A Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos MURPI exige um plano estratégico de protecção das pessoas idosas nos lares e reclama a urgente criação de uma rede pública de equipamentos sociais a ser gerida pelo Estado.

Numa moção aprovada na terça-feira e hoje divulgada, a confederação reclama medidas urgentes da Segurança Social que ponham cobro aos dramas vividos por centenas de pessoas idosas residentes em lares.

“A pandemia provocada pela covid-19 veio demonstrar a fragilidade destas entidades, muitas delas desprovidas de um plano de contingência coerente, aliada à insuficiência de estruturas de habitabilidade e à exiguidade do número de trabalhadores adequados ao seu funcionamento” refere o Murpi.

Segundo o Murpi, se muitas das estruturas residenciais legais mostraram debilidades, a existência de outros milhares de lares não licenciados, além de demonstrar a necessidade de haver resposta adequada do Estado às necessidades de uma população envelhecida e dependente, prenunciam situações mais gravosas, sob o ponto de vista sanitário que irão, seguramente, agravar o panorama da morbimortalidade destas pessoas.

“Quantas mais têm de morrer para que o Governo assuma a responsabilidade da segurança e do tratamento médico atempado das pessoas idosas residentes em lares?”, questiona.

Esta insuficiência agora demonstrada, acrescenta o Murpi, vem de há dezenas de anos, em que os Governos da responsabilidade do PS, do PSD e do CDS-PP não assumiram as suas responsabilidades constitucionais, delegando-as noutras instituições que cronicamente as subfinanciam.

A Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos MURPI engloba, actualmente, sete federações (Beja, Évora, Leiria, Lisboa, Porto, Santarém, Setúbal) e 170 associações situadas nos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Leiria, Castelo Branco, Lisboa, Santarém, Setúbal, Évora, Beja, Portalegre e Faro.

Segundo os últimos dados da Direção-Geral da Saúde, existem actualmente 51 surtos activos em lares de idosos, sendo o maior número na região de Lisboa e Vale do Tejo.

A 16 de Setembro a ministra da Saúde disse no parlamento que mais de 1.300 lares de idosos já receberam a visita de equipas multidisciplinares, metade das 2.628 instituições que estão recenseadas na base de dados para visitas.

As visitas destas equipas têm como missão acompanhar regularmente os planos de contingência nos lares e a sua aplicação.

Marta Temido reconheceu que o apoio médico aos lares de idosos é “um dos problemas” que estão em cima da mesa, afirmando tratar-se de “realidade que foi difícil de enquadrar” legalmente.

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