Centro de Documentação quer reunir identidade do Ribatejo

O Fórum Ribatejo, em parceria com a Câmara Municipal de Torres Novas, implementou, na Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes, um Centro de Documentação que pretende ser uma plataforma de difusão de estudos e do conhecimento da região.

Instalado na ‘Sala do Conhecimento’ da Biblioteca, este Centro de Documentação do Ribatejo reúne livros e dezenas de documentos sobre a identidade geográfica e cultural ribatejana, desejando servir de núcleo para acolher toda a investigação que se realize em torno da temática.

“A documentação tem uma estante, mas queremos que se encham agora mais prateleiras”. É este o desejo da vereadora da cultura, Elvira Sequeira, que apresentou ao Correio do Ribatejo o espaço, instalado num canto da biblioteca, logo após a secção de jornais e revistas.

“Quando nos foi feita a proposta pelo Fórum Ribatejo dissemos logo que sim”, recordou a responsável, manifestando abertura para continuar a receber documentos sobre a questão ribatejana, numa época em que esta marca identitária começa, de certa forma, a esbater-se com a divisão administrativa entre Lezíria e Médio Tejo.

“A biblioteca ficou mais rica”, notou a responsável, acrescentando: “para nós [Município] é muito relevante o facto de existirmos, em termos identitários, como fazendo parte do Ribatejo. E ter um Centro de Documentação do Ribatejo, desta cultura identitária, que faz parte desta região, para nós é uma grande mais-valia. Esta biblioteca é, ela própria, um Centro de Documentação da nossa região. Temos um fundo local extenso que agora sai enriquecido com a implementação deste Centro. O Ribatejo construiu-se como uma identidade própria desta região e há que aprofundá-la”, afirmou.

Em funcionamento há cerca de seis meses, este Centro de Documentação resulta de um esforço realizado nos últimos anos para reunir bibliografia pelo Fórum Ribatejo, assim como cartografia e outros documentos sobre o Ribatejo.

“Tudo o que for material que possa ser um documento sobre o Ribatejo, desde vídeo, a mapas, a livros interessa ao Centro”, explicou ao Correio do Ribatejo Aurélio Lopes, responsável da associação.

A instituição entregou à biblioteca várias dezenas de documentos sobre a temática, que foram alvo de catalogação e colocados à disposição de todos os interessados.

“Com este Centro de Documentação, o Fórum Ribatejo propõe-se a, em primeiro lugar, disponibilizar um local de recurso a investigadores da história local e regional e a todos os interessados em conhecer a região e a sua cultura, através do maior número possível de documentos, impressos ou em formato digital, e de referências documentais que facilitem o seu trabalho e incentivem o incremento de estudos sobre esta região”, concretizou Aurélio Lopes.

“Ribatejo é espaço de emanação cultural”
“A ideia deste Centro surgiu pela necessidade de existir um local nesta região onde se possa consultar aquilo que é, no fundo, a tal ‘Cultura Ribatejana’ que foi muito pouco estudada até ao 25 de Abril”, disse o investigador.

“Até aí”, prosseguiu, “ninguém tinha feito um estudo sobre o que é ser um campino, embora o campino fosse a nossa imagem de referência. Não se sabia o que era “aquilo”, de onde tinha surgido. A ideia é que ele já tinha surgido montado a cavalo e tudo… Mas tudo isso era muito pouco. Foi-se criando a ideia de que haviam vários Ribatejos”, disse.

“Uma identidade é sempre composta de diversos elementos de identidade. E de complexos diferenciados em sociedades naturalmente multifacetadas. De diversas identidades, se quisermos. A questão está na dimensão das diversas noções de pertença e da maior ou menor adesão aos mais diversos factores identitários. Bem como da respectiva expressão social, etária, territorial ou de género. De forma a podermos perceber se a identidade sociocultural ribatejana possui ou não (num dado momento) uma dimensão susceptível de afirmação regionalista. Quando ao, dito, “Ribatejo Cultural” é, apenas, a componente cultural do Ribatejo. O Ribatejo, enquanto emanação cultural. Visto num contexto holístico e integrado”, disse o historiador.

É precisamente a partir desta reflexão que surge a necessidade de um espaço que possa servir de plataforma para o cruzamento e reflexão sobre o Ribatejo.

“Quando surgiu a ideia do Centro, a questão que se pôs foi como é que nós vamos suportar isto. Porquê cria-lo, formatá-lo de forma que sua utilização tenha determinado tipo de comportamentos”, referiu.

“Temos pessoas dessa área. A relação com as Câmaras não é problema. O problema estava em saber como depois iriamos alimentá-lo. Porque se não for alimentado, sistematicamente, por mais que pregamos a sua utilidade, acaba por perder vitalidade”, explicou.

