O médico André Gomes, com um percurso profissional e cívico fortemente ligado à região de Santarém, assumiu a presidência da Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e estreou-se esta semana à frente da estrutura sindical na condução da primeira ronda de negociações com o Governo, centradas nos salários e nas condições de trabalho dos médicos do Serviço Nacional de Saúde.
Com 35 anos, André Gomes exerce funções como médico de Saúde Pública na Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo e foi eleito presidente da FNAM durante a reunião do Conselho Nacional da federação, realizada em Coimbra, marcando o início de um novo ciclo na liderança de um dos principais órgãos representativos da classe médica. A reunião com a tutela será a primeira prova de fogo do novo presidente, num momento considerado decisivo para avaliar o cumprimento do protocolo negocial assinado a 9 de Janeiro.
De acordo com a FNAM, a estrutura sindical exige ao Governo o cumprimento integral do acordo estabelecido, bem como um processo negocial transparente e consequente, numa fase em que persistem dificuldades estruturais no SNS, nomeadamente ao nível da fixação de médicos, da organização do trabalho e da valorização da carreira médica.
Natural de Lisboa, mas com raízes familiares profundas no Vale de Santarém, André Gomes mantém desde a infância uma ligação estreita ao Ribatejo, região onde construiu grande parte da sua trajectória profissional, associativa e cívica. Foi em Santarém que desenvolveu trabalho na área da Saúde Pública, se envolveu activamente no movimento associativo e assumiu responsabilidades políticas em diferentes órgãos autárquicos.
No plano autárquico, foi candidato à presidência da Câmara Municipal de Santarém pela Coligação Democrática Unitária (CDU) e exerceu funções na Assembleia Municipal de Santarém, na Assembleia de Freguesia do Vale de Santarém e na Assembleia da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo. Militante do Partido Comunista Português desde 2015, a sua intervenção política tem sido enquadrada, sobretudo, por uma abordagem ligada às políticas públicas, à saúde e à coesão social, sempre articulada com uma forte presença no associativismo local.
Paralelamente à actividade médica e sindical, André Gomes integra a direcção da Sociedade Recreativa Operária de Santarém, onde tem promovido iniciativas de cariz cultural, social e comunitário. O seu percurso inclui ainda uma vertente artística menos comum no perfil de dirigentes sindicais: frequentou o Conservatório de Música de Santarém, com formação em canto lírico, piano, composição e canto coral.
