A empresa de curtumes Couro Azul, em Alcanena, está a investir 10 milhões de euros na ampliação da zona de acabamento da pele e numa nova área de corte de couro, visando reforçar a capacidade produtiva.

Pedro Carvalho, presidente do conselho de administração da Couro Azul, empresa do Grupo Carvalhos e situada em Gouxaria, Alcanena (Santarém), disse à  que a nova área de corte se insere na estratégia de acrescentar valor à produção, sendo que 70% do couro é fornecido “em ‘kit’, como peça cortada”.

A necessidade de dar resposta aos clientes, entre os quais se encontram marcas de prestígio do sector automóvel, mas também da aeronáutica e da ferrovia, tinha obrigado já ao aluguer de um pavilhão com 5.000 metros quadrados, adiantou.

Concluídas as obras no próximo ano, o equipamento será transferido para a zona de produção da unidade principal, “para ganhar em termos de eficiência, de eficácia, para poder ganhar valor e aumentar a capacidade de corte, disse.

Com 530 funcionários e um volume de negócios que ronda os 70 milhões de euros, a Couro Azul exporta 87% da sua produção para 25 países, sublinhando Pedro Carvalho as condicionantes com que as empresas exportadoras se deparam, nomeadamente em termos logísticos e de licenciamento industrial.

Reconhecendo a existência de medidas de apoio à indústria, nomeadamente para a internacionalização e o refinanciamento, o empresário pediu “reformas de fundo” em áreas de interesse geral para a sociedade, “mas que condicionam o desenvolvimento empresarial”, como a Justiça, a burocracia, os custos de contexto e a escassez de trabalhadores, já não apenas de quadros intermédios, mas também de operadores não qualificados.

Em particular, lamentou que os empresários “não saibam quem os tutela em termos de licenciamento industrial” e que não sejam resolvidas questões de logística que afectam as empresas exportadoras.

“Deveria investir-se na ferrovia, nos portos, para facilitar o escoamento dos nossos produtos. Fruto do grande esforço empresarial conseguimos ser competitivos, mas depois, em questões logísticas, não podemos esquecer que estamos a uma ponta, longe do centro da Europa, onde estão os principais mercados”, salientou.

No discurso perante o primeiro-ministro e o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, o empresário pediu que, a nível europeu, seja “defendida a denominação couro e a sua autenticidade, contra o uso abusivo do termo na comercialização de produtos não naturais”.

Pedro Carvalho recordou que o grupo, que assinala em 2019 os 80 anos da sua criação, se baseou no conhecimento e na tradição, tendo demonstrado ao longo dos anos capacidade de se adaptar às “mudanças de paradigma tecnológico através da inovação e da qualidade” e de antecipação estratégica das evoluções do mercado, como fizeram o seu pai e o seu tio em 1989 com a entrada no sector automóvel, antecipando a crise do calçado que tanto afectou o sector.

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