“Não somos ingratos, mas, claramente, que não estamos satisfeitos com o projecto apresentado pelas Infraestruturas de Portugal (IP) para a requalificação da EN 362”, via que liga Santarém ao norte do concelho.

Foi desta forma que Ricardo Gonçalves, presidente da Câmara de Santarém, respondeu à interpelação do vereador socialista, José Augusto, na reunião do executivo desta segunda-feira, na qual questionou: “como é possível o município aceitar uma situação daquelas?”, referindo-se, em concreto, ao troço da via antes da localidade de Aldeia da Ribeira.

Para o vereador socialista, a Câmara deveria ter tido uma posição mais pró-activa na definição do projecto, não aceitando que a obra avançasse como um mero paliativo.

O presidente da autarquia voltou a frisar que reuniu por diversas vezes com responsáveis da IP, aos quais disse que o município está disponível para ser parceiro nas obras de requalificação da EN 362.

“Há um diferencial de 800 mil euros entre o preço base (3,3M) e a adjudicação (2,5M). Se esse valor nos for entregue por via de protocolo, colocamos um valor igual (800 Mil euros) para corrigir algumas curvas e pontes” disse.

O autarca reforçou a ideia que o projecto, “foi pouco ambicioso ao não corrigir o traçado”, como era expectativa da câmara e das freguesias do norte do concelho.

“Quero acreditar que daqui a 2 ou 3 anos vamos estar todos com uma nova Alcanede, com novas centralidades, e com níveis de desenvolvimento, ainda mais, acentuados que tragam também mão de obra para fazer face às necessidades do tecido empresarial”, referiu.

O Concurso Público da empreitada foi lançado e publicado em Diário da República no passado dia 24 de Outubro, mas só agora é que a autarquia ficou a conhecer em detalhe o alcance das obras previstas num troço com cerca de 20,7 quilómetros, situado entre a localidade de Alcanede e o cruzamento com a EN3, nas proximidades de Santarém.

A empreitada contempla intervenções de pavimentação integral do troço, de reforço e adequação dos equipamentos de sinalização e segurança, de construção de passeios na zona urbana de Alcanede e de melhoria dos sistemas de drenagem da via, mas deixa de fora a ambicionada correcção do traçado.

“Esta estrada, apesar de ser o principal e estratégico eixo que liga Alcanede, Gançaria, a Serra dos Candeeiros e o concelho de Porto de Mós com Santarém, ligando ainda a norte ao IC9 e a sul à A1 e sequencialmente à A15, A23 EN 3 e A13, apresenta imensas curvas, tem um pavimento degradado e estreito”, apontou o autarca que gostaria de ter visto no projecto a correcção destes problemas.

Sublinhando que por esta via “transitam diariamente centenas de veículos pesados”, Ricardo Gonçalves referiu existirem “impactos directos na segurança, na qualidade de vida das pessoas e também na eficiência das empresas”.

“Lamento que nenhuma das nossas propostas tenha sido considerada”, afirmou, acusando o Governo e a IP de “não olhar como deveria” para esta estrada, que “assume um papel estruturante na deslocação de pessoas e no escoamento de mercadorias, em particular das empresas situadas nas freguesias de Abrã, Alcanede e Gançaria, com importante valor económico para o concelho e fortemente exportadoras”.

“Trata-se de empresas que facturam mais de 500 ME por ano”, continuou considerando que a política de investimentos públicos “deve estar virada para o que traz retorno para o País”.

Anualmente, afirmou o autarca, 15 mil camiões saem das pedreiras da região com pedra que é exportada, “em 80% a 90% para vários pontos do mundo”, além da existência de importantes indústrias de curtumes, agro-alimentar, mobiliário, metalomecânica e equipamentos de frio, entre outras.

FM

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