O município da Chamusca encerrou o exercício económico de 2025 com um resultado líquido positivo de 505 mil euros, recuperando face ao resultado negativo de 365 mil registado em 2024, segundo o relatório de prestação de contas.
De acordo com o documento enviado hoje à Lusa, a evolução dos resultados foi sustentada por um aumento dos rendimentos em cerca de 1,62 milhões de euros e, em simultâneo, por uma redução dos gastos na ordem dos 747 mil euros.
Do lado da despesa, as despesas correntes atingiram 13,3 milhões de euros, acima dos 11,8 milhões registados em 2024, impulsionadas principalmente pelos aumentos salariais na função pública.
As despesas com pessoal representaram 44,45% do total das despesas correntes, seguidas da aquisição de bens e serviços (37,22%).
As despesas de capital registaram uma taxa de execução de 61,39%, ligeiramente inferior à de 2024, sendo a aquisição de bens de capital a componente mais relevante.
No Plano Plurianual de Investimentos (PPI), com uma dotação de 7,6 milhões de euros, foram executados 4,5 milhões, correspondendo a uma taxa de 60,08%.
No que respeita à receita, o município da Chamusca, no distrito de Santarém, alcançou uma taxa de execução de 77,76% nas receitas correntes, com forte dependência das transferências correntes, que representaram 72,17% da receita cobrada líquida.
Os impostos diretos pesaram 14,57%, com destaque para Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT), cuja evolução positiva é associada “à dinâmica do mercado imobiliário”, embora a Câmara sublinhe a necessidade de “prudência na sua utilização para financiar despesa estrutural”.
Globalmente, a receita cobrada líquida aumentou face a 2024, beneficiando do saldo de gerência anterior e do crescimento das receitas correntes, apesar de a taxa de execução ter ficado abaixo dos 85%, um cenário que, segundo o relatório, não configura ainda “incumprimento legal por se tratar do primeiro ano em que ocorre”.
Em termos de financiamento, a autarquia refere não ter recorrido a empréstimos de curto prazo e indica que, no final de 2025, mantinha apenas um empréstimo contratado em 2021, do qual utilizou cerca de 1,94 milhões de euros, já em fase de amortização.
Na análise ao exercício, o município enquadra os resultados num “contexto internacional adverso”, marcado “por instabilidade geopolítica, conflitos e perturbações económicas”, bem como por “fenómenos imprevisíveis que pressionam a resposta local, a par das dificuldades associadas ao processo de descentralização de competências”, lê-se no documento.
Apesar desses constrangimentos, a Câmara da Chamusca considera que, em 2025, manteve “o compromisso com a sustentabilidade financeira, a execução equilibrada do orçamento e o investimento em áreas prioritárias”, como educação, ação social, cultura e infraestruturas.
