Carla Ribeiro, triatleta da equipa SNR Triatlo de Santarém venceu o desafio da Estrada Nacional 2 a correr, num total de 738 quilómetros, distância que liga Chaves a Faro, numa prova decorreu entre 12 de Julho e 31 de Dezembro em formato virtual. Carla Ribeiro, natural do Cartaxo, demorou 56 horas, 7 minutos e 3 segundos a correr a distância deste desafio, ou seja, fez uma média de 4.33 minutos por quilómetro. A atleta é licenciada em Comunicação Social e mestre em Gestão do Desporto e trabalha na área comercial, mas é no desporto que vê a sua “terapia”. Pratica triatlo desde 2000, mas a falta de tempo levou-a a dedicar-se mais à corrida nos últimos anos. Diz ser uma pessoa enérgica, que gosta de superar desafios e revela que vai atrás do que quer “até não poder mais”.

Quando é que a Carla começa a despertar para o desporto?

Em miúda lembro-me de andar muito de bicicleta nas ruas ali perto de casa. Fazia um quarteirão, depois outro maior e a seguir outro ainda maior. Andava ali muito tempo às voltas, subia passeios, às vezes caía. Aos fins-de-semana ia de bicicleta ao terreno de um vizinho nosso, que já ficava fora do Cartaxo, ver a cadela que ele tinha lá e de quem eu gostava muito! Na hora de me vir embora, ela ficava a ganir e confesso que às vezes a soltava e ela depois vinha a correr ao meu lado de volta para o Cartaxo. Isto mais ou menos até aos 10 anos. Pouco depois comecei a acompanhar o meu pai nos treinos de ciclismo que ele fazia ao fim-de-semana até Almoster ou Louriceira e a minha irmã também vinha. Basicamente com 10/11 anos fazia 20 quilómetros de bicicleta (na altura com bicicleta de BtT). Quando tinha 13 anos, fomos para o atletismo no Estrela Ouriquense ,em Vila Chã de Ourique. Nunca parei, nem de andar de bicicleta, nem de correr até hoje. A natação só comecei aos 17 anos e foi com 18 que fiz o meu primeiro triatlo, em Portimão no ano 2000.

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Porquê é que escolheu o Triatlo como modalidade preferida?

Eu já corria e andava de bicicleta. O triatlo aparece pela mão do meu professor de educação física do 10º e 12º anos (o já falecido Miguel Jourdan). A insistência dele lá me convenceu a experimentar o triatlo e passei a frequentar os treinos de natação dele. Achei aquilo uma dureza pois eu não tinha técnica nenhuma, não deslizava na água, eu tinha era força nas pernas! Ainda hoje me considero “péssima” nadadora e tenho pena de não ter começado mais cedo a natação pois não aprendi bem a técnica, nem aprendi cedo. Em todo o caso, tive muito entusiasmo para experimentar o triatlo e gostei imenso. Tanto, que me tenho mantido até hoje! É uma modalidade variada, a três dimensões, nunca há apenas uma coisa para treinar. É muito completa e exigente mas é divertida porque o ambiente que se vive nas provas é muito bom e descontraído apesar da competição. A dinâmica do triatlo também é engraçada, no sentido de que podes sair mal da natação e recuperar no ciclismo ou corrida por exemplo. O ideal é ser bom nas três mas não sendo, há a expectativa de que se consegue recuperar nos segmentos onde somos melhores! Nestes anos de triatlo viajei imenso pelo nosso país e conheço-o muito bem à conta do triatlo, conheci pessoas fabulosas, ganhei confiança em mim e superei muitos desafios.

Qual foi a prova nesta modalidade que mais a marcou?

Esta resposta é difícil.. em 20 anos houve tantas. Talvez destaco o Campeonato Ibérico de triatlo de Juniores 2001. Foi em Sevilha em Junho de 2001 e estavam cerca de 36 graus à hora da prova! Nessa altura, já Espanha tinha a modalidade muito mais desenvolvida que Portugal, inclusive com muitas mulheres a participar. Achei fantástico e uma grande diferença a todos os níveis, face ao que tínhamos cá na altura. A nível de prova, eram tantos os atletas que as partidas eram feitas em vagas e mesmo assim eram muitos atletas “ao monte”. A natação foi um desastre pois era e é o meu ponto fraco, mas no ciclismo lembro-me que me safei muito bem e poucas vezes vi o conta-quilómetros abaixo de 40km/h e mesmo com aquele calor, ainda consegui correr os 5 quilómetros na casa dos 18 minutos! No fim da prova havia uma espécie de monumento com um lago e meti-me lá dentro para lutar contra o calor. E fui eu a campeã Ibérica Júnior!

