A guerra no Médio Oriente bateu-nos verdadeiramente à porta, esta semana.
Sem drones nem mísseis, felizmente, mas traduzida no aumento brutal dos combustíveis, em especial do gasóleo, e ainda a “procissão” vai no adro, já que o verdadeiro impacto económico é, para já, difícil de prever, dependendo da duração do conflito.
No passado fim-de-semana, filas intermináveis de automobilistas encheram os depósitos das viaturas e os bidões que traziam nas malas porque se anunciavam aumentos de 25 cêntimos por litro no gasóleo e sete na gasolina. Contudo, cada marca e posto de combustível pode fazer o que entender, uma vez que a política de preço dos combustíveis é livre em Portugal.
Daí se tornar urgente uma intervenção do Estado português para aliviar a carga fiscal que pesa enormemente sobre os combustíveis e cujo aumento provoca uma escalada de outros aumentos, noutros bens essenciais.
Para além do gasóleo, o preço do gás disparou também, o que trará dificuldades acrescidas a muitas famílias, impossibilitadas de pagar essa exorbitância. Se juntarmos a esses o preço da electricidade e das comunicações, percebemos que só este sector significa uma enorme fatia nos reduzidos orçamentos familiares, já a braços com escandalosas rendas de casa.
O dinheiro das famílias não chega para tudo, não é como o dos cofres do Estado que transbordam com as receitas do IVA sempre que os preços sobem e se tornam incomportáveis para muitos de nós.
O anunciado desconto extraordinário no ISP (Imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos) acaba por ser ridículo face aos níveis dos aumentos, quando se prevêem subidas de 25 cêntimos no gasóleo e de sete no litro de gasolina. Há quem lhe chame “actualização”, eu chamo roubo, mesmo. Até porque, ainda antes de os Estados Unidos e Israel lançarem, a 28 de Fevereiro, o ataque militar contra o Irão, já havia subidas, embora faseadas, do preço dos combustíveis que originaram, a favor do Estado, uma receita adicional de IVA.
Assim, seria de bom tom que o Governo abdicasse de alguma base orçamental para não aumentar ainda mais a pressão sobre a economia em geral. Até porque, na passada semana, a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, garantia que a Europa não dependia do petróleo do Golfo e não tinha motivos para “pânico”, (palavras dela) apesar da tensão que se vive no Estreito de Ormuz (por onde tem de passar cerca de 30 por cento do diesel que a União Europeia consome) e a consequente falta de segurança das rotas marítimas no Médio Oriente e em particular naquele estreito que nos cinge as vidas, mas por onde continua a passar o IVA, sem dó nem piedade.
