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A Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Médio Tejo convocou uma vigília popular contra a instalação de uma unidade de biometano em Árgea, Torres Novas, defendendo que o equipamento não deve ficar próximo de zonas habitacionais.

Em declarações à agência Lusa, Manuel Soares, da comissão de utentes, afirmou que o objetivo da iniciativa é “não desmobilizar nem a população, nem os autarcas, nem o conjunto da opinião pública” enquanto não houver uma decisão de rejeição do projeto.

A iniciativa está marcada para as 20h30 de segunda-feira, no Largo da Igreja de Árgea, surgindo numa altura em que o movimento ganhou novo impulso com a adesão de oito presidentes de câmara da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo ao abaixo-assinado “Não à Unidade de Biometano em Árgea e na Região do Médio Tejo”, que reúne já mais de seis mil assinaturas.

Manuel Soares defendeu que uma unidade desta dimensão não deve ser instalada junto “a zonas habitacionais ou com atividade humana”, argumentando que existem dúvidas por esclarecer sobre transportes, tráfego rodoviário e potenciais odores associados à exploração da unidade.

Segundo o responsável, a unidade prevê a movimentação diária de cerca de 300 toneladas de matérias-primas, incluindo estrumes e resíduos agropecuários, o que, poderá traduzir-se “em dezenas de camiões a circular por localidades da região”.

Manuel Soares defendeu que existem zonas industriais mais adequadas para acolher este tipo de projetos, incluindo locais sem habitações próximas e com acesso a infraestruturas energéticas, considerando que a escolha de Árgea resultou sobretudo “de critérios económicos”.

“O promotor disse que havia três locais possíveis e acabaram por escolher Torres Novas por uma questão de viabilidade económica. Estas questões não podem ser assim tratadas”, declarou.

Além da recolha de 6.000 assinaturas, a contestação ao projeto levou vários órgãos autárquicos da região a pronunciarem-se contra a instalação da unidade, indicou Manuel Soares.

Segundo o dirigente, juntas de freguesia, assembleias municipais e câmaras municipais já aprovaram posições desfavoráveis à instalação desta unidade.

A lista de subscritores inclui os presidentes das câmaras de Torres Novas, Entroncamento, Mação, Constância, Sardoal, Ourém, Abrantes e Vila Nova da Barquinha, bem como do presidente da CIM Médio Tejo.

O responsável considerou que a adesão de oito presidentes de câmara do Médio Tejo ao abaixo-assinado demonstra que os autarcas “veem o óbvio” e assumem esta reivindicação “como uma causa comum das populações da região”.

Manuel Soares defendeu ainda que o projeto avançou “sem um adequado conhecimento por parte das populações”, argumentando que muitos habitantes desconheciam a existência da unidade e até o próprio conceito de produção de biometano.

O dirigente considerou igualmente que a mobilização registada nos últimos meses demonstra “o crescente envolvimento da população”, salientando que o abaixo-assinado esteve disponível em cerca de 290 locais e que os promotores da contestação contactaram diretamente com milhares de pessoas em toda a região.

Após a vigília, a comissão de utentes pretende contactar ainda todos os grupos parlamentares e continuar a prestar informação aos autarcas e restantes entidades da região sobre o processo.

Em causa está o projeto da empresa Gasdaterra para a instalação de uma unidade de produção de biometano em Árgea, na União de Freguesias de Olaia e Paço, concelho de Torres Novas.

De acordo com os documentos submetidos a consulta pública, a infraestrutura deverá ocupar cerca de 4,8 hectares, ter uma vida útil estimada de 30 anos e capacidade para tratar aproximadamente 100 mil toneladas anuais de resíduos biodegradáveis.

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