A Câmara de Alcanena reagiu à notícia de enterramentos de resíduos por uma empresa de curtumes do seu concelho sublinhando que pugna pela punição de “todos os responsáveis por más práticas”.

“A Câmara Municipal de Alcanena, em articulação com todas as entidades, está determinada a trabalhar e a colaborar para que as Boas Práticas Ambientais sejam uma realidade e que todos os responsáveis por más práticas sejam punidos. Tem sido esse o nosso desígnio”, afirmou a presidente do município, Fernanda Asseiceira (PS), numa resposta escrita à Lusa.

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) divulgou hoje o resultado de uma operação realizada juntamente com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), o Instituto da Soldadura e Qualidade e a Câmara Municipal de Alcanena, em cumprimento de um mandado de busca e de apreensão não domiciliário, numa indústria de curtumes localizada no concelho de Alcanena, na sequência de uma investigação por crime de poluição.

No decurso da operação, realizada por “suspeita da prática de deposição de resíduos de curtumes, foram realizadas várias escavações no solo, com recurso a uma retroescavadora, onde foi possível comprovar a existência, em dois terrenos adjacentes à indústria, de indícios de enterro de raspas azuis e verdes, bem como lamas provenientes das lagoas existentes, com eventual contaminação dos lençóis freáticos”, afirmou a ASAE em comunicado.

“Nestas diligências no solo, foi confirmada a deposição incontrolada de resíduos orgânicos (peles), lamas e, ainda, resíduos de construção e demolição (RCD). Com estas aberturas, a maioria das valas acabou por ficar submersa com água, que brotava do solo (aquíferos), com cheiro e coloração, indiciando uma eventual contaminação dos solos”, acrescenta.

Segundo a ASAE, foram efectuadas quatro colheitas de solo e duas de água “para a devida análise laboratorial e consequente elaboração do respectivo parecer, no âmbito do processo-crime em curso”.

A Associação Portuguesa dos Industriais de Curtumes (APIC) reagiu à notícia declarando repudiar “com toda a veemência” práticas poluidoras como as identificadas pela ASAE, pedindo que seja especificado se a deposição de resíduos detectada é recente ou se tem décadas.

Gonçalo Santos, secretário-geral da APIC, disse à Lusa que a prática de enterramento de resíduos como a descrita pela ASAE deixou de ser feita “há décadas” e que vê “com estupefacção” que possa ter ocorrido recentemente.

A ter acontecido, “as indústrias de curtumes unanimemente condenam de forma veemente práticas que não representam um sector que tem vindo a investir em medidas para acautelar a área ambiental e preza os valores da economia circular”, declarou.

Para Gonçalo Santos, se se comprovar que os enterramentos são recentes, a empresa em causa “tem de ser erradicada”, tal como deve acontecer em qualquer setor em que aconteça este tipo de prevaricação.

“Isto em nada representa a actividade actual do sector”, disse, referindo o cariz fortemente exportador de um sector que está agregado a cadeias de valor, nomeadamente do mercado de luxo, aeronáutico e automóvel, entre outros.

Leia também...

Risco de incêndio vai aumentar em vários pontos do país

Sete concelhos dos distritos de Faro, Portalegre e Santarém apresentam hoje risco muito elevado de incêndio, segundo o Instituto Português do Mar e da…

Bombeiros de Salvaterra alimentam cerca de 200 animais isolados pelas águas do Tejo

Os bombeiros de Salvaterra de Magos estão a assegurar a alimentação de cerca de 200 animais isolados em várias ilhas do rio Tejo devido…

Comunidades intermunicipais do Oeste e Vale do Tejo apresentam-se juntas em evento de captação de investimento no CCB

O presidente da Câmara de Santarém e da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT), João Teixeira Leite, participou esta quarta-feira, em Lisboa, no…

Francisca Laia é madrinha do AQUApaper de Abrantes que acontece a 23 de Junho

A atleta olímpica do Sporting Clube de Portugal, Francisca Laia aceitou ser a madrinha do AQUApaper de Abrantes, que se vai realizar no próximo…