Covid-19 deixa campeonatos e eventos desportivos parados na região. Saiba o que dizem os protagonistas

Campeonatos parados, torneios cancelados e jogadores sem treinar, esta é actualidade do mundo do desporto na região, no país e no mundo. O Correio do Ribatejo esteve à conversa com treinadores, dirigentes, jogadores e árbitros para saber a opinião do tempo em que vivemos e das consequências que esta paragem forçada trará no futuro.

André Luís, treinador Hóquei Clube “Os Tigres”

“Está em jogo a responsabilidade de cada um e o cumprimento do plano de segurança individual para podermos proteger todos”

Que tipo de implicações tem esta paragem forçada no ritmo da equipa e até nos treinos?
As implicações que esta paragem tem não se podem sequer comparar, numa prioridade que se coloca à frente de tudo, às implicações que a continuidade das competições teria para a saúde pública. Como é óbvio parar agora a competição e os treinos de conjunto acaba por deixar para trás algum do trabalho realizado ao longo de seis meses, principalmente no capítulo físico, pois as cargas vão diminuir necessariamente, tendo em conta que trabalhar em casa individualmente não é a mesma coisa do que trabalharmos juntos no pavilhão.

PUBLICIDADE

Concorda com as medidas tomadas pela Federação de Patinagem de Portugal?
Concordo plenamente com as medidas implementadas pela Federação, pela Direção-Geral de Saúde e pelo Governo, pois todo o cuidado é pouco e temos de nos guiar pelo exemplo de outros países europeus, que estão neste momento no epicentro do surto de Covid-19, perto do pico de casos, e que tomaram medidas mais drásticas de forma tardia não impedindo a escalada de vítimas diária. Recordo que, segundo os especialistas isto não é parecido com o vírus da gripe. É pior! Estima-se uma mortalidade de 4 por cento, cerca de oito vezes superior à do vírus da gripe. Assim sendo, todos temos um papel a desempenhar, acima de tudo temos de agir de forma consciente, sem alarmismos, mas procurando fazer os possíveis para conter as consequências. Deste modo, não fazia sentido mantermos as competições em actividade, jogando à porta fechada ou limitando a lotação nos pavilhões a 50% da sua capacidade máxima, pois isso não impediria a propagação do vírus, antes pelo contrário, seria um foco grande de transmissão.

Qual é o estado do balneário? O surto provocou algum receio entre os jogadores e equipa técnica?
Os atletas estão informados, alerta e preocupados com a situação geral que se vive. O facto de termos nove atletas a deslocarem-se diariamente de Lisboa para Almeirim e vice-versa, numa viatura única, acabou por alarmar um pouco as hostes, mas na passada quarta-feira (11 de Março) à noite a Comissão Administrativa e a Equipa Técnica tomaram a decisão conjunta de parar as viagens e consequentemente os treinos presenciais. Foi uma decisão que teve em conta as demandas das autoridades competentes e que colocou a saúde pública em primeiro lugar. Deste modo todos estamos mais tranquilos e à espera de percebermos a evolução da situação nos próximos dias. 

O clube vai continuar a treinar?
Estamos a acompanhar ao minuto o evoluir da situação e as informações que nos vão chegando das instâncias superiores. Cada atleta está a cumprir o isolamento social voluntário da forma possível, relembrando que não somos profissionais da modalidade, os atletas estudam na sua grande maioria e trabalham, sendo que temos atletas em casa em teletrabalho e outros que se têm de deslocar aos seus empregos, pelo que os focos de transmissão do vírus não estão totalmente controlados. As ordens que os atletas têm são para permanecerem em isolamento social em suas casas, o máximo de tempo possível, e estão a ser traçados pela equipa técnica planos de treino diários, como é óbvio com incidência na componente física, para que cada um os possa realizar em casa ou perto da sua área de residência, de preferência individualmente e ao ar livre, em ambiente minimamente controlado e sem aglomerados. Quem reside em apartamentos tem dificuldade em conseguir cumprir os requisitos, mas em alternativa terá de realizar os treinos dentro de casa.

