Numa noite marcada pela emoção, pela memória colectiva e pelo reconhecimento público de percursos ligados ao serviço à comunidade, a Câmara Municipal de Almeirim distinguiu, no Dia do Concelho, várias personalidades e instituições que, ao longo das últimas décadas, ajudaram a moldar a identidade social, cultural, desportiva e humana do concelho. O Espaço Multiusos de Almeirim — antigo IVV — recebeu pela primeira vez a gala das medalhas municipais num formato mais solene e institucional, reunindo homenageados, familiares, dirigentes associativos, autarcas e dezenas de convidados numa cerimónia onde as palavras “serviço”, “dedicação”, “memória” e “comunidade” acabaram por atravessar quase todas as intervenções da noite.

Entre antigos autarcas, padres, pastores, dirigentes associativos, atletas olímpicos, colectividades centenárias e figuras ligadas ao folclore e ao movimento associativo local, a cerimónia procurou valorizar percursos muitas vezes construídos longe dos holofotes, mas profundamente ligados à vida do concelho. Houve discursos emocionados, agradecimentos inesperados, referências à doença, à fé, à superação pessoal e ao trabalho silencioso desenvolvido ao longo dos anos em diferentes áreas da sociedade almeirinense.

Na abertura da sessão, o presidente da Câmara Municipal de Almeirim, Joaquim Catalão, justificou a opção de transformar a entrega das distinções numa gala pública como forma de conferir “maior solenidade, dignidade e reconhecimento” aos homenageados. “As comunidades fortes constroem-se também assim, valorizando as pessoas e preservando a memória daqueles que deixam marca”, afirmou o autarca, sintetizando o espírito de uma cerimónia onde o concelho procurou agradecer publicamente a quem ajudou a construí-lo através do associativismo, do desporto, da cultura popular, da intervenção social, da vida religiosa ou do serviço público.

Almeirim transformou a entrega das medalhas municipais numa noite de reconhecimento público, memória colectiva e afirmação de identidade concelhia. A sessão solene decorreu no dia 14 de Maio, Dia do Concelho, no Espaço Multiusos de Almeirim – IVV, reunindo homenageados, familiares, autarcas, dirigentes associativos e representantes de várias instituições numa cerimónia marcada pela emoção, pela gratidão e pela valorização de percursos ligados ao serviço público, ao associativismo, ao desporto, à cultura popular, à vida religiosa e à intervenção social.

Pela primeira vez, a cerimónia assumiu o formato de gala, numa opção que o presidente da Câmara Municipal de Almeirim, Joaquim Catalão, apresentou como uma forma de conferir maior solenidade e dignidade ao acto de distinguir pessoas e instituições que, pelo seu trabalho e dedicação, ajudaram a construir o concelho. “A quinta-feira da Ascensão é, para os almeirinenses, muito mais do que uma tradição. É um dia de identidade, de encontro e de afirmação daquilo que somos enquanto comunidade”, afirmou o autarca na abertura da sessão.

Joaquim Catalão sublinhou que as medalhas municipais representam “o reconhecimento colectivo do concelho agradecido”, dirigido a quem, através do talento, do compromisso, do espírito de missão ou da entrega aos outros, contribuiu para “construir um Almeirim melhor”. A cerimónia, acrescentou, pretendeu homenagear pessoas e instituições “muito diferentes entre si”, mas unidas por uma mesma ideia: o exemplo. “O exemplo de quem trabalha em silêncio, de quem serve sem esperar reconhecimento, de quem contribui para a cultura, para o associativismo, para o desporto, para a solidariedade ou para a vida pública do nosso concelho”, declarou.

Num tempo que descreveu como marcado pela rapidez, pelo imediatismo e pela desvalorização do compromisso colectivo, o presidente da autarquia defendeu a importância de parar para reconhecer e agradecer. “As comunidades fortes constroem-se também assim, valorizando as pessoas e preservando a memória daqueles que deixam marca”, afirmou, dando o tom a uma noite em que a memória local se cruzou com trajectórias de serviço, devoção, voluntariado, superação e dedicação à comunidade.

