A Câmara Municipal de Salvaterra de Magos inaugurou segunda-feira, 1 de Maio, a obra de requalificação e beneficiação do Jardim da Praça da República, em frente ao edifício dos Paços do Concelho.

Na cerimónia, o Presidente da Câmara Municipal, Hélder Manuel Esménio mostrou-se orgulhoso com o resultado final e frisou que “além de melhorarmos passeios e zonas de circulação pedonal e de definirmos estacionamentos, ampliámos áreas verdes e de lazer, plantámos mais quase duas dezenas de árvores e reforçámos o mobiliário urbano”.

“Há muitas formas de tratar intervenções como a que aqui fizemos, o que nunca aceitámos foi tentar fazer uma réplica do que existiu em dado momento da história, pois não passaria de uma tentativa de imitação, sem valor histórico ou patrimonial”, referiu, acrescentando “optámos sim, em respeito a essa história e memória, por deixar painéis em azulejo pintados à mão com algumas imagens que preservam para a posteridade este espaço, as suas vivências e utilizações”.

A intervenção realizada preservou o busto, que já existia no local, do rei D. Dinis, que outorgou foral a Salvaterra de Magos a 1 de Junho de 1295 e dotou a Praça de um outro busto – do rei D. Manuel I, que em 1517 concedeu um novo foral a Salvaterra de Magos.

Foi também assinalada, com um elemento vertical em cantaria, a localização que o pelourinho, possivelmente manuelino, teria nesta Praça. “Deixámos apenas um testemunho da sua localização e não uma réplica”, explicou Hélder Manuel Esménio.

A requalificação e beneficiação do Jardim da Praça da República teve um valor de 453.918,89€ e contou com apoio de Fundos Estruturais Europeus (FEDER), no âmbito do Portugal2020, PO Alentejo, Programa de Apoio à Regeneração Urbana (PARU).

 Foi em torno desta praça, atualmente designada da República, que Salvaterra de Magos desenvolveu um povoado medieval, cuja referência mais antiga remonta a 1295, aquando da outorga de foral pelo rei D. Dinis a esta localidade. Ao redor desta Praça encontravam-se os principais edifícios históricos: Igreja Matriz, construída em 1296, o Paço Real do séc. XIV e os Paços do Concelho. A partir desta Praça são definidos vários arruamentos retilíneos que vão dar ao Cais da Vala, importante entreposto fluvial, que teve grande importância comercial desde a Idade Média até à primeira metade do séc. XX. Era a este Cais que aportavam os elementos da família real quando se deslocavam sazonalmente, durante os meses de inverno, para o Paço Real de Salvaterra de Magos.

Para não perder a memória histórica deixaram-se na requalificação, testemunhos, em painéis de azulejos pintados à mão, de imagens representativas das vivências e utilizações deste espaço. Foi também assinalada, com um elemento vertical em cantaria, a localização que o pelourinho, possivelmente manuelino, teria nesta Praça.

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