A circulação na Estrada Nacional 2 (EN2), junto ao castelo de Abrantes, vai manter-se condicionada por tempo indeterminado, por razões de segurança, enquanto decorre o desenvolvimento do projeto de estabilização profunda do talude, indicou a Infraestruturas de Portugal.

Em resposta à Lusa, a Infraestrutura de Portugal (IP) indicou que “não foram identificados indícios de instabilidade global na encosta” do castelo, em Abrantes, mas “subsiste risco de erosão superficial nos taludes”, estando a situação a ser monitorizada regularmente.

A empresa referiu ainda que está a “desenvolver soluções de projeto para uma intervenção mais profunda que permita reduzir o risco geológico e geotécnico” e que, “até à concretização dessa intervenção, a estrada deverá manter os atuais condicionalismos de circulação como medida preventiva de segurança”.

O troço afetado, entre os quilómetros 402,200 e 403,800, reabriu parcialmente em 04 de março, após um corte total ao trânsito desde 11 de fevereiro, na sequência de deslizamentos de terras e queda de blocos rochosos provocados pela chuva forte registada desde janeiro.

Assim, desde o início de março, a circulação faz-se numa única via, em sentido alternado e regulado por semáforos.

Na última reunião de Câmara, o presidente do município, Manuel Jorge Valamatos, alertou para a persistência de fragilidades em várias infraestruturas devido à saturação dos solos provocada pelas chuvas intensas.

Sobre a EN2, no troço do Espinhaço de Cão, Manuel Jorge Valamatos sublinhou que se mantém o risco de derrocada e destacou a existência de uma “fenda acentuada” e de uma “rutura no talude” que podem originar uma deslocação de terras de grandes dimensões.

“Não estamos a falar daquelas derrocadas pontuais que sempre existiram. Estamos a falar de uma fenda, de uma rutura e de uma fragilidade no talude muito acentuada que a IP está a monitorizar a todo o tempo”, disse, salientando que “jamais pode estar em causa a vida de alguém” e, por isso, “só se abre a estrada quando estiverem garantidas todas as medidas de segurança”.

Manuel Jorge Valamatos anunciou ainda que terá, nos próximos dias, uma reunião com o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, para exigir a elaboração e execução célere de um projeto capaz de garantir a estabilidade definitiva do talude.

Entretanto, a Câmara e a IP reforçaram a sinalização no local para desviar veículos pesados do centro urbano.

Ainda segundo o autarca, os prejuízos no concelho devido ao mau tempo ultrapassam os 15 milhões de euros, sendo que os danos no Médio Tejo ascendem a mais de 100 milhões.

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