A Carla venceu recentemente o desafio da Estrada Nacional 2 a correr. Qual foi a sensação desta vitória?

Isso foi um desafio virtual que vi num site e achei que era interessante para me manter a treinar focada em alguma coisa. Sobre o resultado final, eu tinha as coisas mais ou menos controladas. Ia vendo a média das outras atletas e o progresso delas e ia jogando com isso. À medida que o desafio se aproximava do fim, a sensação de que a vitória não me escaparia ia sendo mais evidente. A sensação que esta vitória me dá é a de dever cumprido pois quando me inscrevi, além de aproveitar para treinar, tinha a noção de que poderia lutar pela vitória e felizmente consegui. É também a sensação de meses de esforço que são recompensados, de uma gestão bem feita e acima de tudo, é a sensação de felicidade e satisfação por ter cumprido tal feito. Sempre são 738km a uma média que também não é assim tão lenta para a distância que é.

Como é que se correm 738 quilómetros, entre Chaves e Faro?

Eu devo confessar que nunca fui a Chaves na vida! Este desafio era virtual e eu corria normalmente, nos sítios onde costumo treinar. Simplesmente, esses treinos eram descarregados na plataforma e iam contando até totalizar os 738 quilómetros da N2.

Na realidade até comecei tarde. A prova iniciou a 12 de Julho e passava de meio de Agosto quando introduzi os meus primeiros quilómetros. Em Setembro também não adiantei muito e só em Outubro, Novembro e Dezembro me empenhei mais. Para cumprir o desafio basicamente estive concentrada e a correr de forma regular. Mentalizei-me que tinha que correr cerca de 50 quilómetros por semana e com média não superior a 4.40 min/quilómetro. Fazia logo à segunda 14 quilómetros, à quarta fazia séries (cerca de 8 quilómetros), à quinta ou sexta ia cedo de manhã para 10/12 quilómetros, e o restante fazia ao fim-de-semana. Foram 738 quilómetros mas tinha as coisas pensadas, tal como os dias da semana em que corria e as minhas contas estavam feitas para conseguir terminar o desafio antes do fim do ano!

Considera que esta nova forma de fazer corridas virtuais é um bom método para os tempos actuais de pandemia?

Com certeza que sim. Na impossibilidade de haver provas como as conhecíamos até haver a pandemia, surgiu não sei bem onde este formato de corridas virtuais que foi replicado por várias organizações pelo país e pelo mundo e acho que tem sido uma boa forma de contornar o problema. Eu de início nem achava piada mas a verdade é que me fui habituando e é uma óptima alternativa para os desportistas se manterem activos. Não é a mesma coisa que uma prova normal mas é muito positivo e bem pensado.

Apesar de ser natural do Cartaxo, representa o clube Scalabis Night Race. O que a fez enveredar pelo clube escalabitano?

Na realidade o SNR Triatlo surgiu depois de a secção de Triatlo do Ateneu Artístico Cartaxense ter acabado. Era este o clube que representava anteriormente mas visto que surgiu o SNR Triatlo, até com muitas pessoas do Ateneu, não fazia sentido eu não fazer parte também. Continua a ser uma ligação ao meu Ribatejo e de certa forma, à minha terra.

Que objectivos tem para a sua carreira desportiva?

Eu nunca tive uma carreira desportiva verdadeira, apesar de ter tido um ou outro resultado de destaque. Apenas ia conciliando com os estudos e mais tarde com actividade profissional e familiar. E é assim que gostava que continuasse: ter uma vida “normal” mas com espaço para ir superando desafios desportivos. De há uns anos para cá também corro a distância da maratona (42,195 km) celebrizada pelos nossos atletas Carlos Lopes e Rosa Mota. Inscrevi-me em seis e terminei as seis (Porto 2015; Valência 2016; Roterdão 2017; San Sebastian 2017; Valência 2018 e novamente Valência em 2019 também). Gostava de conseguir um tempo próximo das 3h00 na distância da maratona (o meu record é 3h12.06). A nível internacional há um circuito de seis maratonas que são muito prestigiadas, são mesmo chamadas de 6 ‘Majors’. Gostava de um dia, com os anos, cumprir essas seis. São a de Nova Iorque, Boston (a mais antiga da era moderna); Chicago, Berlim, Londres e Tóquio.

A nível de triatlo, e por incrível que pareça, apesar de praticar a modalidade há 20 anos, nunca me aventurei nas distâncias longas como Ironman (3,8km natação+ 180 km ciclismo+ maratona a correr) ou meio Ironman (1,9km natação + 90 km ciclismo + 21 km a correr) por falta de tempo. Talvez um dia fazer pelo menos um meio Ironman passe pelos meus objectivos!

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