A qualidade do abastecimento de água da Área Metropolitana de Lisboa “pode estar seriamente comprometida” em consequência dos incêndios de 2017 junto ao rio Zêzere, alertou esta segunda-feira, 27 de Janeiro, uma equipa de investigação da Universidade de Aveiro (UA).

No verão de 2017, cerca de 30% da bacia hidrográfica do Zêzere, que alimenta a barragem de Castelo de Bode e, por consequência, o abastecimento dos habitantes de Lisboa e arredores, foi devastada por vários incêndios, o que, segundo os investigadores, “elevou o risco de degradação da qualidade da água”.

A razão prende-se com “a rápida e descontrolada erosão dos terrenos e a consequente incorporação nas águas de sedimentos e nutrientes das áreas ardidas”.

“O aumento da concentração de sedimentos e nutrientes poderá levar ao chamado ‘algae bloom’, que corresponde a uma rápida acumulação de algas na barragem, processo vulgarmente denominado de eutrofização”, aponta Diana Vieira, investigadora do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), uma das unidades de investigação da Universidade de Aveiro, na informação divulgada.

O alerta das cientistas do CESAM Diana Vieira e Marta Basso tem como base o trabalho de simulação hidrológica realizado em colaboração com Tiago Ramos e Marcos Mateus, ambos da Universidade de Lisboa, com a ferramenta SWAT (Soil Water Assessment Tool), numa análise prevista para os quatro anos seguintes aos incêndios, ou seja, de 2018 a 2021.

“As simulações (de previsão da qualidade da água, da erosão pluvial e do comportamento das águas subterrâneas) demonstraram um aumento substancial na resposta hidrológica e erosiva, assim como um aumento na concentração de nutrientes, representando um potencial risco de eutrofização, deficiência de oxigénio e redução da biodiversidade”, explica Diana Vieira.

Segundo a investigadora, “normalmente esses impactos só se sentem nos custos de tratamento de água, que pode aumentar, ou em episódios de interrupção de distribuição”. No entanto, ao nível dos habitats aquáticos “esses impactos também podem ser verificados especialmente em peixes e comunidades de invertebrados”.

Para minorar os danos da qualidade da água, “podem ser aplicados tratamentos de mitigação dos efeitos dos incêndios em áreas da bacia hidrográfica que sejam mais sensíveis à erosão do solo”.

Estes tratamentos podem ser executados com técnicas testadas, como “a aplicação do “mulching”, que consiste na distribuição pelos solos consumidos pelo fogo de uma camada de restos florestais triturados de forma a diminuir a erosão”, é apontado.

Os incêndios rurais de 2017, que afectaram sobretudo a região Centro (onde se localiza o rio Zêzere), fizeram mais 100 vítimas mortais. Arderam mais de 440 mil hectares de floresta e povoamentos, ou seja, quatro vezes mais do que a média registada nos 10 anos anteriores.

Leia também...

2019 foi o ano em que as renováveis despertaram e as emissões baixaram mais

As associações Zero e de energias renováveis consideram que 2019 foi o ano em que o sector renovável “despertou” e em que as emissões…

CLAPA denuncia novo episódio de poluição no Rio Alviela (c/vídeo)

A Comissão de Luta Anti-Poluição do Alviela (CLAPA) denunciou um novo episódio de poluição ocorrido no passado dia 2 de Junho, no Rio Alviela,…

Águas de Santarém obtém selo de qualidade exemplar da água para consumo humano

Prémio atribuído pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos.

Chamusca integra investimento de 900 milhões de euros em energia solar

A Lightsource bp, subsidiária da multinacional britânica bp, anunciou que vai investir 900 milhões de euros nos próximos seis anos em cinco projectos de…