O presidente eleito da Câmara Municipal de Mação, José Fernando Martins (PS), que toma posse no domingo, estabeleceu como prioridades para o seu mandato a modernização da administração local, a revitalização urbana e a atração de população.

“Vamos esquecer as lutas políticas. A partir do momento que tome posse, eu serei o presidente de todos os maçaenses. Até à campanha do próximo ato eleitoral, vou tratar a todos por igual”, disse José Fernando Martins, que, depois de gerir a União de Freguesias de Mação, Aboboreira e Penhasco nos últimos 12 anos, conquistou a Câmara Municipal, após quase cinco décadas de governação social-democrata.

Entre as primeiras medidas definidas pelo PS para este município do distrito de Santarém, destaca-se a descentralização administrativa e a valorização das juntas de freguesia, permitindo-lhes gerir competências e recursos.

O presidente eleito pretende instituir reuniões mensais entre a Câmara e todas as juntas, promovendo o diálogo e a coordenação. “É mais fácil mantermos as aldeias limpas se for a junta a fazer do que se for a Câmara a fazer”, exemplificou.

No domínio das obras públicas, Mação enfrenta “desafios históricos”, admite o autarca, identificando entre as prioridades a requalificação da vila de Cardigos, cuja obra apresenta atrasos significativos.

“Uma das prioridades será uma auditoria à obra de Cardigos, para perceber o que correu mal, o que correu bem e apurar responsabilidades”, declarou.

Em paralelo, será retomado o projeto de requalificação do centro da vila de Mação, já adjudicado, e a construção de uma nova creche, considerada essencial para fixar famílias e atrair profissionais de saúde.

José Fernando Martins aposta ainda na resolução de problemas de estacionamento, com a criação de um parque subterrâneo, e na criação de infraestruturas multiusos, como um pavilhão coberto que permita realizar feiras, concertos e eventos desportivos, bem como um espaço definitivo para a Feira Mostra.

Também se destacam projetos na área da habitação, expansão da zona industrial e valorização da marca local de produtos regionais, incluindo o presunto de Mação.

“O presunto de Marca Mação é diferenciado e queremos que esteja disponível nos estabelecimentos da vila, o que hoje não sucede”, afirmou.

No plano social, o presidente eleito sublinhou a importância das instituições particulares de solidariedade social (IPSS) e da criação de uma unidade de cuidados continuados, com a participação e envolvência de todas as instituições do concelho.

“As IPSS são o maior empregador do concelho e temos de acarinhar este setor”, referiu, destacando a necessidade de reforçar vagas e serviços para a população envelhecida, apontando à criação de uma Unidade de Cuidados Continuados.

Para enfrentar a desertificação e atrair jovens, será implementado um programa de incentivos à aquisição da primeira habitação, aberto a maçaenses e novos residentes, com apoios financeiros na ordem dos 30 mil euros.

“Obviamente, vamos atrair outros e temos de lhes dar incentivos, mesmo incentivos fiscais. Quem vive no interior e paga o IMI [Imposto Municipal sobre Imóveis] por uma casa de primeira habitação tem de ser diferenciado”, explicou.

A gestão da floresta e da proteção civil também será central na ação do novo executivo, especialmente na prevenção de incêndios, assegura o autarca.

“A floresta era uma mais-valia, agora é um problema. Precisamos de mais pontos de água e de um trabalho equilibrado com os proprietários”, afirmou, defendendo diálogo e aproveitamento dos fundos do PRR sem desrespeitar a propriedade privada.

O presidente eleito descreve Mação como um território com “ar, água, azeite, sossego e vizinhança solidária”, características que pretende valorizar para fixar população e atrair nómadas digitais.

A política do retorno, garantindo que eventos e turistas geram benefícios locais, será outro pilar da estratégia.

“Tem de haver retorno com aquilo que foi proporcionado às pessoas. Se vêm visitar o museu, têm de levar os produtos regionais e consumir cá”, concluiu.

José Fernando Martins foi eleito no dia 12 de outubro presidente daquela autarquia, depois de o PS ter vencido a câmara com 51,01% dos votos, naquela que foi a primeira vitória socialista em Mação, enquanto o PSD ficou com 34,09%.

O PS ficará com três eleitos, enquanto os sociais-democratas conquistaram dois mandatos.

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