A Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias e a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição contestaram a proibição da circulação de veículos pesados na circular urbana do Cartaxo, medida que a autarquia justifica com razões de segurança.

Na reunião de 23 de abril, da Comissão Municipal de Trânsito e Segurança Rodoviária, foi aprovada, por unanimidade, a proibição da circulação de veículos pesados na cidade do Cartaxo.

Em comunicado conjunto, a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) e a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) criticam o facto de a decisão ter sido tomada “sem o devido envolvimento dos setores de atividade afetados”, sem auscultação dos agentes económicos e sem realização de estudos de impacto económico ou definição de alternativas viáveis.

Segundo a ANTRAM e a APED, a medida poderá ter impactos “particularmente gravosos” na atividade empresarial que depende do acesso ao concelho do Cartaxo e também na atividade logística instalada no concelho vizinho da Azambuja, considerada uma zona estratégica na cadeia de abastecimento nacional.

As organizações alertam que as restrições à circulação de veículos pesados poderão traduzir-se em “aumentos de custos operacionais, perda de eficiência logística, maior pressão sobre vias alternativas e até aumento das emissões de carbono, com reflexos na competitividade da região”.

No mesmo documento, manifestam ainda “profunda perplexidade” pelo facto de a medida ter sido anunciada apenas quatro dias antes da entrada em vigor e defendem a sua suspensão, propondo a abertura de um processo de diálogo com os agentes económicos.

Em declarações à Lusa, o presidente da Câmara Municipal do Cartaxo, João Heitor, reconheceu hoje que as associações não foram formalmente contactadas, mas sublinhou que a decisão incide sobre uma via municipal e foi tomada por motivos de segurança.

“Passavam cerca de mil pesados por dia na circular urbana e a estrada está numa situação completamente degradada, já não é apenas uma questão de mau estado, é um problema de segurança”, afirmou.

De acordo com o autarca, o custo total da reabilitação da circular ultrapassa os seis milhões de euros, sendo que uma primeira intervenção, num troço de cerca de um quilómetro, já representa um investimento superior a 1,2 milhões de euros.

“O município não tem capacidade para suportar sucessivas reabilitações de uma estrada que é usada sobretudo como via de atravessamento”, justificou, acrescentando que a prioridade é “garantir a segurança das pessoas e proteger os recursos do concelho”.

O presidente indicou ainda que a medida prevê exceções para veículos autorizados, incluindo veículos de emergência e proteção civil, veículos municipais, veículos de recolha de resíduos sólidos urbanos e equiparados, veículos de transporte de passageiros, veículos que venham efetuar cargas e descargas no concelho.

Quanto às críticas do setor, o autarca disse compreendê-las, mas defendeu que existem alternativas, apontando a autoestrada como principal opção.

“Aquilo que estas empresas naturalmente não querem é aumentar os seus custos com a passagem na autoestrada e eu percebo isso, mas infelizmente não podemos oferecer outra alternativa”, afirmou.

O responsável mostrou-se, no entanto, disponível para dialogar com as associações e procurar soluções, sublinhando que a câmara está aberta a ouvir todos os parceiros com interesses no concelho.

“Nós não contactámos formalmente estas associações, é um facto, mas estamos disponíveis para conversar e encontrar soluções”, disse.

João Heitor frisou ainda que a necessidade de restringir o trânsito pesado na circular urbana do Cartaxo tem sido defendida publicamente “há anos”, rejeitando a ideia de que a decisão tenha surgido de forma inesperada.

“Compreendo que estas entidades defendam os seus interesses, tal como o município tem de defender os seus”, concluiu.

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