O presidente da Câmara Municipal de Azambuja assegurou hoje que a autarquia não vai permitir a laboração do aterro do concelho “por muito mais tempo”, apesar de as autoridades terem renovado a licença ambiental da infraestrutura.

Em causa está o aterro situado no Centro de Tratamento de Resíduos Não Perigosos de Azambuja, no distrito de Lisboa, uma infraestrutura gerida pela empresa Triaza, pertencente à SUMA, consórcio liderado pela Mota Engil, e inaugurada em 2017.

Em declarações à agência Lusa, Luís de Sousa (PS) ressalvou que apesar da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT) e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) terem renovado a licença ambiental do aterro “isso não significa que ele vai continuar a laborar por muito mais tempo”.

“Esta autorização é uma autorização que é normal, só que é até eles [Triaza] terminarem aquilo que estão a fazer. Depois, a Câmara não autoriza a abertura de mais células e morre por ali”, sublinhou.

O autarca explicou que o acordo inicial com a Triaza previa a abertura de três células para a deposição de resíduos, só que, posteriormente, “face à contestação e à verificação de irregularidades”, o município viria a aprovar, por unanimidade, a caducidade do projeto e o “arquivamento oficioso” do processo que envolvia a abertura das células 2 e 3.

“Só por uma questão de tribunal. De resto, a Câmara não autoriza a abertura de mais célula nenhuma. Já foi dito isso à CCDR e à APA”, reiterou.

Luís de Sousa não conseguiu estimar quando é que a célula estará oficialmente completa, embora, no entendimento da autarquia, a cota altimétrica já tenha sido ultrapassada.

“Eles já estão a chegar cá a cima, ao topo. Nós dizemos que eles já estão a ultrapassar a altimetria daquilo, mas pronto. A questão já foi enviada aos nossos advogados”, referiu.

Segundo os dados fornecidos pela CCDR-LVT à Câmara de Azambuja, estão neste momento depositados em aterro 172.774,74 toneladas, sendo que a capacidade máxima da célula é de 201.868 toneladas.

Entretanto, a Câmara de Azambuja emitiu hoje um comunicado público sobre esta matéria para “tranquilizar a população” e “dar garantias” de que o aterro irá encerrar.

O aterro de Azambuja foi inaugurado em 2017 e representou um investimento de 1,8 milhões de euros, tendo desde o início da sua construção sido contestado pelos moradores e por partidos da oposição.

A este aterro, a céu aberto, chegam toneladas de resíduos provenientes de Itália, Reino Unido e Holanda, sendo frequentes as queixas por causa do mau cheiro e da existência de gaivotas que remexem no lixo.

Leia também...

Município de Torres Novas recolhe mais de 100 kg de pilhas usadas

No âmbito da campanha de recolha de pilhas, “Todos pelo IPO”, a que o Município de Torres Novas se associou, foram realizadas pelos serviços…

Autarcas do Médio Tejo pedem “responsabilidades políticas” pelas “contradições” sobre Central do Pego

Os autarcas do Médio Tejo pedem “responsabilidades políticas” pelas “contradições” existentes no processo de encerramento da operação a carvão da Central Termoeléctrica do Pego…

Águas de Santarém troca garrafas de plástico por garrafa reutilizável da marca águAS (c/vídeo)

A empresa municipal Águas de Santarém apresentou esta terça-feira, 21 de Setembro, a nova campanha de incentivo ao consumo de água da torneira, ao…

Incêndios: Mais de 90 concelhos do continente em risco máximo

Vila Real, Bragança, Viana do Castelo, Porto, Aveiro, Guarda, Viseu, Coimbra, Castelo Branco, Santarém, Portalegre, Beja e Faro, são os concelhos que estão sob…