A sessão teve ainda um segundo momento de reconhecimento público, dedicado a trabalhadores do município que se aposentaram em 2025. Para Joaquim Catalão, essa homenagem teve também um significado especial, por lembrar homens e mulheres que, ao longo de décadas, colocaram o seu trabalho, conhecimento e dedicação ao serviço da Câmara Municipal e da população. “Nenhuma instituição se constrói apenas com projectos ou obras. Constrói-se com pessoas”, afirmou.

O próprio espaço escolhido para a cerimónia foi apresentado pelo autarca como parte da mensagem da noite. O antigo IVV, hoje Espaço Multiusos de Almeirim, foi descrito como símbolo de uma visão que procura preservar a memória, valorizar o património e dar nova vida aos equipamentos públicos ao serviço da comunidade. “É essa visão que queremos continuar a afirmar para Almeirim: um concelho que respeita as suas raízes, mas que olha o futuro com ambição, confiança e sentido estratégico”, disse Joaquim Catalão.

A partir desse enquadramento institucional, a noite avançou para a entrega das distinções. Umas foram recebidas pelos próprios homenageados, outras por familiares ou representantes. Houve discursos breves, surpresas preparadas pela organização, momentos de comoção visível e palavras que ajudaram a dar espessura humana a uma cerimónia que, mais do que premiar percursos individuais, procurou fixar em público uma ideia de comunidade: a de que o concelho também se faz daqueles que, muitas vezes longe dos holofotes, lhe dedicaram tempo, trabalho e vida.

“O mais importante são as pessoas”

Se houve um momento capaz de condensar o espírito da gala numa única intervenção, esse momento pertenceu ao padre José Abílio Silva Costa. A homenagem ao antigo pároco de Almeirim, recentemente distinguido pelo Vaticano com o título honorífico de Monsenhor e Capelão de Sua Santidade, acabou por transformar-se num dos instantes mais emotivos da noite, num discurso marcado pela fragilidade humana, pela serenidade e pela ideia de serviço aos outros.

Visivelmente debilitado fisicamente, mas sereno e lúcido nas palavras, o sacerdote falou menos da distinção recebida e mais das pessoas que encontrou ao longo da vida e do ministério. “O mais importante são as pessoas”, afirmou perante uma sala em silêncio, numa intervenção onde cruzou memória, sofrimento, fé e gratidão.

Depois de décadas ao serviço da Diocese de Santarém e de várias comunidades da região, incluindo Almeirim, Benfica do Ribatejo e Alpiarça, o sacerdote falou da marca deixada pelos encontros humanos ao longo da vida pastoral. “É tão bonito ver esse rasto de pessoas que foram ficando desde 1979”, disse, recordando os caminhos percorridos desde as primeiras paróquias onde exerceu funções sacerdotais.

A doença, que o afastou recentemente da actividade paroquial, esteve também presente no discurso. Padre José Abílio falou do último ano como um período de sofrimento e aprendizagem, recordando que saiu de Almeirim directamente para a primeira sessão de quimioterapia. Ainda assim, recusou reduzir a vida à fragilidade física. “Somos muito mais do que a nossa doença”, afirmou, defendendo a importância de viver todas as fases da vida “com dignidade, esperança e paz”.

Ao longo da intervenção, o sacerdote regressou várias vezes à ideia de dom e entrega ao próximo, numa mensagem que acabaria por se tornar um dos momentos mais fortes de toda a cerimónia. “Só vale a pena a vida fazer-se dom para os outros, até ao fim”, declarou, arrancando um dos aplausos mais longos da noite.

O reconhecimento atribuído pela Câmara Municipal de Almeirim procurou distinguir não apenas o percurso religioso do sacerdote, mas também a dimensão humana e comunitária da sua presença ao longo de mais de uma década no concelho. No texto de apresentação da homenagem, o município destacou a sua capacidade de escuta, a proximidade às pessoas e os valores humanos que sempre procurou transmitir nas comunidades por onde passou.

A homenagem ao padre José Abílio acabou também por reforçar um dos fios condutores da gala: a valorização daqueles cuja presença se foi construindo menos pelo protagonismo público e mais pela relação directa com as pessoas, pelas causas abraçadas e pela marca deixada na vida colectiva do concelho.

