na prática, em Janeiro, com um levantamento das necessidades existentes e a preparação de um plano estratégico para a freguesia.
“Fizemos um levantamento das necessidades, um levantamento de todo o processo que era necessário trabalhar, bem como de um plano que pretendemos colocar ao nível de um plano estratégico”, explica Alfredo Amante.
Reorganização interna e equipamentos obsoletos
Uma das primeiras áreas de intervenção foi o funcionamento interno da Junta. Alfredo Amante refere que foi necessário reformular procedimentos e qualificar a estrutura técnica, tendo duas pessoas passado a exercer funções como técnicas superiores.
A medida, explica, pretendeu “qualificar não só a intervenção, dignificar os cargos e dignificar também as pessoas perante o processo que se está a desenvolver”.
A União de Freguesias da Cidade de Santarém mantém quatro espaços de atendimento e funcionamento: Marvila, São Domingos, São Salvador e Ribeira de Santarém. A dispersão geográfica dos serviços obriga à distribuição de funcionários por diferentes locais e cria, segundo Alfredo Amante, constrangimentos na organização dos recursos humanos.
Apesar dessas dificuldades, o presidente considera que a Junta tem conseguido adaptar-se e transformar alguns dos problemas em respostas positivas.
O executivo encontrou igualmente equipamentos informáticos desactualizados e dificuldades no funcionamento corrente dos serviços.
“Chegámos a um ponto em que queríamos tirar cópias e fazer impressões e não tínhamos essa situação”, relata Alfredo Amante, justificando a aquisição de novos equipamentos e a necessidade de modernização dos meios disponíveis.
Uma viatura para três equipas
As limitações operacionais são também visíveis ao nível dos transportes. Alfredo Amante revela que a Junta chegou a dispor de apenas uma viatura para assegurar o trabalho de três equipas.
“Chegámos a trabalhar só com uma viatura e essa viatura tinha de dar resposta a três equipas de trabalho”, afirma.
O presidente reconhece que a falta de meios condiciona a capacidade de resposta, mas defende que os problemas devem ser encarados como desafios a ultrapassar.
“Claro que as coisas não são fáceis, mas para nós temos de encarar isto como desafios”, sustenta Alfredo Amante, apelando a uma maior responsabilização colectiva e à participação da população na identificação das necessidades da freguesia.
Arruamentos entre os principais problemas
A situação dos arruamentos e das pavimentações surge entre as áreas que mais preocupam o novo executivo. Alfredo Amante admite que existe “um sem número de situações” por resolver, que estão a ser avaliadas para posterior intervenção.
A diversidade do território constitui outro dos desafios apontados. A União de Freguesias inclui zonas urbanas, bairros, áreas históricas e lugares com realidades sociais e urbanísticas distintas.
Alfredo Amante defende que a Junta deve evitar desequilíbrios entre diferentes zonas e criar condições para que os moradores sintam os bairros e lugares como espaços de vida e não apenas como dormitórios.
“Queremos que as pessoas se sintam bem nos seus locais, que sintam que não são dormitórios, mas os seus locais de vivência, dos seus filhos e dos seus netos”, refere.
O objectivo, acrescenta, é promover uma freguesia mais harmoniosa, em que a intervenção pública seja definida a partir das necessidades concretas da população.
Junta quer intervir directamente no centro histórico
O centro histórico de Santarém é uma das prioridades assumidas para os próximos meses. Alfredo Amante afirma que a Junta pretende passar a executar directamente algumas tarefas de manutenção, através de um reforço da cooperação com a Câmara Municipal de Santarém.
“Existe uma grande aproximação entre a Junta de Freguesia e a autarquia, no sentido de equacionarmos estes mesmos propósitos, de haver delegações de competências que permitam à própria Junta executar mais facilmente determinados elementos”, explica.
Entre as áreas previstas estão a manutenção, a limpeza e a lavagem do espaço público.
“Vamos tomar conta, se assim podemos dizer, do nosso centro histórico ao nível de alguma manutenção”, anuncia Alfredo Amante.
O presidente da Junta considera que a limpeza é uma condição essencial para melhorar a imagem urbana e criar maior segurança.
“A limpeza é fundamental, limpeza e lavagem. Isso é um propósito que depois nos leva a outras situações, entre as quais a segurança”, afirma.
Alfredo Amante entende que espaços públicos mais cuidados e seguros podem contribuir para que os moradores regressem às ruas e utilizem mais o exterior.
“Se houver segurança, as pessoas vêm para os seus locais, vêm para o exterior e também se apropriam desta mesma situação”, acrescenta.
Executivo procura mostrar unidade
“Não é o presidente que é o importante nisto. O que é importante é uma equipa de trabalho”, declara Alfredo Amante.
O presidente sustenta que é a equipa que permitirá valorizar a Junta e concretizar as intervenções previstas.
A composição do executivo resultou de um entendimento político alcançado após várias tentativas falhadas de eleição dos órgãos da freguesia. A AD venceu as eleições, mas ficou sem maioria na Assembleia de Freguesia, onde elegeu o mesmo número de representantes que o PS. O Chega ficou com uma posição decisiva na formação das maiorias.
O acordo que permitiu ultrapassar o impasse deu origem a um executivo politicamente plural, com representação das diferentes forças eleitas.
Sem avançar ainda com um calendário detalhado das intervenções, Alfredo Amante afirma que o executivo continuará a definir prioridades em função dos meios disponíveis e das necessidades apresentadas pela população.
“Estamos disponíveis sempre e estaremos em prol da nossa população, em prol dos escalabitanos e em prol desta nossa freguesia”, conclui.
