Quase 400 alunos do 5.º ao 12.º ano do concelho de Benavente estão a participar, neste ano letivo, num projeto de aulas práticas de culinária para combater a obesidade infantil e promover hábitos alimentares saudáveis.

O projeto “Mobile Kitchen Lab” resulta de uma iniciativa da Câmara Municipal de Benavente e do agrupamento de escolas local, em parceria com o Fundo Ambiental, e pretende ensinar competências culinárias aos alunos em ambiente escolar, durante o horário letivo.

“A ideia surgiu com o projeto R23, iniciado em 2023 para aumentar a adesão aos refeitórios escolares. Nos workshops percebemos que os alunos estavam muito interessados em cozinhar e em saber mais sobre alimentação saudável”, explicou à Lusa Rute Espanhol, nutricionista da Câmara de Benavente.

Segundo a responsável, o concelho enfrenta uma “elevada prevalência de obesidade infantil”, problema que motivou a criação de uma resposta educativa prática baseada na culinária e integrando várias disciplinas, como Cidadania, Matemática e Ciência.

“Não tivemos um único aluno contrariado. Todos participaram com entusiasmo e pedem sempre pela próxima aula”, afirmou, sublinhando que o projeto “não substitui a teoria, mas vem colmatar a falta de prática”.

As sessões são conduzidas por duas nutricionistas, que preparam os guiões e orientam as turmas na confeção das receitas. As aulas começam com uma breve introdução teórica e seguem para a preparação de pratos, desde sopas a receitas mais elaboradas, como lasanha de frango e espinafres.

“Começamos com técnicas básicas, como descascar, picar, fazer um refogado, e vamos aumentando o grau de dificuldade”, referiu Rute Espanhol.

Além da literacia alimentar, a experiência tem revelado benefícios noutras áreas.

“Notámos um grande desenvolvimento na autonomia, no trabalho em equipa, na cooperação”, relata a nutricionista, acrescentando que alguns alunos com dificuldades em contexto de sala de aula mostram-se mais empenhados neste ambiente prático.

O equipamento utilizado é uma cozinha móvel, composta por cinco bancadas com fogões, fornos e lava-loiças. As aulas decorrem nos refeitórios escolares, fora do horário das refeições.

Segundo a responsável, o projeto tem recebido feedback positivo de professores e encarregados de educação.

“Conseguimos trazer os pais à escola para verem os filhos a cozinhar. Muitos dizem que é a primeira vez que veem os filhos com estas competências”, afirmou, sublinhando que a iniciativa procura também contrariar a resistência de alguns pais em deixar os filhos cozinhar, por receio de acidentes.

“Estes jantares são uma forma de mostrar que eles já sabem cozinhar com segurança”, acrescentou.

O projeto tem também um cariz de investigação. Para avaliar o seu impacto, está a ser feita uma comparação entre os agrupamentos de Benavente e de Samora Correia, com o objetivo de produzir evidência científica sobre os efeitos na adesão ao padrão alimentar mediterrânico e na redução da obesidade infantil, e apresentar os resultados ao Ministério da Educação.

A nutricionista acredita que o modelo pode ser replicado noutros municípios.

“É uma proposta que responde a uma recomendação da Direção-Geral da Saúde: levar a educação alimentar prática às escolas”, defendeu, referindo que a experiência de Benavente pode abrir caminho para uma nova abordagem à alimentação saudável em contexto escolar.

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