Como é que a equipa se vai apresentar assim que a competição voltar ao activo?
A equipa d’Os Tigres vai estar em pé de igualdade com todos os seus adversários, pois neste momento todos os clubes têm os seus atletas em casa a realizarem treinos individualizados, sendo que acredito que qualquer decisão de retoma da competição possa surgir algumas semanas mais à frente e deverá dar tempo a todas as equipas de terem um tempo mínimo de pelo menos uma semana para se prepararem em conjunto. A única certeza que tenho é que ninguém se apresentará no seu esplendor físico e as rotinas poderão estar menos consolidadas do que na altura da interrupção competitiva. Termino dizendo que não está em jogo se custa muito ou não, se há interrupção na luta pelo título ou pela manutenção, está em jogo a responsabilidade de cada um e o cumprimento do plano de segurança individual para podermos proteger todos! Por isso…fiquem em casa e cumpram com as normas impostas, pois juntos venceremos esta partida!


Carlos Esteves, presidente da Associação Académica de Santarém

“A revolta da não realização do torneio este ano vai-nos dar força para trabalharmos para fazer algo ainda com mais qualidade”

A Associação Académica de Santarém viu-se obrigada a cancelar o Santarém Cup. Que tipo de implicações tem esta medida para o clube?
Foi uma decisão ponderada e acertada, visto que a saúde está em primeiro lugar. A não realização do torneio teve um impacto bastante negativo visto que tínhamos tudo organizado e este ano era certamente o maior torneio da nossa história, quer na sua dimensão quer nos quadros competitivos, em termos financeiros vai baralhar muito as nossas contas visto ser uma boa fonte de rendimento para ajuda da tesouraria do clube, agora há que pensar em alternativas para continuar o nosso trabalho.

Anunciaram já a edição de 2021. Que pode para já prometer para esse torneio?
Bem, anunciamos a próxima edição de forma optimista, a revolta da não realização do torneio este ano, vai-nos dar força para trabalharmos para fazer algo ainda com mais qualidade, quer nos quadros competitivos, quer na organização do mesmo.

Esta paragem também nos treinos vai afectar o rendimento das equipas?
Se não houver os devidos cuidados pode sinceramente afetar o rendimento que tínhamos nesta altura do campeonato. A Académica de Santarém felizmente tem uma excelente coordenação e uma excelente equipa de técnicos, e isso faz com que eu acredite que não irá haver grandes problemas, visto que fizemos um planeamento para que os atletas fizessem treinos individuais para que não percam o respetivo rendimento, temos objetivos que queremos muito cumprir.

Este surto provocou algum receio aos jogadores e aos pais?
Se não tivéssemos tomado as devidas medidas e precauções penso que isso teria acontecido, mas tivemos o cuidado de estar bem informados e de termos reagido na altura certa, a nossa atitude foi aplaudia por todos. Como é lógico existe receio, mas iremos ultrapassar esta fase com responsabilidade e compromisso.

Concorda com as medidas tomadas pela Federação e Associação de Futebol?
Sim claro. Acho que foram as medidas certas na altura certa, é preciso coragem para as tomar, visto que esta paragem tem muitas implicações socias e económicas.

Como é que as equipas se vão apresentar assim que as competições voltarem ao activo?
Não tenho a menor dúvida que as nossas equipas vem cheias de força para continuar o trabalho que temos vindo a desenvolver. Os miúdos vão voltar com fome de bola.


Diogo Jesus, treinador do União de Almeirim SAD

“Temos a preocupação em manter todo o grupo saudável” 

Que tipo de implicações tem esta paragem forçada no ritmo da equipa e nos treinos? 
Esta paragem força-nos a mudar completamente a programação e o planeamento que já estava preparado. Tínhamos até ao momento trabalhado em função daquilo que podias-mos esperar do adversário e o que podias apresentar no Domingo. Só que neste momento essa programação de conteúdos muda, porque a preocupação agora é perceber se podemos treinar ou não, se houver a possibilidade de treinar temos que pensar que medidas de prevenção vamos implementar, em conjunto com os conteúdos a desenvolver, mas sempre respeitado a saúde e integridade de cada atleta ou elemento da equipa técnica.  

