A Casa dos Beirões do Ribatejo, uma associação no concelho de Santarém, está a construir um complexo social com um lar, centro de dia e serviços de apoio domiciliário para colmatar “a falta de camas” na região.

“Há uma falta de infraestruturas sociais no país. Em Santarém, posso dizer que há 43 entidades clandestinas e faltam cerca de 600 camas só no concelho de Santarém. A maior parte são moradias adaptadas”, afirmou Dionísio Abreu de Campos, presidente da instituição.

O investimento, de 2,1 milhões de euros, é assegurado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

As obras decorrem numa área de 2.100 metros quadrados, cedida pela Câmara Municipal, e deverão estar concluídas até 2026.

A associação enfrentou algumas dificuldades para obter financiamento, devido a relatórios iniciais que apontavam para a inexistência de carências de infraestruturas sociais na região.

“O dinheiro destinado à vertente social do país não chega para todos os projetos, e, na altura, disseram-nos que na nossa região não havia falta de infraestruturas, quando, na verdade, a Câmara fez um estudo, que indica que faltam cerca de 600 camas na região. Houve uma certa dificuldade para conseguirmos ultrapassar essa situação”, contou.

Segundo Dionísio Campos, o projeto surgiu da constatação de que muitos associados, a maioria com mais de 70 anos, enfrentavam dificuldades crescentes devido à falta de infraestruturas sociais no concelho e às dificuldades da própria idade.

“Tendo em conta que a maior parte dos nossos associados, talvez 80%, têm mais de 70 anos, começámos a observar algumas dificuldades nestas pessoas. Existem também algumas necessidades, sobretudo ao nível das infraestruturas. Há uns anos pensámos neste projeto, a Câmara cedeu-nos um terreno e lançámos a candidatura”, acrescentou.

O complexo, que ficará situado localidade do Graínho, na urbanização do Casal do Pereiro, terá capacidade para 40 utentes e terá também um posto médico e uma sala de fisioterapia.

O presidente destacou ainda que será dada prioridade aos associados com baixos rendimentos.

“Para este lar vamos dar preferência aos associados, e àqueles que têm mais dificuldades. O rendimento dessas pessoas é baixo e não têm capacidade para pagar as instalações. Temos um protocolo social para estas pessoas que não têm capacidade para pagar”, concluiu.

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