A cerimónia comemorativa do 150º aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Santarém realizou-se domingo, dia 05 de Dezembro, no quartel da corporação agora denominado Diamantino Duarte. A sessão foi presidida por Patrícia Gaspar, secretária de Estado da Administração Interna, e contou com a presença de Jaime Marta Soares, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, José Manuel Duarte da Costa, presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC), João Manuel Furtado, presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Santarém, presidente e vereadores da autarquia escalabitana, entre outros autarcas e entidades. Todos os intervenientes deram os parabéns a esta Associação Humanitária, a segunda Associação mais antiga do país. Ricardo Gonçalves destacou a importância que estas mulheres e homens têm na luta para salvar pessoas e bens, reforçando a importância de se continuar a investir nesta e noutras corporações de bombeiros no concelho. Na sua intervenção, o presidente da direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Santarém, Diamantino Duarte, garantiu que não vai desistir da luta pela criação de um Posto do INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica) na sua corporação, falando em “falta de respeito” da entidade para com as mulheres e homens que prestam diariamente este serviço neste Corpo de Bombeiros de Santarém.

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Santarém (BVS) realizou no passado domingo, dia 05 de Dezembro, a sessão solene comemorativa dos 150 anos de existência. A cerimónia decorreu no quartel da corporação que recebeu o nome de Diamantino Duarte, presidente da associação há mais de duas décadas e que não escondeu a emoção com a distinção conferida pelos sócios.

A secretária de Estado da Administração Interna, Patrícia Gaspar, presidiu à cerimónia e deixou uma palavra de incentivo e agradecimento à direcção dos BVS e aos bombeiros voluntários pela dedicação, entrega e socorro prestado ao serviço da região.

Na sua intervenção, a governante destacou o papel do sistema de Protecção Civil no combate à pandemia Covid-19, sendo que as corporações de Bombeiros Voluntários são essenciais.

“Eu nunca tive dúvidas. Mas, se alguém as tinha no passado, julgo que este ano e meio veio clarificar para todos a importância que o sistema de Protecção Civil tem no nosso País. Foi, no âmbito desta terrível pandemia que a todos apanhou de surpresa e que era impossível de antecipar ou prever, a primeira vez na história recente da Protecção Civil que todo o sistema foi efectivamente activado, em prol dos portugueses e numa dimensão absolutamente crítica”, lembrou Patrícia Gaspar sobre um trabalho conjunto que envolveu “o patamar local, o patamar distrital e o patamar nacional”.

A secretária de Estado da Administração Interna defendeu ainda que “o sistema de Protecção Civil em concreto tem funcionado”, num trabalho no qual “todos os agentes de Protecção Civil tiveram uma palavra a dizer: os bombeiros, as Forças Armadas, a Guarda Nacional Republicana, os municípios”.

Na sua intervenção, a secretária de Estado alertou ainda para a “maior frequência e intensidade” de “eventos extremos” relacionados com as alterações climáticas.

Neste capítulo, disse, a “prevenção é essencial”, mas também um sistema de socorro próximo das populações, dando o exemplo dos Bombeiros Voluntários de Santarém.

Patrícia Gaspar lembrou que 2021 “foi um ano difícil” para a Europa, com “inundações trágicas de grande dimensão na Alemanha, na Bélgica e nos Países Baixos”, com “incêndios rurais de grande dimensão na Grécia, na Turquia e na Itália” e ainda com “actividade vulcânica de grande dimensão, quer em Itália, quer em Espanha, nas ilhas Canárias”.

“As alterações climáticas são o maior desafio do mundo e aumentam o risco de fenómenos de grande dimensão, e de fenómenos extremos”, pelo que é necessário um sistema de Protecção Civil capacitado para dar resposta a estes desafios.

Jaime Marta Soares, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, também presente nesta cerimónia, concorda com Patrícia Gaspar, mas reclama um investimento maior nas corporações de bombeiros que, segundo afirmou “continuam a ser o ‘parente pobre’ do sistema”.