Tradição, memória e identidade colectiva

A preservação das tradições populares, da memória colectiva e do associativismo histórico do concelho esteve também no centro de vários dos momentos mais simbólicos da noite. Entre homenagens ao folclore, às colectividades centenárias e a percursos marcados pelo trabalho comunitário, a gala acabou por se transformar também numa celebração das raízes culturais de Almeirim.

Um dos momentos mais emocionantes aconteceu durante a homenagem póstuma a Natércia Perpétua Fidalgo Mercê, figura profundamente ligada ao Rancho Folclórico da Casa do Povo de Almeirim e à preservação da história local. A distinção foi recebida pela filha, Célia Mercê, perante uma plateia onde se encontravam vários elementos ligados ao movimento folclórico e associativo do concelho.

Natércia Mercê foi descrita como “uma mulher à frente do seu tempo” e uma “guardiã de memórias”, que dedicou grande parte da vida à preservação dos usos, costumes e património imaterial da Charneca e de Almeirim. Ao longo de décadas recolheu objectos, histórias, fotografias e testemunhos, ajudando a construir um espólio ligado à memória colectiva da comunidade.

“A minha mãe era uma mulher simples, mas muito lutadora”, afirmou a filha, visivelmente emocionada. “Era um exemplo efectivo daquilo que cada um de nós deve ser enquanto munícipe”, acrescentou.

Também Manuel Virgínia Lourenço foi distinguido pelo percurso desenvolvido no Rancho Folclórico de Paço dos Negros, colectividade à qual esteve ligado durante cerca de duas décadas enquanto dirigente. O antigo presidente recordou o trabalho desenvolvido ao longo dos anos para recuperar e dinamizar o grupo, reforçando o papel do folclore enquanto espaço de identidade comunitária e continuidade geracional.

“Tudo o que lhe dei foi menos do que aquilo que o Rancho me deu a mim”, afirmou, numa intervenção simples, mas profundamente marcada pela ligação afectiva à colectividade. “Fiz tudo por amor à causa da tradição”, acrescentou.

A dimensão histórica do associativismo local esteve igualmente presente na homenagem à Associação Cultural e Desportiva de Benfica do Ribatejo, distinguida no ano em que assinala o centenário da fundação. Criada em 1926 como associação mutualista, a colectividade foi apresentada pela organização como “a casa-mãe” de muitas das dinâmicas sociais, culturais e desportivas da freguesia ao longo de várias gerações.

Ao receber a distinção, o presidente da direcção, Fábio Simões, destacou não apenas o passado da associação, mas também o papel social que continua a desempenhar actualmente, nomeadamente no apoio a peregrinos durante as celebrações de Fátima.

Fé, comunidade e serviço aos outros

A cerimónia ficou igualmente marcada pelo reconhecimento de percursos ligados à proximidade comunitária e ao apoio às populações mais vulneráveis. Num concelho onde a vida associativa e religiosa continua a ter forte presença no território, as homenagens ao padre Bruno Duarte Filipe e ao pastor Jorge Humberto Leal Nobre acabaram por evidenciar o peso que várias instituições têm vindo a assumir na resposta social e no acompanhamento das comunidades.

O padre Bruno Duarte Filipe, actualmente responsável pelas paróquias das Fazendas de Almeirim e Raposa, foi distinguido pelo dinamismo pastoral e pela capacidade de mobilização junto da população, particularmente entre os mais jovens. Entre as várias iniciativas destacadas pela organização esteve a Fogueira Comunitária de Natal das Fazendas de Almeirim, que nos últimos anos ganhou dimensão regional e passou a reunir centenas de pessoas em torno de um modelo de convívio comunitário aberto à população.

Na intervenção que fez após receber a medalha, o sacerdote recusou centrar a distinção apenas na sua pessoa, sublinhando o carácter colectivo do trabalho desenvolvido nas paróquias e nas actividades comunitárias. “Este dar a vida não o dou sozinho”, afirmou. “Tenho aprendido convosco a dar a vida”, acrescentou, numa intervenção marcada pela simplicidade e pela ideia de partilha.

O padre Bruno destacou ainda o envolvimento de dezenas de voluntários e colaboradores nas várias actividades que têm sido promovidas nas paróquias do concelho, defendendo que as iniciativas comunitárias só fazem sentido quando resultam de uma construção colectiva. “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos”, citou, recuperando uma passagem do Evangelho de São João.

