Correio do Ribatejo – 129 Anos: Um ponta-de-lança do associativismo

Trabalho, dedicação e paixão tem sido a receita de Rui Manhoso tanto na vida como no trabalho que tem desenvolvido em prol do desenvolvimento do futebol no País. Actualmente, é director da Federação Portuguesa de Futebol, com o pelouro do futebol não-profissional, depois de ter liderado, ao longo de 24 anos, a Associação de Futebol de Santarém. Para o órgão máximo do futebol português, Rui Manhoso aportou todo um capital de conhecimento e experiência que começou a consolidar muito cedo: ainda jovem, foi um dos fundadores do Atlético Clube da Avenida, em Santarém, e o “bichinho” ficou-lhe no sangue. Jogou, como federado, nos Leões de Santarém e tornou-se num verdadeiro ponta-de-lança do associativismo desportivo porque, segundo diz, “gostava de colaborar com todas as pessoas, gostava de ajudar, para que o futebol do distrito tivesse um grande desenvolvimento”. E, de facto, ao longo de mais de duas décadas de trabalho na AFS, Rui Manhoso deixou uma marca indelével: a construção de uma nova sede, as medidas tomadas na defesa dos interesses dos clubes, a formação de dirigentes e o incremento do futebol jovem. Todo este percurso é homenageado pelo Correio do Ribatejo no âmbito do seu 129º Aniversário, um jornal que, reconhece, tem feito muito no apoio ao associativismo desportivo do distrito.

Durante 24 anos, Rui Manhoso foi presidente da Associação de Futebol de Santarém (AFS), cargo que deixou de exercer no início de 2012. Saiu pela porta grande – porque sabia que tinha a casa feita e os alicerces para o projecto continuar com outros – para ocupar uma das vice-presidências da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), com a sua responsabilidade a passar pelas Associações Distritais e pelo Futebol não profissional. A partir desse momento, passou a vestir a camisola de todos os clubes.

Para este novo desafio, Rui Manhoso levou todo o seu capital de conhecimento e uma larga experiência acumulada, mas o cargo não o faz esquecer o quarto de século em que dirigiu os destinos do futebol ribatejano, tendo lutado com afinco e determinação pela sua afirmação, desenvolvimento e captação de apoios.

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O futebol corre-lhe nas veias: ainda jovem, foi um dos fundadores do Atlético Clube da Avenida, em Santarém, chegou a jogar federado nos Leões de Santarém e no União de Santarém, clube que, anos mais tarde, viria a dirigir: “gostava de colaborar com todas as pessoas, gostava de ajudar, para que o futebol do distrito tivesse um grande desenvolvimento e foi por aí que comecei, cada vez mais, a tomar o gosto pelo associativismo”, refere, acrescentando: “era o que mais gostava. Discutir em grupo e lançar ideias novas”.

Rui Manhoso não esquece a época em que o Santarém foi campeão nacional da 3ª divisão: “o desenvolvimento mais relevante foi toda a circunstância de querer constituir uma direcção jovem, com muita actividade, com muita força. E fizemos coisas que, penso, nessa altura, foram altamente interessantes para o futebol”, considerou Rui Manhoso.

Após esta passagem pela direcção do clube que está no coração da cidade, foi convidado para a Associação de Futebol de Santarém, como secretário-geral, e, cerca de um ano depois, assumiu a presidência daquele organismo.
“Fui para secretário geral, mas comecei logo a fazer o papel de presidente porque o presidente de então era um bocadinho ausente. Depois, fui eleito presidente e mantive sempre esse espírito de trabalhar em equipa”, recorda.

Ao longo das mais de duas décadas em que dirigiu o futebol distrital, foram também muitos os momentos que o marcaram, mas, o Torneio das Regiões da UEFA, em que “juntámos à mesma hora todos os distritos e que nos valeu o prémio da FIFA e da UEFA” foi aquele que lhe ficou na retina.
“Penso que é um momento glorioso, saído de uma ideia que, se calhar, era impensável”, recordou Rui Manhoso que, ao longo da sua presidência manteve sempre um relacionamento de cordialidade e proximidade com todos os agentes desportivos e com as próprias câmaras de todo o distrito: “é algo de que me orgulho”, afirma.

