A Biblioteca Municipal de Vila Nova da Barquinha regressou esta quinta-feira, 25 de junho, à Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (RNBP), sete anos após ter sido excluída, com a assinatura de um protocolo de adesão entre o município e a entidade gestora.
“Hoje uma biblioteca municipal regressa à casa comum das bibliotecas portuguesas”, afirmou o diretor-geral da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), Luís Santos, que destacou o regresso de Vila Nova da Barquinha à rede nacional, atualmente presente em 84% do território e que este ano celebra 40 anos.
A cerimónia, realizada hoje em Vila Nova da Barquinha, incluiu ainda a inauguração oficial da Biblioteca Municipal Carlos Matos Gomes, que passa a integrar a RNBP, recuperando o acesso a serviços como a plataforma BiblioLED, de empréstimo de livros digitais e audiolivros, o catálogo coletivo e programas de apoio e capacitação.
A reintegração põe termo a um diferendo iniciado em 2019 e que levou, em janeiro de 2025, os 11 municípios da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo a recusarem aderir à plataforma BiblioLED em protesto pela exclusão da biblioteca barquinhense, considerada pela CIM uma decisão “injusta” e “desproporcional”.
Segundo Luís Santos, a reintegração resulta de um processo de diálogo entre a DGLAB e o município, após terem sido corrigidas as situações que motivaram a exclusão.
“O município fez justamente aquilo que foram as nossas indicações, fez o investimento necessário e hoje temos aqui uma biblioteca que corresponde às necessidades do público barquinhense”, declarou à Lusa.
Questionado sobre os motivos da exclusão, o responsável afirmou que a biblioteca então existente “não disponibilizava à comunidade todos os serviços que uma biblioteca da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas deve disponibilizar”, apontando insuficiências na organização dos espaços e na oferta destinada ao público infantil.
Luís Santos admitiu que o processo foi marcado por divergências entre as partes, mas considerou que estas foram ultrapassadas através do diálogo.
“O dia de hoje é a assinatura de um protocolo de reintegração. Foi sinal de que todos percebemos qual era a nossa função e qual era o caminho”, declarou.
O diretor-geral adiantou ainda que a RNBP integra cerca de 500 bibliotecas e cobre atualmente 84% do território nacional, existindo ainda cinco concelhos sem qualquer serviço de biblioteca pública.
Segundo o responsável, estão em curso soluções apoiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), incluindo bibliotecas itinerantes, com o objetivo de assegurar cobertura total do território.
O presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha, Manuel Mourato, destacou o significado institucional do momento e agradeceu o apoio da CIM Médio Tejo e da DGLAB, defendendo que a integração permitirá ao concelho beneficiar de uma dimensão colaborativa até agora inacessível.
“O que importa aqui é que passamos a fazer parte de um mundo maior. A Barquinha deixa de estar sozinha para estar num universo onde estão centenas de bibliotecas”, declarou.
A cerimónia ficou igualmente marcada pela inauguração oficial da Biblioteca Municipal Carlos Matos Gomes, designação aprovada pelo município em setembro de 2025 para homenagear o militar de Abril, escritor e investigador natural do concelho, falecido este ano.
Na ocasião, a vereadora da Cultura, Paula Silva, afirmou que a atribuição do nome representa “um compromisso com a liberdade de pensamento” defendida pelo escritor ao longo da sua vida.
A filha do homenageado, Carla Matos Gomes, considerou tratar-se de um reconhecimento particularmente simbólico para a família.
“Sendo escritor, não consigo imaginar reconhecimento maior ao meu pai do que este. O seu nome ficará para sempre ligado a um lugar que lhe era tão querido como uma biblioteca”, afirmou.