“Os Bombeiros Voluntários são um exército barato ao dispor do País”, disse, lembrando que os bombeiros dão resposta “a 98% do socorro em Portugal, nos incêndios florestais a 95% e mesmo nos transportes urgentes são responsáveis por 85% daquilo que faz o INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica)”.

“Os bombeiros portugueses não querem ganhar dinheiro à custa de serviços que prestam, querem é ser úteis à sociedade que os viu crescer e que os criou. Os bombeiros portugueses são, na sua maioria esmagadora, uma emanação directa das populações. Nascem delas, convivem com elas e morrem por elas. Os Governos e o Estado em si, ao longo do tempo, têm gozado, desrespeitado e ofendido este grande exército de mulheres e homens, em que a grande maioria continua a fazer o voluntariado”, argumentou.

“O Estado tem a obrigação de salvaguardar as vidas das suas populações, tem de criar condições de qualidade de vida aos cidadãos, na saúde, na justiça, na educação, também na economia e também na protecção civil. Os bombeiros são a grande força da protecção civil”, concluiu.

Para o presidente da Câmara de Santarém, Ricardo Gonçalves, o facto de o concelho poder contar com uma Associação Humanitária com um historial de 150 anos é “motivo de orgulho”.

O autarca, que tutela o pelouro da Protecção Civil disse que esta corporação “é essencial” para o concelho, prometendo continuar a apoiar a associação no seu trabalho de socorro à população.

“Homens e mulheres com garra e força inesgotável”

Rui Carvalho, comandante da corporação, não tem dúvidas que os “Bombeiros Voluntários são a Espinha Dorsal da Protecção Civil em Portugal”.

“Somos voluntários, mas com responsabilidade acrescida na área da Protecção e Socorro”, disse, afirmando que actualmente, o problema do socorro em Portugal, não está nos Bombeiros, nem na ANEPC.

“O problema do socorro está na entidade INEM, que nos esgota os meios e recursos e nunca reconhece o nosso trabalho”, afirmou o comandante dos BVS, reconhecendo o “grande avanço” em termos de Protecção Civil que aconteceu em Santarém, nos últimos quatro anos, situação que levou a corporação a dar um passo importante na implementação das seis Equipas de Primeira Intervenção, já ao serviço dos corpos de bombeiros voluntários do concelho de Santarém.

“O CBV Santarém pretende continuar a ser um parceiro activo, na protecção Civil de Santarém. Temos todos a responsabilidade de continuar o trabalho, que alguém implementou e que começou a dar frutos pela primeira vez em Santarém e no concelho”, disse ainda Rui Carvalho que, dirigindo-se aos homens e mulheres da corporação declarou: “é com muito orgulho que sou o vosso responsável operacional, acreditem que não é fácil, para mim, estar hoje deste lado, sabendo que desse lado é que se transpira bombeiros. Tenho consciência dos nossos objectivos e que até esta data os temos cumprido na integra, com muita responsabilidade e profissionalismo. Em 2021 fomos o Corpo de Bombeiros do Distrito de Santarém que mais veículos, homens e mulheres teve, afectos ao dispositivo de combate a incêndios rurais. Foram 153 dias consecutivos ao serviço de Portugal”, lembrou.

“Quando se fala que os voluntários deviam ser todos profissionais, eu diria o contrário, os profissionais deviam ser cada vez mais voluntários. Estou ao serviço deste corpo de bombeiros desde 1984 e como qualquer outro bombeiro, a minha carreira teve momentos bons e momentos menos bons, no entanto hoje sinto-me realizado e feliz, por ter um corpo activo sólido, constituído por pessoas magníficas, seres humanos de uma elevada capacidade operacional, humildes e que só os mais distraídos, não o conseguem ver, ou então não o querem admitir”, afirmou, concluindo: “somos um corpo de bombeiros com 150 anos, mas moderno, eficaz e cumprimos na íntegra todos os pedidos de ajuda que nos chegam através das diversas entidades ou por particulares. Os bombeiros em Portugal vão continuar a ser o exército mais barato do País enquanto existir homens e mulheres com esta garra e esta força inesgotável”.

