Sérgio Tente, de 42 anos de idade, é natural de Santarém. É tido como um dos mais experientes pescadores de sargos de Portugal. Diz-se orgulhoso em ser ribatejano (foi forcado durante 17 anos) e assume o fado, a cultura avieira e o Tejo como outras paixões que herdou de seus pais. Foi protagonista do documentário “Aos Sargos na Galiza com Sérgio Tente” que constituiu um sucesso de audiências, assegura.

Como é que nasce esta paixão pela pesca? Tive desde muito novo contacto com a lezíria e com a água que nela corria, as valas, os açudes, o rio, foram de imediato algo que me cativou. Ver o peixe nas límpidas águas que corriam nestes leitos, poder acompanhar a família e amigos dos meus pais às pescarias quase desde que nasci fez com que esses momentos se tornassem inesquecíveis. Herdada principalmente do meu pai que era também pescador lúdico, o fascínio pela pesca e por todo o meio envolvente faz com que ainda hoje exista em mim o mesmo entusiasmo e paixão que me arrebatou desde o primeiro dia em que o meu pai me meteu uma cana de pesca na mão e pesquei o meu primeiro peixe.

Porque é que o seu pai teve uma grande influência na escolha deste hobbie? O meu pai, José Augusto Tente foi sem dúvida a minha maior influência na pesca, na verdade era a única referência que eu atenciosamente observava. Não apenas pelo pescador em si, mas acima de tudo pela maneira de estar, tranquilidade, atitude perante as pessoas, perante a natureza. Um ser humano bom que muito me ensinou, que muitos bons valores me transmitiu e que me pegou este “vício” tão saudável. Os anos foram passando e com a idade fui tendo oportunidade de ir mais vezes à pesca e criar os meus próprios grupos, felizmente com grandes amigos. A pesca deixou de ser ocasional para começar a ser regular.

É tido como um dos mais experientes pescadores de sargos do país. Como é que se chega até aqui? Com cerca de 20 anos dediquei-me muito mais à pesca de mar e aí comecei a ter resultados muito bons em pouco tempo. Foi esta pesca que fiz maioritariamente nos últimos 15 anos e na qual acabei por me destacar. Com os bons resultados e com o aparecimento em força das redes sociais fui convidado para escrever alguns textos e partilhar na internet fotografias das pescarias que ia fazendo. Este “boom” da internet fez aparecer muitos sites de pesca, blogs, grupos… e comecei a ser convidado para fazer parte da administração de alguns deles. É nesta fase que comecei a ser conhecido e reconhecido a nível nacional. Ainda hoje mantenho esta ligação aos sites e sou administrador de um grupo que engloba pescadores de todo o mundo. É já durante esta fase que sou convidado a escrever para a Revista Mundo Pesca onde escrevi ao longo dos anos 22 artigos e acabei por ser capa de Revista três vezes. No seguimento de todo este processo aparece um convite de uma grande marca de pesca (Barros & Trabucco), para ser consultor de pesca à bóia no mar, convite esse que aceitei, que muito me honrou e que criou laços de amizade extraordinários e uma ligação forte à marca que ainda hoje se mantém. O reconhecimento passou nesta fase a ser internacional e acabei por criar também laços com pescadores das mais variadas nacionalidades. A etapa seguinte foi também muito marcante: ser convidado pelo canal televisivo espanhol Caza & Pesca para fazer documentários. Desde então já fiz dois e tenho outros dois em andamento para 2020. Neste canal passou no passado dia 27 de Dezembro, aquilo que foi o auge desta minha caminhada, o documentário “Aos Sargos na Galiza com Sérgio Tente”, em jeito de biografia, foi o grande reconhecimento de tudo o que fiz em prol da pesca lúdica. Este documentário foi um sucesso ao nível das audiências o que me deixou extremamente satisfeito. Surgiu recentemente um convite de um canal americano para mais um documentário o que a confirmar-se será um momento histórico não só para mim mas também para a pesca nacional.

Segundo diz, a pesca com bóia no mar passou a ser um “vício”. Porque é que prefere este tipo de pesca? A pesca à bóia é toda ela apaixonante pelos processos que envolve. Dediquei-me com tudo a esta técnica. A espécie a que me dediquei a fundo foi o sargo, principalmente desde as falésias mas também robalos e douradas são alvos nestas jornadas. A pesca ao sargo acarreta alguns perigos já que é feita com mar forte e em pesqueiros muitas vezes sinuosos e desconfortáveis à mercê do mar. Essa adrenalina cativa pelo grau de dificuldade, mas nesta pesca todo o cuidado é pouco. A luta com estes peixes é maravilhosa e extremamente viciante.

Porquê a Galiza como local de eleição? Pesco em toda a costa portuguesa e já há alguns anos também na Galiza, um dos locais mais bonitos e adequados para pescar sargos e onde tenho tido também extraordinários resultados. O reconhecimento como sendo um dos melhores ou o mais conceituado pescador de sargos à bóia em Portugal honra-me, mas não faz de mim outra pessoa. Mantenho a mesma atitude, dedicação, mas também a mesma humildade com que comecei a pescar com cinco anos de idade.

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