Castelo de Ourém recebe em Agosto espectáculo de dança que pede “vagar”

O Castelo de Ourém recebe em Agosto o espectáculo de dança “Vagar”, um projecto da coreógrafa Marina Nabais que, durante uma hora, espera que o público sinta “o coração a abrandar”.

O espectáculo, integrado na Rede Artéria – projecto que cria e faz circular espectáculos em oito concelhos da região Centro -, vai decorrer no Castelo de Ourém de 03 a 05 de Agosto, às 21h30, numa iniciativa que junta artistas profissionais e locais.

“Vagar”, com direcção artística e coreografia de Marina Nabais, teve como desafio habitar o castelo, que dista dois quilómetros do centro da cidade, e criar um espectáculo a partir do tema “Novos tempos”, disse à agência Lusa a coreógrafa.

Entre três paredes do castelo, “três meninas, um senhor que é filósofo, uma contabilista e uma pessoa que trabalha na Universidade Sénior” de Ourém juntam-se a dois intérpretes profissionais para montar “Vagar”, um espectáculo que procura trabalhar sobre a velocidade e o tempo na sociedade contemporânea, tendo como base bibliográfica o livro “Sociedade do Cansaço”, do filósofo Byung-Chul Han.

“O livro fala do que estamos a viver, de tudo ser possível, de vivermos mais, de todos termos imensos projectos, mas em vez de nos estar a ajudar gera crises existenciais e problemas”, afirmou Marina Nabais, considerando que o espectáculo acaba por falar da necessidade de se “arranjar tempo, de se ter espaço” no dia-a-dia.

Nesse sentido, o espectáculo acaba por abordar o ritmo veloz a que por vezes as pessoas estão sujeitas na sociedade contemporânea.

Sem moralismos, “Vagar” pretende que seja uma hora em que as pessoas “possam estar com atenção, que sintam o coração a abrandar, que possam sentir a sua própria respiração e usufruir um bocado desse tempo, pelo menos aqui”, contou a coreógrafa.

Para além de abordar essa questão da sociedade contemporânea, o projecto trabalha também a relação com o Castelo de Ourém, que deverá ir para obras depois do espectáculo, invocando “tempos sem se falar de nenhum tempo” num espaço que já foi habitado, mas que tem um carisma “quase intemporal”.

No processo criativo, os habitantes de Ourém que participam no espectáculo trabalharam “de forma activa” o movimento e a temática apresentada.

“Começaram por ser quase aulas de dança e depois foram transformando-se, a pouco e pouco, em coisas mais plásticas”, explanou Marina Nabais.

Sem palco, o espectáculo conta com desenho de luz e um trabalho de sonoplastia que “vai sugerir espaços e criar espaços”, tendo sido gravados sons do próprio castelo – do vento à água da cisterna, passando pelas andorinhas que habitam o monumento.

“Vagar” conta com música original de Gonçalo Alegria, figurinos de Nuno Nogueira, desenho de luz de Manuel Abrantes e interpretação de Carla Ribeiro e Yonel Castilla Serrano, e dos habitantes Ana Mafalda Faria, Ângela Gonçalves, Custódio David, Dulce Maurício, Matilde Gonçalves e Soraia Lopes.

O espectáculo é de entrada livre, sendo necessária reserva de lugar através do e-mail museu@mail.cm-ourem.pt, ou dos números 249 540 900 (6831) ou 919 585 003.

No âmbito do projecto Rede Artéria, coordenado pelo Teatrão e pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, estão previstas mais três estreias este ano, no Fundão, Figueira da Foz e Guarda.

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