Acha que beneficia a equipa?  
Uma paragem destas poderia trazer alguma recuperação na fadiga mental dos atletas. Vejamos, já passámos da marca dos 100 treinos esta época, mais 25 jogos, para uma equipa da distrital com jogadores que trabalham oito horas antes do treino acaba por trazer um nível de fadiga elevado. Só que o problema é que esta paragem não afasta o dilema deste surto poder afectar as vidas dos atletas e isso também não ajuda na tal recuperação. A nível das questões físicas, tácticas e técnicas já não é tão benéfico, quando já estamos quase a entrar numa fase final de campeonato esta paragem acaba quebrar o tal “ritmo” competitivo e de treino. Então se não podermos treinar ainda mais prejudicial.

Concorda com as medidas tomadas pela Federação e Associação de Futebol?
Completamente de acordo com as medidas tomadas. A saúde publica deve ser colocada em primeiro, como disse Rodrigo Guedes de Carvalho “não podemos pensar que é um caso que só acontece aos outros”. 

Qual é o estado do balneário?
O foco principal é sempre o treino, os seus conteúdos e o jogo que temos para a frente. Desde início, quando começaram a aparecer as primeiras medidas, implementamo-las dentro do clube e dentro do balneário, por isso, nunca houve espaço para grandes alarmismos. Há sim a preocupação em manter todo o grupo saudável.  

O surto provocou algum receio entre os jogadores e equipa técnica?
Temos um balneário com raízes culturais muito diferentes, o que já por si é diferente na forma como assunto é encarado. Para uns o receio é maior e as medidas que já implementamos são tomadas logo, para outros é necessário consciencializar que a situação não se pode levar ânimo leve e é muito sério. 

O clube vai continuar a treinar?
Podemos confessar que pelo menos até sexta-feira não haverá treinos. A nossa grande preocupação é como conseguimos treinar de forma a manter os níveis físicos, tácticos e técnicos, mas sem afectar a saúde dos atletas e da equipa técnica, partirá muito desses aspectos se iremos treinar e como vamos treinar.

Que balanço faz até agora da temporada da União de Almeirim?
O balanço da época é muito feliz, aliás os resultados estão à vista. Continuamos dentro dos objectivos competitivos o que nos dá uma enorme motivação para continuar a trabalhar sobre a metodologia apresentado no início da época. 

Como é que a equipa se vai apresentar assim que a competição voltar ao activo?
É difícil realizar uma previsão do estado da equipa quando a competição voltar até porque está parada por tempo indeterminado. Há vários cenários que podem acontecer até que a competição volte. O mais importante é chegarmos até à reabertura do campeonato sem nenhuma baixa no plantel por causa do surto ou mesmo por lesão. O desejo passa para que tudo corra bem a nós e aos adversários, a eles também que tudo corra bem e sem nada a registar, peço desculpa, mas mais uma vez cito o jornalista Rodrigo Guedes de Carvalho “ Estamos todos no mesmo barco”.


Valter Chaparro, jogador do G.D Marinhais e treinador dos Iniciados do UFC Almeirim

“Todos compreendemos a situação grave a que chegou o país, temos que nos proteger”

Que tipo de implicações tem esta paragem forçada no ritmo da equipa e nos treinos? 
Terá um impacto significativo pois iremos estar parados algum tempo e sem previsão para regressar. Mesmo os jogadores tendo um plano de treino para efectuar em casa será sempre diferente do treino em campo ou mesmo a competição. Será uma grande quebra de rendimento.

Acha que beneficia a equipa?  
Não. Pois, como referido anteriormente, haverá uma grande quebra de rendimento.

Concorda com as medidas tomadas pela federação?
Concordo plenamente. É um caso de saúde pública. Temos de ser responsáveis e seguir todas as indicações.

Qual é o estado do balneário?
Estamos tristes. Pois treinamos diariamente para um objectivo que nos propusemos e estamos privados de o fazer. Mas todos compreendemos a situação grave a que chegou o país, temos que nos proteger e pensar que o mais importante é daqui por algum tempo possamos estar novamente juntos a fazer o que gostamos dentro do campo.

O surto provocou algum receio entre os jogadores e equipa técnica?
Sim. Claro que todos ficamos alarmados com a situação, mas tentamos seguir de imediato as normas de contingência e manter a calma.

O clube vai continuar a treinar?
Não. Todas as actividades foram canceladas.