“Altruísmo e dedicação”

Lembrando que a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Santarém é a segunda Associação Humanitária de Bombeiros mais antiga do país, Diamantino Duarte, presidente da associação, recordou, na sua intervenção o percurso de 150 anos: “um trajecto que que nunca foi fácil, posto que neste lapso temporal o país e o mundo atravessaram muitos períodos complexos e difíceis, reclamando, sempre, a pronta e competente resposta das instituições de protecção e socorro”.

“Honra-nos o empenho e disponibilidade das Mulheres e Homens que ao longo destes tempos se devotaram tão generosamente à nobre missão de salvar e proteger pessoas e bens, num compromisso solidário e abnegado a favor de quem em alguma circunstância menos feliz da sua existência necessitou do seu apoio, amparo e ou ajuda”, afirmou, elogiando a “prontidão e empenho dos soldados da paz, que ao longo destes 150 anos, salvaram muitos bens e vidas, assim como minoraram o grave impacto de muitas das catástrofes na vida dos nossos concidadãos, nomeadamente no combate a incêndios, na protecção às vítimas das inundações, que antigamente eram tão devastadoras no nosso Ribatejo, ao socorro em acidentes de viação ou de outra natureza, assim como no transporte de doentes aos Hospitais”.

“Folheando os anais da história desta Associação temos, que obrigatoriamente, render homenagem a todos – Bombeiros e Dirigentes da Associação Humanitária – que de uma forma tão dedicada e altruísta, roubaram tanto tempo aos seus afazeres profissionais ou ao seu merecido descanso para bem fazer sem olhar a quem, lema que constitui um imperativo de consciência aos que abraçaram e abraçam convictamente a missão de servir e proteger os bens da comunidade que tem à sua responsabilidade”, continuou.

“Foram 150 anos vividos de forma intensa, umas vezes com mais dificuldades outras com menos dificuldades, mas sempre com a certeza de que a missão de todos os que servem nesta casa é, todos os dias, honrar a divisa dos bombeiros portugueses, Vida por Vida”, disse ainda Diamantino Duarte, assegurando que a corporação hoje, como ao longo destes 150 anos, continua “a lutar pelos mesmo ideais e a servir a população do concelho”.

Na sua intervenção Diamantino Duarte lamentou, também, o facto de as Associações Humanitárias de Bombeiros continuarem a ser “o parente pobre dos poderes políticos, pois continuam a não receber dos mesmos os apoios necessários para poderem exercer as suas funções no socorro às populações com os meios que hoje uma sociedade moderna deve ter à sua disposição”.

“É certo que os últimos governos e autarquias tem vindo a melhorar esse apoio, como têm vindo a acontecer com a atribuição de novas equipas permanentes que como no caso de Santarém já é possível dispor de duas equipas de intervenção permanente, o que veio aumentar de uma forma importante os meios humanos disponíveis. Mas se esse foi um passo importante nunca nos podemos esquecer que para que estas mulheres e homens possam executar o seu importante trabalho é necessário que os mesmos tenham à sua disposição os meios materiais necessários para o executarem”, afirmou o dirigente.

“No que ao nosso Corpo de Bombeiros diz respeito e olhando para todo o percurso já percorrido podemos dizer que sempre que a responsabilidade da aquisição desses meios era da responsabilidade da Associação, tal compromisso sempre foi assumido, quer adquirindo os meios móveis necessários, equipamento de combate a incêndio ou de socorro na doença, quer através da construção dos imóveis necessários para um bom funcionamento dos serviços, como foi o caso deste quartel/sede construído única e exclusivamente com os capitais próprios da Associação como todos sabem”, assegurou.

