O Museu Rural e do Vinho do Concelho do Cartaxo, recebeu, na tarde de dia 13 de Maio, a inauguração da exposição “Troca de Correspondência em Tempos de Pandemia”, que mostra fotografias e objectos efectuados por utentes de catorze entidades com e sem fins lucrativos que, no concelho, prestam a apoio ou têm a valência de Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI).

A inauguração da exposição foi um momento de alegria para os utentes e técnicos das instituições depois de estarem mais de dois anos impedidos de se encontrarem por força da pandemia da doença Covid-19. No reencontro, foram muitos os rostos emocionados por poderem voltar a estar juntos e por verem expostos os trabalhos que resultaram do seu esforço conjunto para manterem proximidade e cumplicidade, apesar do afastamento físico e isolamento a que foram obrigados.

As fotografias e os trabalhos expostos são mais do que simples objectos, são testemunho da vontade e do desejo de partilhar memórias e sabedoria ancestral, dar a conhecer hábitos, gastronomia tradicional, artes e ofícios ou património de cada uma das freguesias do concelho, de onde são oriundos os utentes.

João Ferreira Heitor, presidente da Câmara Municipal do Cartaxo referiu a inauguração como um momento “de celebração. Celebramos, em primeiro lugar, podermos estar aqui hoje, com saúde, a partilhar o vosso trabalho que é feito de talento, mas também de afetos”. O autarca destacou a importância, para a comunidade, “daqueles que têm a missão de cuidar de quem teve uma vida longa e que, por tudo o que deram, por tudo o que representam, são um exemplo para todos nós”.

“Estou muito feliz por vos poder acompanhar neste dia”, afirmou o presidente da Câmara, com emoção, por poder “ver aqui algumas pessoas que me conhecem desde que nasci, que andaram comigo ao colo. Tenho muito carinho por vós”.

A vereadora Maria de Fátima Vinagre que, na autarquia, é responsável pelo pelouro de Ação Social e Saúde, destacou a relevância do trabalho que a exposição agora mostra ao público. “As actividades desenvolvidas no âmbito deste projecto permitiram criar laços de proximidade, aprofundar a colaboração entre os utentes, as instituições e os técnicos, e promover a solidariedade”, afirmou, destacando a importância do projeto “na promoção do bem-estar emocional e da saúde mental, em tempos de isolamento”.

Renato Bento, Director do Centro Distrital de Segurança Social de Santarém, destacou a importância de “retomarmos alguma normalidade. Já tínhamos saudades deste contacto presencial e caloroso”, lembrando que “vivemos dois anos muto difíceis para todos, com desafios extraordinários”, entre os quais destacou o facto de “termos sido obrigados ao isolamento, a não sair das estruturas residenciais”.

Para o director, a “experiência que vivemos nestes dois anos foi absolutamente única”, afirmando que o facto de Portugal “ser um dos países, no mundo, com a menor taxa de mortalidade durante a crise pandémica”, se deve em muito “ao esforço que todos nós fizemos – segurança social, municípios, instituições, direções técnicas e equipas de cuidadores”.

Durante a inauguração da exposição, a Diretora Técnica do Centro de Dia de Pontével, Raquel Vieira e Ricardina Dias, da EAPN – Delegação de Santarém (Rede Europeia Anti-Pobreza), apresentaram o projecto que dá nome à exposição, destacando a importância da experiência para os utentes, quer do ponto de vista cognitivo, quer de motricidade, quer de interação social e afirmaram que, pelo seu sucesso e pelo empenho dos utentes e das instituições, o projeto vai continuar. Raquel Vieira anunciou também que a exposição vai percorrer todas as freguesias do concelho.

O projecto nasceu no âmbito da Rede Social, com o objectivo de que os utentes de diferentes instituições pudessem manter contacto entre si, num momento em que o contacto presencial não era possível. Das trocas iniciais de postais que assinalaram a celebração de datas como o Natal ou a Páscoa, a troca de correspondência evoluiu para objetos que espelham o talento dos utentes e são reflexo do seu empenho em valorizar a sua cultura, as tradições das suas freguesias, assim como, da vontade de partilhar memórias e vivências.

A exposição pode ser visitada de terça a domingo, das 9h30 às 12h30 e das 14h30 às 17h30.

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