Não compreendo quem ainda duvida da acção benéfica das vacinas. Imagine-se não as termos ainda, agora, com o número de casos positivos verificados nos últimos dias. (O novo ano arrancou com quase 6.800 casos activos no distrito de Santarém).

Cerca de 90 por cento dos internados com a doença da covid-19 em cuidados intensivos não receberam a vacina, e 60 por cento dos internados nas enfermarias dos hospitais nacionais também não foram vacinados. Daí que não compreenda os negacionistas, como a médica que foi suspensa por três meses pelo Conselho Disciplinar Regional do Sul por ter divulgado nas redes sociais uma alegada “receita” para os testes PCR à covid-19 darem negativo, utilizando um método de limpeza das fossas nasais com vários produtos.

Outra médica, no início também descrente nas vacinas, mudou de opinião por ter sido ‘agarrada’ pelo vírus e ter sentido na pele os seus efeitos ao longo de quase 30 dias de internamento, 12 dos quais em coma induzido.

O concelho de Santarém tem vindo a registar, nos últimos dias, mais de uma centena de casos por dia. É certo que nunca se testou tanto como agora (Portugal é o quarto país europeu com mais testes realizados, mais de 26 milhões) e que esse aumento se deve a isso mesmo, mas, reforço, imagine que não havia ainda vacina, o que seria de nós?

Daí a importância de se insistir com a vacinação, em primeiro lugar de quem ainda não o foi sequer uma vez e teimosamente resiste, por ter conseguido, com alguma dose de sorte à mistura, estou certo, passar “pelos intervalos da chuva”.

Por outro lado, o reforço de uma segunda ou terceira doses permite, segundo os especialistas, manter os anti-corpos elevados para a eventualidade de sermos infectados. Até porque atravessamos o Inverno e as pessoas estão mais susceptíveis às consequências da doença por haver um maior número de vírus em circulação.

Graças à vacinação em massa é bem visível a forma como o país está a resistir a esta nova variante Ómicron.

Nos tempos que agora correm, a vacinação, a melhor capacidade de testagem e o facto de estarmos a aprender a viver com a proximidade desse ‘inimigo público’ estão, lentamente, a dar os seus frutos, mas nunca deveremos subestimar o vírus, já que, como diz o povo, “cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém”…

João Paulo Narciso

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