O mau tempo que atingiu o concelho de Coruche nas últimas semanas provocou prejuízos próximos dos 12 milhões de euros, segundo uma estimativa avançada pelo presidente da Câmara Municipal, Nuno Azevedo.

O autarca explicou à agência Lusa que o valor resulta de um levantamento ainda em curso, mas que já permite perceber a dimensão dos danos.

“Não temos um montante totalmente fechado, mas a estimativa ronda os 12 milhões de euros”, afirmou, sublinhando que o cálculo inclui trabalhos de reparação e, também, intervenções preventivas para evitar que situações semelhantes se repitam.

As maiores destruições registam‑se ao nível das acessibilidades, com estradas danificadas e várias travessias afetadas, sobretudo no Vale do Sorraia. Entre as estruturas mais atingidas estão os pontões de Santa Justa e da Escusa, além de outros que já apresentavam fragilidades e viram a sua situação agravar‑se.

O mau tempo provocou também estragos em caminhos rurais e estradas de terra batida “um pouco por todas as freguesias”, referiu o presidente.

Embora escolas, centros de saúde e outros equipamentos essenciais não tenham registado prejuízos relevantes, o Museu Municipal de Coruche, situado na zona ribeirinha, sofreu alagamentos. A exposição instalada no piso térreo ficou praticamente destruída, tal como parte do auditório do edifício.

Apesar de a tempestade já ter passado, várias acessibilidades continuam ainda condicionadas.

“Ainda não temos tudo resolvido”, admitiu Nuno Azevedo, explicando que existem áreas com danos extensos que não permitem uma solução imediata.

Segundo o responsável, as equipas municipais estão no terreno, recorrendo também a meios externos, “mas a dimensão do território e da rede viária torna o processo mais lento”.

Algumas intervenções, como a estabilização de taludes ou trabalhos em encostas saturadas de humidade, só poderão avançar quando as condições do solo o permitirem, acrescentou.

O presidente da câmara sublinhou ainda que o município não conseguirá suportar sozinho os custos da reconstrução. Apesar de já ter comunicado aos vários ministérios as necessidades identificadas, ainda não existe qualquer linha de apoio formalizada.

“É um valor muito impactante para o orçamento municipal. Se fosse suportado integralmente por nós, comprometeria outros investimentos previstos”, alertou.

Questionado sobre a necessidade de reforçar a prevenção, Nuno Azevedo defendeu que os municípios devem estar dotados de meios e estruturas capazes de responder a fenómenos meteorológicos extremos.

“É essencial investir em equipamentos, recursos humanos e proteção civil, de forma a minimizar riscos futuros”, concluiu.

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