João Gomes, artesão de Pernes, é finalista do Prémio Nacional de Artesanato 2021, na categoria Inovação, promovido pelo IEFP – Instituto de Emprego e Formação Profissional.

Os trabalhos de João Gomes estão a votação até ao próximo dia 20 de Dezembro, aqui. A Câmara de Santarém apela ao voto no artista pernense para que “este filho da Terra ganhe este concurso e demonstre, uma vez mais que Pernes é um baluarte de resistência dos mestres do torno de madeira”.

João Gomes agradece “especialmente a Pernes e a Santarém por terem sido o berço do meu percurso profissional”, e afirma que é “com o maior orgulho que agora represento Pernes e Santarém nesta fase final de selecção para o Prémio Inovação do Prémio Nacional de Artesanato”.

João Gomes começou a brincar e a produzir pequenos objectos na oficina do seu avô João Gomes, com dez anos de idade. O avô fundou uma das primeiras empresas de carpintaria e torneados em madeira da Ribeira do Alviela, em Pernes, Santarém. Cedo ganhou consciência de que os artesãos da sua região estavam a envelhecer, e sem esperança de renovação, uma vez que não se vislumbrava uma nova geração de aprendizes.

Criou a marca Artesão, que enquanto conceito e realidade, começa a ganhar forma em 2002. Na altura, a sua preocupação foi o declínio da indústria de torneados de Pernes, com muito poucos artesãos a produzir, sem qualquer inovação e sem expectativas de potenciar as produções artesanais. A criação desta marca, surge com o intuito de mostrar aos artesãos locais que sendo as peças tradicionais envoltas numa embalagem mais cuidada ou adicionando pequenos extras (tão simples como vender um pião enrolado numa corda e com as regras de jogo), poderia valorizá-las.

Formou-se, foi professor do ensino básico, participou em diversos workshops, cursos, feiras. Hoje, a Artesão é uma oficina multidisciplinar que compila uma diversidade significativa, de técnicas, saberes e materiais. É uma oficina que combina a execução técnica não só na criação de peças, mas também na recuperação e reutilização de materiais, saberes antigos, em absoluta consonância com a sustentabilidade, preocupações ecológicas e mínima pegada ecológica.

Na Artesão criam-se quase em exclusividade peças de autor, a maior parte das vezes, construídas com materiais já existentes na casa de cada cliente, ou usando materiais recolhidos e armazenados por si.

Peças que vão desde tábuas do pão, a mobiliário diverso, casas de banho de compostagem e ecocasas, com uma preocupação extrema em reutilizar materiais e restaurar ou readaptar peças existentes.

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