Mas este esforço, diz Diamantino Duarte, não tem tido eco nos poderes públicos: “o mesmo não acontece quando esse esforço deve ser comparticipado ou suportado pelas entidades públicas, como é o caso do INEM que apesar das reuniões já realizadas, dos ofícios já enviados e/ou da demonstração dos serviços realizados, continua obstinadamente a não cumprir com as promessas feitas ao não atribuir a este Corpo de Bombeiros um Posto de Emergência Médica, que tanta falta faz para uma correcta e rápida resposta à emergência médica no concelho de Santarém”.

Contudo, e apesar desta “falta de respeito do INEM” para com as mulheres e homens que prestam diariamente este serviço no Corpo de Bombeiros da AHBV Santarém, “vamos continuar dia a pós dia a lutar pela atribuição deste posto, mas também a garantir que iremos continuar, todos os dias, a realizar esse mesmo socorro às nossas populações mesmo que isso continue a representar a necessidade, da Associação ter de recorrer a financiamento bancário para fazer face aos encargos com o mesmo”, assegurou Diamantino Duarte.

O responsável terminou a sua intervenção prestando homenagem a todos aqueles, “dirigentes e bombeiros, que ao longo destes 150 anos tudo deram em prol da mesma”.

“Sem a dedicação de todos, desde o Comandante ao mais novo Cadete, nunca seria possível a existência desta casa. Nunca seria possível a excelência do serviço que realizamos no socorro às nossas populações, um serviço que todos os dias é realizado com um profissionalismo, amor e dedicação, que nos enche de um orgulho enorme. Obrigada, obrigada a todos e as minhas desculpas por nem sempre ser capaz de vos dar todas as condições que vocês merecem para o desempenho do vosso abnegado trabalho”, concluiu.

Além dos diversos discursos, foram entregues as seguintes condecorações: Medalha de Mérito de Protecção e Socorro Grau Ouro distinto Azul, atribuída pelo governo português ao Corpo de Bombeiros; Colar de Mérito da Liga dos Bombeiros Portugueses ao Corpo de Bombeiros; Crachás de ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses a elementos do Corpo de Bombeiros; Medalha de Serviços Distintos grau ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses ao presidente da mesa da assembleia geral, Hermínio Martinho, e ao secretário da direcção, Ludgero Mendes.

Quartel ganha o nome de Diamantino Duarte

Nesta cerimónia, foi descerrada uma placa que dá o nome de Diamantino Duarte ao quartel-sede da corporação. Diamantino Duarte faz parte dos órgãos sociais da AHBVS desde 1994, sendo presidente da direcção desde 1997 (24 anos).

Recorde-se que por despacho do Ministro da Administração Interna de 15 de Setembro, com publicação em Diário da república de 22 do mesmo mês, a AHBVS foi agraciada com a Medalha de Mérito de Protecção e Socorro, no grau ouro e distintivo azul.

“Por ocasião da celebração do 150.º aniversário da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Santarém e reconhecendo o exemplar percurso da sua existência ao serviço da comunidade e da protecção e socorro de populações com uma actuação sempre caracterizada pelo heroísmo, pela abnegação e pela solidariedade para com o próximo, concedo à Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Santarém, nos termos do disposto no n.º 1 do artigo 4.º do Regulamento de Concessão da Medalha de Mérito de Protecção e Socorro, aprovado pela Portaria n.º 980-A/2006, de 14 de Junho, a Medalha de Mérito de Protecção e Socorro, no grau ouro e distintivo azul”, pode ler-se na justificação da atribuição.

A Medalha de Mérito de Protecção e Socorro foi criada em 2006 pela Portaria 980-A do Ministro da Administração Interna. É concedida para distinguir pessoas singulares ou colectivas, nacionais ou estrangeiras, que se destaquem pelas suas actuações na área da protecção e socorro, a nível preventivo e operacional, protegendo e defendendo pessoas e bens em caso de acidente grave, catástrofe ou calamidade, mediante a realização de actos singulares ou colectivos.

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