“As autarquias da região têm correspondido ao Judo com o reconhecimento que lhe é devido”

António Pedroso Leal iniciou actividade na Associação de Judo do Distrito de Santarém (AJDS) em 1979, como secretário de direcção. Foi presidente da AJDS durante 20 anos até desempenhar o cargo de Presidente da Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Judo. Há sete voltou a tomar as rédeas da AJDS, cargo que hoje ocupa.
A Associação que lidera foi a primeira na região a cancelar competições, assumindo o risco da pandemia covid-19. Tem vindo a realizar diversas formações online para atletas, dirigentes e treinadores que foram um verdadeiro sucesso de participação. Com o desconfinamento, a AJDS procura agora reorganizar-se e já planeia a próxima época desportiva.

Como é que o Judo no distrito de Santarém se adaptou a esta Pandemia?
Fomos a primeira Associação Distrital de Judo a reconhecer a pandemia e, com este sentido de responsabilidade assumida por todos os nossos associados, suspendemos a primeira competição no dia 8 de Março, em Salvaterra de Magos. Desde aí, não tem sido possível levar a cabo qualquer das actividades calendarizadas. Entretanto, alguns clubes tomaram iniciativas e adaptaram-se a esta disrupção, implementando as suas aulas via net, mantendo a actividade e proximidade com os seus atletas e respectivas famílias.

As diversas formações online promovidas ao longo deste tempo surtiram efeitos positivos?
O nosso Instituto de Formação, liderado pelo Professor Alfredo Silva, vice-presidente da AJDS, lançou mão das novas tecnologias e actualmente estamos com várias formações online, as quais juntam muitos interessados (mais de 50 por edição). Tivemos já a presença do treinador Nuno Delgado, medalha Olímpica em Sidney e que nasceu e cresceu para o Judo na Casa do Benfica de Santarém e iremos prosseguir com outras iniciativas.

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Como é que está a ser preparado o regresso do Judo no distrito?
Seguimos as indicações do órgão federativo – a Federação Portuguesa de Judo – que por sua vez cumpre as indicações das entidades que supervisionam o desporto, na linha das decisões do Governo. Mantemos informados os Clubes associados sobre as medidas e, em matéria da prática efectiva, também as acções de formação têm deixado indicações preciosas para os técnicos e para os clubes.

Quais são as principais medidas tomadas pela Associação?
É nossa convicção que, até ao mês de Setembro, as actividades competitivas estão obviamente prejudicadas. Muito em consequência da pandemia, mas também porque, em regra, o período de férias de Verão não é de prática corrente. Sem embargo naturalmente dos atletas de competição que mantêm a prática regular, com vista ao reinício de época, num nível de condição física que lhes garanta a boa prestação no final do ano competitivo. Seguiremos a formação, através dos meios audiovisuais, com o objectivo de estabilizar o modelo de retoma da prática desportiva, seguindo os padrões de segurança recomendados. É um momento para nos dedicarmos a outras áreas de reorganização e planeamento da próxima época desportiva, face aos desafios e à aprendizagem com que esta nos presenteou.

Que impactos desportivos e financeiros teve esta paragem?
Ao nível financeiro, a paragem abrupta e global da prática da modalidade afectou os clubes. O associativismo sempre gere dificuldades e carências, agora acentuadas porque se deixaram de receber quotas e mensalidades, impossibilitando suprir os custos com o enquadramento técnico e a gestão corrente. Estas dificuldades são também sentidas ao nível da gestão da AJDS, cujas receitas das actividades e da demografia, são preponderantes. Ao nível da prática desportiva, a ausência de treinos e competições regulares é motivo de preocupação no que concerne ao nível técnico e da condição física dos praticantes.

Já algum clube do distrito manifestou dificuldades durante este período?
As informações que nos têm chegado confirmam o que aqui já antes referimos.

Que apoios estão previstos para estas situações?
Para as actividades formativas, em favor da participação generalizada e da melhoria da formação dos técnicos de Judo, a Direcção da AJDS, sob proposta do nosso Instituto de Formação, decidiu dar sequência a um conjunto de formações gratuitas.

Considera que as autarquias têm de olhar mais para o Judo?
Sempre assim o considerei. Temos todos de reconhecer que os clubes prestam à comunidade um serviço de grande valor formativo. Sem muito do esforço levado a cabo pelos clubes não seria possível a oferta desportiva que existe e por isso a atenção dos autarcas. O Judo é reconhecido pela elevada expressão dos conteúdos e valores formativos, de carácter ético e físico, aportando fortes contributos à formação dos jovens praticantes. Felizmente, de uma forma geral, as autarquias da região têm correspondido ao Judo com o reconhecimento que lhe é devido.

Que balanço faz do seu mandato como presidente da Associação?
Sou, por natureza, um dirigente inconformado, pois acredito que é sempre possível fazer mais e melhor. Mas estou reconhecido ao grupo de trabalho que me aceita como sou, pois, todos somos exigentes e temos conseguido realizar melhorias em várias vertentes da nossa gestão desportiva.
Resultado também do reconhecimento que a modalidade tem obtido, ao nível nacional e internacional, muito por mérito dos clubes, dirigentes, técnicos e atletas.

O judo terá uma representante no distrito nos próximos Jogos Olímpicos. A Associação pretende fazer crescer este número?
Não será a primeira vez que o Judo de Santarém terá representantes nos Jogos Olímpicos. Na próxima edição, desejamos que a atleta tomarense Patrícia Sampaio seja a nossa representante nos JO de Tóquio e Paris.
O nosso crescimento é sempre interpretado com base nos seus diversos índices: mais praticantes, mais treinadores, treinadores mais qualificados, árbitros de qualidade, atletas tecnicamente mais bem preparados e realizações desportivas de qualidade organizativa. Os resultados serão inevitáveis.

Quais são os grandes objectivos da AJDS para os próximos anos?
Os nossos objectivos serão sempre alinhados com a estratégia dos nossos clubes associados. Mantendo naturalmente uma forte incidência na formação e qualificação de todos os treinadores de Judo. Incrementando as actividades desportivas, com presenças internacionais, de forma a intensificar as nossas relações técnicas e a permuta de conhecimentos.
Como já referimos, pretendemos manter um projecto de desenvolvimento que esteja sempre alinhado pela motivação e dinâmica dos clubes associados e dos seus técnicos, criando novas dinâmicas e novas parcerias, como a que estamos a desenvolver com Espanha, França e Cabo Verde, que possam trazer oportunidades, desenvolvimento e satisfação para todos os envolvidos.

Que mensagem gostaria de deixar aos atletas, treinadores e clubes da região?
Neste momento de retoma, assim o esperamos, teremos todos de manter o nosso próprio rumo. A nossa esperança é reforçada pela nossa experiência de que a forma desportiva só surge com o treino e esse tem sempre a sua base no trabalho que agora se reinicia. Todos somos Judocas e juntos seremos mais fortes! Conseguiremos o melhor para o Judo do Ribatejo!

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