O executivo da Câmara de Santarém adjudicou, na reunião pública desta segunda-feira, dia 21, a empreitada de “conservação e beneficiação” da Igreja de S. João do Alporão à empresa REVIVIS – Reabilitação, Restauro e Construção Lda., pelo valor global de 777.924, 13 euros.

A obra tem um prazo de execução de 270 dias, visando retomar as visitas deste que é considerado pelos especialistas, como o maior exemplar de arte românica do sul do país.

A intervenção será dirigida para a estrutura, cobertura e drenagem do edifício, de forma a combater as infiltrações, mas não vai solucionar o problema das pedras, pois, aparentemente, não há solução para esse problema. Será colocada uma rede, como medida paliativa para prevenir o desprendimento de pedras e permitir a reabertura e visitação do espaço. A intervenção será feita em articulação com a Direcção Geral do Património Cultural.

Recorde-se que o Município de Santarém, só conseguiu prosseguir com todo o processo de lançamento do concurso para a referida requalificação, após o parecer favorável da DGPC – Direção Geral do Património Cultural.
Um estudo solicitado em 2004 ao Departamento de Engenharia, Minas e Georrecursos do Instituto Superior Técnico revelou que a estrutura do monumento está a ser afectada por infiltrações a partir das fundações, pela constituição geológica da pedra usada na construção (bastante permeável e facilmente perecível perante a penetração de sais, que cristalizam) e pelos métodos construtivos e correctivos posteriores (como a utilização de argamassas, nomeadamente de cimento).

A Igreja de São João do Hospital ou de Alporão, construída no século XII, surgiu no âmbito das lutas político-religiosas da reconquista cristã. Monumento nacional, que vinha funcionando como espaço museológico, está encerrado desde 2012 por razões de segurança devido ao desprendimento de pedras da sua estrutura.

Dado o seu enquadramento, fora do perímetro das muralhas, a igreja de S. João constituiu um ponto nevrálgico na organização urbana de Santarém. Possuía uma torre românica circular, que, juntamente com a Torre do Relógio (Cabaceiro) imprimia ao conjunto um carácter militar-defensivo. No último quartel do século XVIII ocorreu, por deliberação camarária, a demolição da Porta do Alporão e da torre da igreja. Em 1834, a igreja foi adquirida por um particular que a transformou em arrecadação. No século XIX, o edifício foi transformado em teatro, aqui tendo sido representadas as peças românticas da altura.

Historiadores e arquitectos da segunda metade do século XIX reconheceram o valor histórico do edifício que, após restauro, abriu ao público em 1882, como Museu Distrital. Em 1910 o edifício foi classificado como Monumento Nacional e beneficiou, em sucessivas etapas, de obras de restauro e conservação. A sua municipalização deu-se durante o período da 1ª República. O Museu é hoje detentor de um espólio arqueológico e cultural valiosíssimo. Quanto à arquitectura, a construção da igreja sofreu várias influências estéticas o que permite integrá-la nas correntes artísticas do Românico e do Gótico.

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