Assim, surgiu a ideia de implementar o Centro em Torres Novas, numa biblioteca “vivida”, segundo referiu Aurélio Lopes.

Localização do Centro intimamente ligada à própria biblioteca
Segundo Margarida Teodora, directora da Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes, a própria localização do Centro “está intimamente ligada à própria biblioteca”.

“Está integrado no fundo regional, e, portanto, destaca-se pela particularidade em que há uma região que é evidenciada, que é a região do Ribatejo”, disse, destacando que, para além de se pretender continuar a alimentar o fundo documental, a intenção passa por dinamizar o espaço.

“Pretende-se dinamizar este Centro, para além de alimentar o fundo com informação disponível sobre o Ribatejo a investigadores, que eles próprios depois vão produzir conhecimento que vai ser utilizado por outros investigadores”, disse.

“Portanto, convém realçar a importância desta identidade dentro de uma biblioteca que nasce num município que também tem a sua identidade. O que convém é não deixar estagnar, convém dinamizar, e queremos definir uma programação, talvez de um ou dois momentos por ano em que possamos falar aqui de etnografia, das marcas identitárias, e do próprio fundo que temos disponível a qualquer utilizador”, concretizou a responsável.

“Penso que a ideia que nasceu, logo de início, é que o fundo se torne, de facto, um alicerce: e ele já está alicerçado a um posto de trabalho, com computador ligado ao catálogo colectivo. Todos os livros do Centro de Documentação foram integrados no catálogo colectivo da biblioteca. Qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, liga-se ao nosso catálogo on-line e pode ver todos os livros que estão disponíveis”, explicou Margarida Teodora.

Segundo explicou, o catálogo on-line tem integrado, num dos seus ramos de árvore, o acesso directo ao Centro de Documentação, para facilitar a pesquisa a investigadores que se interessem por estas áreas do conhecimento.

Centro será “maior legado” do Fórum Ribatejo
O Fórum Ribatejo surgiu em 2009 com o propósito de agregar os agentes socioculturais que viam o Ribatejo, precisamente, como algo mais que um tecido a retalhar, de acordo com interesses pessoais e de grupo.

“Juntar essas pessoas e esperar que daí saíssem reflexões conjuntas e eventuais e decorrentes, iniciativas. E assim tem acontecido. Esclareça-se que o Fórum não é uma associação. Nem pretende ser. Mas sim uma plataforma que congrega pessoas com perspectivas e objectivos semelhantes. Com o mínimo de organização formal e o máximo de liberdade de auto-organização dos seus membros”, afirmou Aurélio Lopes.

“É um organismo de novo tipo; se quisermos. Que surge para juntar e não para dividir. Por isso todas as actividades que desenvolve são feitas em parceria com instituições da região; municípios (principalmente), órgãos de informação, museus, associações culturais, instituições de ensino, e outras”, disse ainda, acrescentando: “independentemente do que acontecer ao Fórum Ribatejo no futuro, esta será sempre a sua maior obra e o seu maior legado”.

Actualmente, o Fórum é composto por cerca de quatro dezenas de membros provenientes da grande maioria dos concelhos da região, que se auto-organizam, nas assembleias trianuais, e desenvolvem, num tempo prescrito, acções pontuais (principalmente) mas também periódicas, como os Encontros de Historiadores Locais Ribatejanos e os Encontros de Cultura Popular do Ribatejo sediados na Barquinha.

Promove sessões de reflexão sobre “Arte Popular e Folclore” (realizadas na Golegã e em Santarém), o Ribatejo e o Futuro (igualmente em Santarém) e Identidades Regionais (em Alcanena) ou, colóquios temáticos sobre a Ferrovia Nacional (Entroncamento), o Culto Mariano (Ourém), o “Ribatejo na 1ª Grande Guerra” (Montalvo/Constância) ou, ainda, o Ribatejo e a República, (Cartaxo); em parceria com os respectivos municípios.

“Enquanto fórum de reflexão, defensor da integridade ribatejana, impulsionador dos seus valores culturais e promotor das suas identidades, o Fórum Ribatejo tem, deste modo, constituído um elemento de interligação entre pessoas e instituições desta Região; frequentemente tão dispersas e pouco solidárias”, explicou.

“O que nos propomos, no fundo, é chamar a atenção para as diversas valências culturais e reflectir sobre elas, tomar posição sobre os aspectos regionais candentes (nomeadamente o processo de desagregação em curso), juntar os agentes culturais da região e envolvê-los na realização de iniciativas de importância social, história, política e cultural. Em suma, ser um fórum de debate e reflexão e um catalisador de iniciativas socioculturais que envolva as pessoas e as instituições”, concluiu.

