O presidente da Câmara de Benavente está “espantado” com o “cenário hilariante” da decisão e, a seguir, revogação do despacho sobre a nova solução aeroportuária da região de Lisboa a implantar no seu concelho.

Carlos Coutinho (CDU) considerou “hilariante” mais este novo episódio do “famigerado aeroporto que anda há tantas décadas a ser discutido”.

O autarca realçou ainda o facto de, em 2009, a designação do Campo de Tiro onde hipoteticamente se poderá vir a situar o novo aeroporto ter sido alterada, já que o terreno em causa se situa maioritariamente na freguesia de Samora Correia, no concelho de Benavente.

O primeiro-ministro António Costa decidiu ontem determinar ao Ministério das Infra-estruturas e da Habitação a revogação do despacho que aponta os concelhos do Montijo e Alcochete como localizações para a nova solução aeroportuária da região de Lisboa, desautorizando o ministro das Infra-estruturas, Pedro Nuno Santos, que na quarta-feira apresentou esta proposta.

A solução apontada passa por avançar com o projecto de um novo aeroporto no Montijo complementar ao Aeroporto Humberto Delgado, para estar operacional no final de 2026, sendo os dois para encerrar quando o aeroporto no Campo de Tiro Alcochete estiver concluído, previsivelmente em 2035.

“Estivemos desde 2008 nesta indecisão”, afirmou o autarca, lembrando que “já passaram 14 anos” desde a primeira decisão de construção do aeroporto no Campo de Tiro da Força Aérea, mais que os 13 agora apontados.

“Estamos sistematicamente a adiar as decisões em nome de interesses que não sabemos quais são, ou calculamos, e pondo de lado o que são os interesses do país, chegando a uma situação, que estamos a viver, de pré ruptura do aeroporto e com decisões a serem depois tomadas em cima do joelho”, declarou.

“Só faltava mais esta situação”, acrescentou.

Carlos Coutinho afirmou que a decisão, além do impacto no processo de desenvolvimento do município, deve servir “verdadeiramente os interesses do país” no sentido de “ter uma infra-estrutura aeroportuária que possa resolver aquilo que são as necessidades presentes e futuras”.

Enquadrando a decisão anunciada por Pedro Nuno Santos num contexto em que os dados apontam para que se atinjam em breve os níveis de tráfego que antecederam a crise pandémica e para um crescimento significativo, o autarca afirmou não poder deixar de ficar “espantado” por, “do ponto de vista político, a situação não estar devidamente tratada ao nível do Governo”.

“Percebemos a necessidade de consensualizar posições, agora não entendemos como é possível estarmos tanto tempo para tomar as boas decisões em prol do país, ainda mais agora com este cenário de, um dia para o outro, o que parece ser verdade deixa de o ser”, afirmou.

O autarca disse não ter qualquer dúvida de que a localização do aeroporto “deverá ser esta, de Benavente, no Campo de Tiro”, e que “qualquer outra intervenção será sempre transitória e não definitiva”.

“Lamentamos todo este acontecimento. Dá uma imagem extremamente negativa da nossa classe política, que é incapaz de atinar posições em questões tão estratégicas como esta”, disse.

Carlos Coutinho salientou, ainda, que, se a decisão, como espera, for construir o aeroporto em Benavente, não abdicará da exigência de que “seja respeitada a decisão inicial”, mantendo-se a localização das pistas apontadas no estudo realizado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e não a que apareceu depois, “sem se perceber porquê”, na Avaliação de Impacto Ambiental, avançando na direcção da freguesia de Santo Estêvão, “criando aí alguns impactos negativos”.

“Não deixaremos de, em nome dos interesses da população, ter uma voz ativa, de reclamar que as pistas possam ser recolocadas no que foi a decisão inicial”, acrescentou.

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