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O papel das barragens na prevenção de cheias dividiu especialistas num webinar promovido pelo movimento proTEJO, com posições antagónicas entre defensores de novas infraestruturas e ambientalistas, que alertaram para impactos ecológicos e eficácia limitada destas soluções.

A sessão, realizada na noite de quarta-feira e que contou com cerca de 70 participantes e mais de 150 inscritos de associações ambientalistas e movimentos de cidadania de todo o país, juntou o professor da Universidade NOVA de Lisboa e membro do GEOTA, João Joanaz de Melo, e o engenheiro agrónomo da Associação +Tejo, Jorge Froes, numa sessão moderada por Paulo Silva, do movimento #MovRioDouro.

Em declarações à Lusa, o porta-voz do movimento proTEJO, Paulo Constantino, destacou que o debate foi “vivo e participado” e permitiu expor “duas perspetivas antagónicas” sobre a gestão da água e o papel das barragens.

Segundo o responsável, uma das conclusões apontadas no debate foi que a construção de novas barragens para controlo de cheias pode ter eficácia reduzida, dando como exemplo a barragem de Girabolhos, cuja capacidade de retenção “seria rapidamente esgotada” em cenários de precipitação intensa.

Além disso, foram discutidas questões como a segurança das infraestruturas, o ordenamento do território – nomeadamente a construção em leitos de cheia – e o contributo das barragens para a produção hidroelétrica, considerado “residual” face aos custos, sendo mais eficiente otimizar as estruturas existentes.

O debate ficou também marcado pela divergência em torno do chamado Projeto Tejo, que prevê a construção de vários açudes para tornar o rio navegável, reforçar o regadio e regular caudais.

Enquanto Jorge Froes defendeu o projeto como uma solução para a gestão da água, essa visão foi contestada pelo proTEJO e por João Joanaz de Melo, que apontam mais impactos negativos do que benefícios.

Entre as principais críticas estão os efeitos na conectividade fluvial, na biodiversidade e no transporte de sedimentos, com consequências como o agravamento da erosão costeira.

“Há quem defenda aumentar a rentabilidade da agricultura intensiva com base no regadio e quem defenda a proteção dos valores ecológicos como condição para a sustentabilidade a longo prazo”, resumiu Paulo Constantino.

O responsável sublinhou ainda que as barragens “não geram água”, defendendo antes soluções baseadas na recuperação dos ecossistemas, como o reforço da floresta autóctone e da vegetação ripícola, para melhorar a retenção de água no solo e a regularidade da pluviosidade.

Apesar das divergências, o debate evidenciou a necessidade de encontrar equilíbrios entre desenvolvimento económico e proteção ambiental, bem como de definir uma estratégia de transição para modelos mais sustentáveis na gestão da água, agricultura e território.

O webinar marcou o arranque de um novo ciclo de debates promovido pelo proTEJO, em parceria com o #MovRioDouro e a Plataforma Água Sustentável, no seguimento de encontros de cidadania realizados em Coimbra, em 2024, e em Constância, em 2025, onde foram definidas prioridades como a defesa dos caudais ecológicos e a oposição a novas barragens.

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