Não me lembro de torcer com mais fervor por um clube, como pelo Futebol Clube do Porto na final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1987, em Viena, contra o Bayern de Munique.

Nesse dia todos fomos das mesmas cores: azul-e-branco. Depois da vitória, as pessoas choraram, gritaram e foi algo de absolutamente extraordinário.

E durante todos estes anos, sempre fui assim. Se joga o Braga, sou bracarense (ou arsenalista, como se diz, creio que pelo equipamento), se joga o Sporting sou sportinguista ou verde e branco e se joga o Benfica, claro que sou encarnadíssimo.

Lembro-me aliás de ver clubes “desaparecidos” da ribalta, como o Barreirense, o Atlético, a Académica, o Vitória de Setúbal, o Beira Mar, o Leixões ou o Belenenses – já para não falar na CUF – jogarem nas competições europeias, como a Taça dos Vencedores das Taças e a Taça UEFA – antecessoras das atuais Ligas Europa e Conferência – e de entusiasticamente tomar o partido desses clubes portugueses mais pequenos. David contra Golias, era o que nos fascinava, esperando por vezes um milagre.

Desde criança, fiz coleção de cromos dos jogadores dos clubes, com cadernetas coloridas que tentávamos preencher a pouco e pouco.

O Herculano, que vivia nas imediações da minha rua, a Rua Marechal Carmona – hoje Avenida 25 de Abril – em Santarém, tornou-se repentinamente no meu melhor amigo porque… tinha o Lobo do Boavista (cromo mais raro) para a troca e fez a transação comigo.

Mas sobretudo, do que eu sempre gostei foi de bom futebol, ao ponto de ficar fascinado por uma equipa do meu suposto clube arquirrival: na época 1993/94, treinada por Bobby Robson com Stan Valckx, Peixe, Paulo Sousa, Balakov, Cherbakov, Luís Figo, Capucho, Juskowiak, Cadete, Iordanov e Amunike. Que futebol!

Talvez porque tivesse uma espécie de mistura feliz de pragmatismo britânico e futebol direto com talento latino, capacidade eslava e perfume africano, aquela equipa encheu-me as medidas, ao ponto de, já nessa altura, me fazer crescer dúvidas no espírito sobre o meu verdadeiro sentimento de pertença em termos futebolísticos.

E também adoro uma boa festa! No ano 2000, quebrando um jejum de 18 anos, o Sporting foi campeão e foi fantástico o festejo com os meus amigos “lagartos” – que são muitos.

Costuma-se dizer que mudamos de carro, de casa, de cônjuge, mas nunca de clube… tenho as minhas dúvidas e que o digam o Eurico, o João Pinto ou o João Mário – embora estes tenham sido ou sejam, sobretudo, profissionais com toda a legitimidade para auferir melhor rendimento em cada momento.

Concluindo, o que me faz efetivamente vibrar a sério no futebol, com nervoso miudinho e aumento da frequência cardíaca, é mesmo só a nossa seleção, começando logo na altura de entoar o hino nacional antes do jogo.

Desse sentido de pertença não consigo mesmo abdicar. Não é que queira abdicar dos outros, mas isso simplesmente vai acontecendo.

Sou de Santarém! Sou Ribatejano! Sou Português! De resto, não me parece que seja mais coisa nenhuma.

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