foto João Pachorra
foto João Pachorra

O antigo presidente da Associação de Defesa do Património de Santarém, Vasco Serrano, considera necessária uma intervenção arqueológica no sítio onde colapsaram recentemente estruturas em alvenaria de pedra, na Linha do Norte, na Ribeira de Santarém.

O arquitecto solicitou essa intervenção aos serviços oficiais de arqueologia da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR LVT), uma vez que esse local, afirma, pode ser de interesse arqueológico.

“Tendo investigado a origem das pedras de alvenaria, é material reaproveitado proveniente quer de demolições de antigos edifícios que se implantavam no local onde atualmente passa a Linha, sendo ainda de referir que as pedras da componente conventual de Stª Clara e de todo o Convento de S. Bento foram também utilizadas quer na construção da Ponte, quer no sustento de barreiras e novos traçados de ajustamento das antigas calçadas face aos novos acessos do Planalto de Santarém à Ponte D. Luís, e na construção de muros de contenção da linha, tudo planeado/ construído nos anos 80 do século XIX”, explica Vasco Serrano na missiva dirigida a António Batarda Fernandes, Chefe da Divisão de Património Cultural da CCDR Lisboa e Vale do Tejo.

“Proponho, assim, que diligencie as Infra-estruturas de Portugal a triar possível valor arqueológico de elementos que estejam nos escombros”, apela o antigo presidente da Associação de Defesa do Património de Santarém.

Recorde-se que foi a 19 de Janeiro último que se deu a derrocada de um muro de sustentação na Ribeira de Santarém, junto à linha ferroviária do Norte, o que causou o corte da circulação ferroviária no sentido Norte-Sul.

O alerta para a ocorrência foi dado pelas 16h30, hora à qual a linha ficou interrompida. A derrocada não causou qualquer vítima.

Causas de desabamento de terras junto à estação de Santarém ainda por apurar

As causas de um desabamento de terras que ocorreu no passado dia 19 de Janeiro (sexta-feira) na Estrada Nacional (EN) 365, junto à estação ferroviária de Santarém, estão ainda por apurar, referiu a Infraestruturas de Portugal (IP) à Lusa.

Segundo a IP, a causa ou causas que potenciaram o incidente serão apuradas no âmbito de um processo de averiguação que está ainda a decorrer.

O incidente resultou no colapso de uma parte do passeio e do estacionamento da EN365 sobre a Linha do Norte, causando interrupções significativas na circulação ferroviária e rodoviária.

A IP confirmou à Lusa que estão a ser implementadas várias medidas para “mitigar os riscos à segurança e circulação”, entre elas a “aplicação de telas impermeabilizantes, a instalação de uma barreira na base do talude para reter material e o balizamento do tráfego na EN365 para evitar a sobrecarga do topo do deslizamento”.

Para além destas intervenções, a IP está a planear uma “intervenção mais profunda, a ser executada a médio prazo, que assegurará a reposição das condições de suporte de terras”.

A IP adianta ainda, em resposta a questões colocadas pela Lusa, que os custos da intervenção só poderão ser “determinados após a definição e desenvolvimento das soluções técnicas mais adequadas”, que serão “objecto de um projecto específico”.

Por agora, a IP mantém o local sob avaliação no sentido de actuar de imediato, caso sejam identificadas eventuais alterações.

Em declarações à Lusa, o presidente da Câmara de Santarém, Ricardo Gonçalves, disse ter ficado “preocupado com o deslizamento de terras”, adiantando que a IP tem em mãos um projecto que prevê a construção “de uma passagem desnivelada e alguma requalificação na estação ferroviária de Santarém”.

O projecto, segundo o autarca, foi apresentado à câmara em 2020.

Durante o fim de semana de 20 e 21 de Janeiro, o PCP e o Partido Ecologista “Os Verdes” alertaram para a necessidade de uma intervenção mais profunda na consolidação das encostas, sobretudo no planalto de S. Bento, que fica junto à estação ferroviária de Santarém e é uma das encostas mais instáveis de todo o planalto escalabitano.

Num comunicado divulgado no sábado, Os “Verdes” pediram esclarecimentos às Infraestruturas de Portugal e à Câmara de Santarém sobre o incidente, nomeadamente sobre as causas específicas que levaram ao deslizamento de terra.

Já a comissão concelhia de Santarém do PCP exigiu “que o Governo reinicie a obra de reforço das barreiras de Santarém”, de modo a que as ocorrências de períodos de chuva “não provoquem deslizamentos de terras nas barreiras em volta da Cidade”, e defendeu “a alteração do traçado da Linha do Norte, a reabilitação de toda a encosta e o fim da pressão urbanística no topo superior das barreiras”.

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