Cultura é “aposta” do município Torrejano
“A cultura, em Torres Novas, é uma marca identitária e temos alguns equipamentos muto relevantes que têm contribuído para esse trabalho”, afirmou ao nosso jornal Elvira Sequeira.

Segundo a vereadora, cujo gabinete de trabalho está precisamente instalado na Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes, a cultura é vista como “um investimento” na comunidade.

Para além da biblioteca, Elvira Sequeira releva o trabalho desenvolvido pelo Teatro Virgínia, “que continua a ser uma expressão daquilo que são as artes performativas e de como é possível fazer com que as pessoas sintam algum prazer e obtenham conhecimento a partir delas no momento em que se procura que elas sintam o teatro como seu e que usufruam dos espectáculos lá dinamizados”.

A par da sala de espectáculos, o Município possui dois museus com os quais a autarquia desenvolve projectos em parceria, “criando formas de trabalho que permitam outras dinâmicas”.

Em particular no que respeita ao Museu Municipal Carlos Reis, foram recentemente aprovadas duas candidaturas que concorreram ao programa Promuseus 2019, Programa de Apoio a Museus da Rede Portuguesa de Museus.

Uma das candidaturas efectuadas foi para a área de “Acessibilidades e inclusão” com o projecto “Ponto acessível: Módulo de realidade aumentada para a maqueta da vila de Torres Novas em meados do século XVIII”.

Este projecto consiste no desenvolvimento de um ponto de visionamento sobreposto por realidade aumentada, com conteúdos históricos e contemporâneos sobre os lugares do centro histórico da cidade de Torres Novas, a partir da peça “maqueta da vila de Torres Novas em meados do século XVIII”.

A outra candidatura decorreu na área “Estudo, investigação e exposições”, através do projecto “Estudo sobre Carlos Reis”, que se traduz na investigação, inédita, a partir do espólio documental e pictórico do pintor Carlos Reis, patrono do museu desde 1942, visto que o MMCR acolheu recentemente o espólio documental do artista e tem em exposição quase meia centena de obras da figura da história da arte portuguesa, Carlos Reis.

“Aquilo que me apraz muito é também o facto de apoiar, quer nacional quer localmente, aqueles que escrevem, aqueles que pintam, no sentido de dar espaço aos artistas mais jovens”, referiu ainda a vereadora.

“O que existe muito em Torres Novas é pessoas com vontade de fazer coisas. Havendo essa vontade, com o apoio do Município, é meio caminho feito para que as coisas resultem”, disse ainda, concluindo: “o Centro de Documentação do Ribatejo existe porque as pessoas se juntam aqui, em Torres Novas, com uma imensa vontade e energia para fazer coisas, e é isso que nos importa estimular”.

“A cultura, em Torres Novas, é uma marca identitária e temos alguns equipamentos muto relevantes que têm contribuído para esse trabalho”, afirmou ao nosso jornal Elvira Sequeira.

Segundo a vereadora, cujo gabinete de trabalho está precisamente instalado na Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes, a cultura é vista como “um investimento” na comunidade.

Para além da biblioteca, Elvira Sequeira releva o trabalho desenvolvido pelo Teatro Virgínia, “que continua a ser uma expressão daquilo que são as artes performativas e de como é possível fazer com que as pessoas sintam algum prazer e obtenham conhecimento a partir delas no momento em que se procura que elas sintam o teatro como seu e que usufruam dos espectáculos lá dinamizados”.

A par da sala de espectáculos, o Município possui dois museus com os quais a autarquia desenvolve projectos em parceria, “criando formas de trabalho que permitam outras dinâmicas”.

Em particular no que respeita ao Museu Municipal Carlos Reis, foram recentemente aprovadas duas candidaturas que concorreram ao programa Promuseus 2019, Programa de Apoio a Museus da Rede Portuguesa de Museus.

Uma das candidaturas efectuadas foi para a área de “Acessibilidades e inclusão” com o projecto “Ponto acessível: Módulo de realidade aumentada para a maqueta da vila de Torres Novas em meados do século XVIII”.

Este projecto consiste no desenvolvimento de um ponto de visionamento sobreposto por realidade aumentada, com conteúdos históricos e contemporâneos sobre os lugares do centro histórico da cidade de Torres Novas, a partir da peça “maqueta da vila de Torres Novas em meados do século XVIII”.

