O município de Alpiarça encerrou o exercício económico de 2025 com um resultado líquido negativo de 32 mil euros, devido “a um ligeiro desequilíbrio entre rendimentos e gastos num ano marcado pelo aumento da despesa”, segundo o relatório de gestão.

De acordo com o documento enviado hoje à Agência Lusa, os rendimentos totalizaram 11,06 milhões de euros, enquanto os gastos ascenderam a 11,09 milhões de euros, tendo estes crescido cerca de 2,99% face a 2024, sobretudo devido “ao aumento das despesas com pessoal, serviços externos e transferências”.

A análise realizada pelo município enquadra estes resultados num “contexto internacional exigente”, marcado por “tensões geopolíticas, volatilidade dos mercados e pressão inflacionista”, fatores que condicionaram “a gestão das finanças públicas e a evolução dos custos, nomeadamente com energia, transportes e serviços especializados”.

Ainda assim, a autarquia sustenta que conseguiu manter uma gestão “rigorosa e responsável”, assegurando “o equilíbrio financeiro sem comprometer a capacidade de investimento e a resposta às necessidades da população, com reforço das áreas da educação, ação social, habitação e apoio à população sénior”.

No plano orçamental, a execução da receita atingiu uma taxa de 88,03%, considerada globalmente positiva, embora abaixo do valor previsto.

O orçamento inicial de 15,3 milhões de euros foi reforçado ao longo do ano para 19,48 milhões de euros, com destaque para o contributo do saldo de gerência anterior, no valor de 4,33 milhões de euros, que “teve um papel determinante no equilíbrio das contas”, lê-se no documento.

As receitas correntes tiveram uma taxa de execução de 96,46%, tendo-se destacado as transferências correntes, com 99,94%, e os impostos diretos, com 99,99%, que, segundo o documento, “continuam a constituir as principais fontes de financiamento municipal e a garantir a estabilidade financeira da autarquia”.

Entre as receitas próprias, os impostos diretos cresceram 13,41%, ultrapassando os 2,13 milhões de euros, enquanto as taxas, multas e outras penalidades aumentaram cerca de 53%, ainda que com menor expressão no total da receita.

As receitas de capital registaram uma execução de 59,55%, ficando aquém do previsto, devido sobretudo “à fraca concretização da venda de bens de investimento, que teve uma taxa residual de 1,21%, e a atrasos na execução de projetos e na libertação de transferências de capital”.

Do lado da despesa, a execução orçamental fixou-se nos 73,62%, correspondendo a 14,34 milhões de euros pagos.

As despesas com pessoal constituíram a principal rubrica, com 5,26 milhões de euros e uma taxa de execução de 91,17%, registando um aumento de cerca de 9% em relação ao ano anterior.

Já a despesa de capital ficou pelos 58,90%, “evidenciando que parte significativa dos investimentos previstos não foi executada ou transitou para exercícios seguintes”.

Ainda assim, o investimento municipal representou 37,73% da despesa total, devido à concretização de vários projetos como o novo quartel da GNR, o novo Centro de Saúde, a ampliação da escola EB1 Professor Abel Avelino, projetos de habitação no âmbito do programa 1.º Direito e a criação de infraestruturas de apoio ao autocaravanismo.

Ao nível financeiro, a dívida municipal registou uma redução de 4,72%, passando de 3,67 milhões de euros em 2024 para 3,49 milhões de euros em 2025.

Na análise global, o município considera que 2025 ficou marcado por “uma estratégia centrada no investimento estruturante e na valorização do território”, salientando que apesar do resultado líquido negativo, os principais “indicadores demonstram uma trajetória de crescimento sustentado”.

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