A Câmara Municipal de Benavente está a retirar resíduos indevidamente depositados no estaleiro municipal da Coutada Velha, junto à Zona Industrial de Vale Tripeiro, após denúncias de munícipes sobre a possível presença de materiais proibidos.

Os alertas de cidadãos indicavam que estariam a ser depositados no local pneus, resíduos de amianto, sanitários, plásticos, metais e lamas, sugerindo tratar‑se de um “aterro municipal” e levantando dúvidas sobre a eventual responsabilidade da autarquia, no distrito de Santarém, caso ali fossem colocados resíduos proibidos.

Fonte oficial do município explicou hoje à Lusa que o local em causa “não é um aterro”, mas “um estaleiro municipal onde podem ser depositados temporariamente determinados tipos de resíduos”, conforme previsto na lei.

Segundo a mesma fonte, o espaço está autorizado a receber “entulhos de obras não licenciáveis e resíduos verdes”, materiais que são posteriormente triturados por uma empresa contratada pelo município.

Os resíduos verdes seguem para depósitos de biomassa e os inertes são reaproveitados para a manutenção de caminhos de terra batida.

No entanto, a mesma fonte adiantou que, quando o atual executivo tomou posse, encontrou no local “resíduos que não podiam estar ali, nem sequer de forma temporária”, incluindo eletrodomésticos, placas e outros materiais deixados “por particulares que aproveitam o facto de o estaleiro não ter vigilância permanente”.

“A Câmara já tem uma máquina no terreno e está a proceder à triagem e remoção daquilo que não pode permanecer no estaleiro”, afirmou, reforçando que esse volume irregular não resulta da atividade da autarquia, presidida pela social-democrata Sónia Ferreira, mas de particulares.

O tema foi igualmente discutido reunião pública de Câmara de segunda-feira, após uma intervenção do vereador Pedro Gameiro (PS), tendo a liderança municipal reiterado que está a regularizar a situação e a repor as condições legais do estaleiro.

O vice‑presidente da Câmara de Benavente, Paulo Abreu, afirmou na reunião que a existência de resíduos ilegais no estaleiro municipal “é preocupante” e que o município está empenhado “em resolver a situação”.

O autarca adiantou ainda que, há cerca de três semanas, começaram a ser retirados os resíduos que não podiam permanecer no estaleiro, operação dificultada pelas necessidades logísticas para o seu transporte para a unidade de tratamento de Salvaterra de Magos.

O responsável disse ainda que o município alugou uma máquina giratória para proceder ao nivelamento e rearranjo das terras, operação que ficou temporariamente atrasada devido às condições meteorológicas. A máquina, acrescentou, “está nesta semana no terreno a realizar esse trabalho”.

Paralelamente, a Câmara está a lançar um concurso, em parceria com as Juntas de Freguesia, para instalar novos contentores, criando assim um ponto adequado para outros resíduos.

Paulo Abreu reforçou também que o município recebe apenas “verdes e entulhos” em regime de depósito temporário, mas que estes têm obrigatoriamente de seguir para tratamento “em instalações competentes”.

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