A outra candidatura decorreu na área “Estudo, investigação e exposições”, através do projecto “Estudo sobre Carlos Reis”, que se traduz na investigação, inédita, a partir do espólio documental e pictórico do pintor Carlos Reis, patrono do museu desde 1942, visto que o MMCR acolheu recentemente o espólio documental do artista e tem em exposição quase meia centena de obras da figura da história da arte portuguesa, Carlos Reis.

“Aquilo que me apraz muito é também o facto de apoiar, quer nacional quer localmente, aqueles que escrevem, aqueles que pintam, no sentido de dar espaço aos artistas mais jovens”, referiu ainda a vereadora.

“O que existe muito em Torres Novas é pessoas com vontade de fazer coisas. Havendo essa vontade, com o apoio do Município, é meio caminho feito para que as coisas resultem”, disse ainda, concluindo: “o Centro de Documentação do Ribatejo existe porque as pessoas se juntam aqui, em Torres Novas, com uma imensa vontade e energia para fazer coisas, e é isso que nos importa estimular”.

Uma Biblioteca UNESCO
A Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes integra a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, sendo o seu novo edifício o resultado do contrato-programa celebrado a 24 de Março de 2004 entre a Câmara Municipal de Torres Novas e o Ministério da Cultura, Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas.

A Biblioteca Municipal de Torres Novas deve a sua existência a José Maria Dantas Pimenta que em 1882 (então vereador da câmara) ofereceu os primeiros volumes ao município.

O livro intitulado Movimento dos Livros da Biblioteca, em que consta a data de inscrição do primeiro leitor, 2 de Janeiro de 1883, atesta que a instituição começou a funcionar nesse ano. Curiosamente, o primeiro leitor foi Gustavo de Bívar Pinto Lopes e ainda nesse ano a Câmara incumbiu José Maria Dantas Pimenta de adquirir livros em Lisboa, reservando para o efeito uma verba de 50 escudos. Do edifício dos Paços do Concelho passou a biblioteca para a capela do Palácio Mogo, em 1933, já sob a orientação de Gustavo Pinto Lopes, que em 1935 seria convidado para assumir o cargo de conservador e reorganizar a biblioteca e o museu, na presidência de Carlos de Azevedo Mendes. Em 20 de Junho de 1937 a biblioteca ocuparia, com o museu, o edifício do Largo dos Combatentes, onde ficaria precisamente um quarto de século, para em 11 de Janeiro de 1962 regressar, de novo, ao Largo do Salvador, para o edifício deixado livre pela primitiva Escola Industrial de Torres Novas.

Após ter estado instalada em vários edifícios, 70 anos depois, a Biblioteca Municipal encontrou o seu espaço próprio num moderno edifício construído de raiz, inaugurado a 28 de Novembro de 2008. Três eixos determinam o carácter deste novo equipamento: a sua inserção municipal, a integração nacional na Rede Nacional de Bibliotecas Públicas e a promoção dos princípios universalistas consagrados pela UNESCO, no âmbito do Manifesto para as Bibliotecas Públicas, cujas finalidades e estratégias são aplicadas a toda a estrutura funcional. O novo edifício da biblioteca, com uma localização central na cidade e um enquadramento único no desenho urbano de Torres Novas, dispõe de uma área útil de cerca de 3200 m2. Foi concebida com a preocupação de articular todas as zonas funcionais destinadas aos seus utilizadores, respeitando os princípios de acessibilidade aos espaços, serviços e conteúdos. Do seu programa, saliente-se a integração de dois serviços estruturantes e complementares ao desenvolvimento da sua missão junto de todos os torrejanos: o Arquivo Municipal, e o Gabinete de Estudos e Planeamento Editorial, entretanto sediado no Museu Municipal.

A Biblioteca, com os seus espaços, serviços e valências, prossegue uma estratégia de promoção do desenvolvimento local e regional, assumindo-se como um equipamento dinâmico, nova referência cultural e de sociabilidade para toda a população do concelho.

“Autores de Cá” na Biblioteca
A Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes, em Torres Novas, abre o seu espaço (sala polivalente) à primeira quinta-feira de cada mês (das 17h00 às 18h30), para todos os autores locais que queiram apresentar um projecto de escrita, música, arte ou novas ideias. A biblioteca é o espaço privilegiado das ideias e, nesta iniciativa, os autores locais podem apresentar à comunidade o resultado da sua criatividade: literatura, música, artes plásticas, um projecto ou, simplesmente, uma ideia para partilhar. Os interessados em usufruir desta iniciativa devem agendar as suas propostas previamente com a biblioteca, através dos contactos 249 810 310 ou biblioteca@cm-torresnovas.pt. Autores de Cá” inclui-se dentro dos objectivos de desenvolvimento sustentável (ODS), da UNESCO.
filipe mendes

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