Esta capacidade de trabalho e de diálogo permanente permitiu a Rui Manhoso concretizar um dos grandes objectivos enquanto presidente da AFS: a construção da sede: “tive sorte. As ideias surgem, mas é preciso sorte”, confessa. Para além da sede, Rui Manhoso deixou ainda marcas indeléveis, tendo tomado inúmeras medidas na defesa dos interesses dos clubes, a formação de dirigentes e o incremento do futebol jovem.

Mas essa sorte, acrescentamos nós, requer muito trabalho e dedicação, qualidades que Fernando Gomes, presidente da Federação Portuguesa de Futebol reconheceu em Rui Manhoso quando o convidou a assumir uma das vice-presidências do organismo. Já lá vão oito anos. Rui Manhoso avocou, no primeiro mandato do organismo máximo do futebol português, a vice-presidência com a responsabilidade pelas Associações de Futebol Distritais e o futebol não profissional. No segundo mandato na FPF, numa reestruturação directiva do organismo, passou a director do mesmo, desempenhando as mesmas funções: o homem certo, para o lugar certo.

“Tem sido uma experiencia extremamente enriquecedora, que me tem dado muito prazer desenvolver, que é trabalhar com o futebol dito amador, com a ligação às associações e aos clubes. É um percurso que tenho realizado com agrado e empenho, na perspectiva de melhorar um pouco as dificuldades do futebol não profissional e de tentar canalizar apoios”, refere.

Rui Manhoso é também responsável pelos torneios que se realizam da base associativa, como é o caso do Torneio Lopes da Silva, e tem colaborado, tal como os outros elementos da direcção, no acompanhamento das selecções da parte da formação ao estrangeiro.

Segundo refere, o futebol amador sempre foi “parente pobre” e, por isso, preocupa-o a actual conjuntura: “a federação tem, neste mandato, apoiado os clubes. Mas este esforço será sempre insuficiente para estes, pelos encargos enormes que têm. É sabido que os apoios para o futebol amador no País são praticamente nulos, os custos do futebol são muitos e a manutenção dos clubes vivia muito à base de subsídios camarários, alguns apoios do próprio futebol, da federação e associações. Agora, com a situação actual, eu fico preocupado: como vai ser o futebol, como vão ficar as autarquias? A prioridade número um está, naturalmente, no serviço de saúde… esta é a grande interrogação. Reestruturação de campeonatos? Menos clubes a disputar campeonatos nacionais e mais a disputar as distritais? Talvez… E os clubes que estão nas provas nacionais, podem continuar como estão? Penso que não….”, reflecte.

“As associações são, digamos, o nosso ‘braço armado’, o braço de ligação. Foram dados apoios diferentes dos que existiam, e foram dadas condições para o seu desenvolvimento. E eles estavam a aproveitar esta oportunidade”, refere, concluído: “os clubes, agora, têm que saber gerir aquilo que têm, porque, se não tiverem valores para tal, certamente não podem estar nos campeonatos nacionais”, adverte.

Do alto da sua experiência, Rui Manhoso faz questão de deixar um conselho: “deve haver uma nova mentalidade no futebol, sem rivalidade, onde todos possamos jogar, sem batota, com as mesmas condições. Quando falo de batotas, digo que todos têm que cumprir com as suas responsabilidades. E digo isto nos distritais e nacionais. Faz sentido haver campeonatos nacionais se, à partida, todos tiverem as mesmas condições para a prática e se todos cumprirem, e quem não cumprir tem que se sujeitar a algumas penalizações que podem ir, possivelmente, até à perda dos lugares que ocupam”.

Nesse sentido, Rui Manhoso deixa um repto: “os clubes precisam de ser realistas e viver com o país que vamos ser”.

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