Também o pastor Jorge Humberto Leal Nobre foi distinguido pelo trabalho desenvolvido ao longo de mais de duas décadas na Comunidade Cristã de Almeirim – Assembleia de Deus e pela intervenção social promovida através da Associação Pró-Abraçar. O município destacou particularmente o apoio prestado a famílias migrantes, o acompanhamento social e os projectos ligados à integração, alfabetização e apoio alimentar.

Foi ainda sublinhada a relação de proximidade e cooperação construída entre diferentes comunidades religiosas do concelho, nomeadamente entre a Igreja Católica e a comunidade evangélica, particularmente visível durante o período da pandemia.

Ao usar da palavra, o pastor Jorge Nobre insistiu na ideia de que o reconhecimento não lhe pertencia individualmente. “Esta distinção é muito pouco minha”, afirmou, atribuindo o mérito à comunidade cristã e aos vários colaboradores envolvidos nos projectos sociais desenvolvidos em Almeirim. “O Evangelho não é apenas alguma coisa que se vive dentro das paredes dos locais de culto”, declarou, defendendo uma intervenção religiosa ligada ao contacto directo com as pessoas e aos problemas concretos da comunidade.

O responsável religioso recordou ainda o crescimento da Associação Pró-Abraçar, desde os primeiros projectos de combate à toxicodependência até às actuais respostas de apoio social, integração de imigrantes e acompanhamento educativo. Jorge Nobre aproveitou também para agradecer o apoio dado pelos diferentes executivos municipais ao longo dos anos, referindo-se directamente ao trabalho desenvolvido em parceria com a autarquia.

Do atletismo olímpico ao movimento associativo desportivo

O desporto ocupou também lugar de destaque na gala de entrega das medalhas municipais, numa sucessão de homenagens que cruzou percursos olímpicos, associativismo desportivo e histórias de superação construídas ao longo de décadas.

Um dos momentos mais simbólicos da noite aconteceu com a distinção atribuída a Sandra Barreiro Peixinho, antiga atleta olímpica natural de Almeirim, homenageada com a Medalha Municipal de Mérito Desportivo, grau ouro. A organização preparou uma surpresa especial para a antiga atleta ao convidar Fernanda Ribeiro — campeã olímpica dos 10 mil metros nos Jogos de Atlanta, em 1996 — para entregar pessoalmente a distinção.

A presença da antiga campeã olímpica portuguesa acabou por devolver a Sandra Barreiro parte da memória daquele verão olímpico em Atlanta, onde ambas integraram a delegação portuguesa. Especialista nos 100 metros barreiras e uma das atletas portuguesas mais competitivas da década de 1990, Sandra Barreiro chegou a qualificar-se para os Jogos Olímpicos, mas uma lesão sofrida já na aldeia olímpica acabou por afastá-la da competição.

“Há momentos que nunca se esquecem, que permanecem vivos no coração”, afirmou, recordando o percurso iniciado ainda jovem em Almeirim e construído “com coragem, empenho, foco, dedicação e muita resiliência”.

Num discurso marcado pela emoção e pela gratidão, a antiga atleta falou da importância do desporto na construção do carácter e da disciplina pessoal. “O desporto ensinou-me superação, coragem e disciplina”, disse, agradecendo aos treinadores, clubes, colegas de equipa e familiares que acompanharam o seu percurso desportivo. “Tudo vale a pena quando honramos verdadeiramente a nossa essência”, acrescentou.

Também Domingos Manuel Monteiro Martins foi distinguido pelo percurso ligado ao associativismo desportivo local, particularmente através da Associação 20 Kms de Almeirim, colectividade que ajudou a consolidar como uma das principais referências do atletismo popular e da formação desportiva no concelho.

A homenagem acabou por incluir outro momento de surpresa, com a presença em palco de Rosa Mota, convidada pela organização para entregar pessoalmente a medalha ao dirigente associativo. Visivelmente emocionado, Domingos Martins admitiu não estar à espera da homenagem nem da presença da antiga campeã olímpica portuguesa. “Para mim, é um enorme orgulho receber esta medalha”, afirmou.

Ao longo da cerimónia, foi sublinhado o crescimento da associação nas últimas décadas, passando de um núcleo centrado no atletismo, ciclismo e orientação para uma estrutura com 17 secções e centenas de atletas, muitos deles em escalões de formação. O próprio homenageado fez questão de dividir o reconhecimento com os vários elementos ligados ao projecto. “Os 20 Quilómetros são o que são graças a cada um deles”, disse.

A gala ficou ainda marcada pela entrega simbólica da medalha atribuída em 2022 ao atleta de trail Miguel Arsénio, ausente por se encontrar em estágio de preparação desportiva. A distinção foi recebida pela mãe, perante uma mensagem vídeo enviada pelo atleta, onde agradeceu o reconhecimento da autarquia e deixou uma palavra de incentivo aos mais novos. “Espero inspirar os mais jovens a seguir o caminho do desporto”, afirmou.

Pedro Ribeiro distinguido com a Medalha Municipal de Honra

O momento de maior carga institucional e política da noite ficou reservado para o final da cerimónia, com a entrega da Medalha Municipal de Honra, grau ouro, ao antigo presidente da Câmara Municipal de Almeirim, Pedro Miguel César Ribeiro, distinguido pelo percurso de mais de três décadas ligado ao poder local e à vida pública do concelho.

A homenagem procurou reconhecer uma carreira autárquica iniciada ainda nos anos 1990, primeiro na Assembleia Municipal, depois como vereador, vice-presidente e, mais tarde, presidente da Câmara Municipal de Almeirim entre 2013 e 2025, período durante o qual acumulou também funções como presidente da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo e dirigente nacional da Associação Nacional de Autarcas Socialistas.

Na apresentação da distinção, a organização descreveu Pedro Ribeiro como uma das figuras que “deixou marca” no percurso recente do concelho, destacando o papel desempenhado na modernização do município, no reforço da cooperação intermunicipal e na afirmação regional de Almeirim. O texto evocou igualmente a intensidade da sua presença pública e política ao longo dos anos, num percurso marcado pelo escrutínio, pelo debate e pela forte exposição mediática associada aos cargos autárquicos.

“Há pessoas que passam pelos cargos. E há pessoas que deixam legado. Pedro Ribeiro pertence, sem dúvida, à segunda categoria”, ouviu-se durante a cerimónia.

O próprio antigo autarca assumiu a homenagem com emoção visível, reconhecendo que viver a cerimónia “do outro lado” lhe dava agora uma perspectiva diferente sobre o significado das distinções municipais. Ao longo da intervenção, falou do exercício autárquico como uma missão de proximidade e de entrega permanente às populações. “Só conseguimos estar nestas funções se gostarmos verdadeiramente daquilo que fazemos”, afirmou.

Pedro Ribeiro recordou ainda o percurso iniciado ainda jovem na vida política e autárquica, bem como a influência de figuras que marcaram o seu trajecto, nomeadamente o antigo presidente da Câmara Municipal de Almeirim, José Sousa Gomes. “Foi com ele que aprendi a ser autarca”, afirmou, sublinhando a ideia de que o poder local continua a ser “a melhor das funções que um político pode ter”, precisamente por permitir contacto directo com os problemas e necessidades das populações.

Ao longo do discurso deixou também uma palavra de agradecimento aos colaboradores, funcionários municipais, dirigentes associativos e instituições com quem trabalhou ao longo dos anos, assumindo o orgulho pelo percurso realizado no concelho. “Foi um orgulho enorme poder servir este concelho, que é o meu concelho”, declarou.

A entrega da Medalha Municipal de Honra acabou por funcionar como culminar simbólico de uma gala construída em torno da valorização de percursos de serviço à comunidade. Entre dirigentes associativos, atletas, responsáveis religiosos, voluntários e agentes culturais, a cerimónia procurou fixar publicamente uma ideia comum a quase todas as intervenções da noite: a de que a identidade de um território também se constrói através das pessoas que, em diferentes áreas, dedicaram parte significativa da sua vida aos outros e ao concelho onde vivem.

Os funcionários do município que se aposentaram foram também reconhecidos no final da cerimónia pelo seu “profissionalismo e à dedicação ao serviço”.

 

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