Que balanço faz até agora da temporada?
Como jogador do G.D. Marinhais, acho que estamos a fazer uma boa época, estamos dentro nos nossos objectivos que é garantir um lugar nos três primeiros para garantir o acesso ao apuramento campeão. Em termos individuais não está a correr como esperava devido às lesões. Sendo também treinador do UFC Almeirim no escalão de Iniciados, a época está a correr muito bem tendo já garantido o nosso objectivo que era a manutenção na 1° Divisão Distrital. Neste momento estamos na fase de apuramento de campeão para subir ao Nacional de Iniciados. Agora será jogo a jogo e no fim iremos fazer as contas.

Como é que a equipa se vai apresentar assim que a competição voltar ao activo?
Será uma incógnita pois não sabemos por quanto tempo vão estar paradas as competições. Esperamos que tudo se resolva o melhor possível pois em primeiro está a nossa saúde.


Jorge Peralta, treinador Clube Desportivo Amiense

“Não sabemos quando é que voltamos a competir, cada atleta tem de ser responsável”

Que tipo de implicações tem esta paragem forçada no ritmo da equipa e nos treinos? 
Claro que esta paragem forçada vai ter implicações em todas as equipas e o Amiense não foge a regra, estávamos numa boa fase onde nos últimos 13 jogos só perdemos com o líder do campeonato, tivemos de parar de treinar para nos precavermos de alguma contaminação do vírus.

Acha que beneficia a equipa?  
Não beneficia a equipa, nem todas as outras mas é necessário nesta altura. O campeonato vai parar por tempo indeterminado. Para bem da saúde de todos. 

Concorda com as medidas tomadas pela Federação e Associação?
Sim, concordo.

Qual é o estado do balneário?
Neste momento é de preocupação.

O surto provocou algum receio entre os jogadores e equipa técnica?
Provocou em toda a gente, estamos como o país em estado de alerta máximo e estamos perante uma pandemia que está a matar muitas pessoas no mundo.

O clube vai continuar a treinar?
Como responsáveis que somos no final do treino na terça-feira (10/03) decidimos parar com toda a actividade de treinos da equipa sénior. Vamos parar até as coisas ficarem normalizadas.

Que balanço faz até agora da temporada do Amiense?
O balanço é positivo, estamos com 35 pontos em 21 jornadas, o objectivo do clube era a manutenção, e já está conseguido. Ainda faltam algumas jornadas e queremos fazer a melhor classificação possível.

Como é que a equipa se vai apresentar assim que a competição voltar ao activo?
Essa questão é difícil de responder, neste momento o mais importante é conseguirmos controlar esta pandemia, os campeonatos estão suspensos por tempo indeterminado, não sabemos quando é que voltamos a competir, cada atleta tem de ser responsável, tentar cuidar do seu estado físico sem colocar a sua saúde em risco. Quando a FPF e a Associação de Futebol de Santarém em comunicado disseram que os campeonatos podem continuar, o Amiense voltará aos treinos, até lá vamos estar parados.


Francisco Corte-Real, jogador Moçarriense

“Vamos voltar ainda com mais força”

Na sua opinião, que tipo implicações tem esta paragem forçada no ritmo da equipa e nos treinos? 
A paragem vai ser complicada para todas as equipas porque vai quebrar o ritmo de cada jogador. Acho que uma das medidas, depois de esta situação serenar, era darem duas semanas para as equipas recuperarem a forma física.

Acha que beneficia a equipa?
Não sei se vai beneficiar ou não, mas acredito que vamos voltar ainda com mais força.

Concorda com as medidas tomadas pela Federação e Associação?
Sim, concordo com a decisão da Federação pois a saúde está em primeiro lugar e sem ela não podemos correr atrás da bola.

Qual é o estado do balneário? Vão treinar?
O estado do balneário é de alguma preocupação, alguns dos jogadores até disseram mesmo que não iam treinar mais, antes destas novas medidas. A equipa não vai continuar a treinar, respeitando a decisão da Federação.

O surto provocou algum receio entre os jogadores e equipa técnica?
Penso que não. Estamos sem bola há alguns há alguns dias e sem o ambiente de balneário mas a equipa vai aparecer com mais vontade de correr atrás da bola

Que balanço faz até agora da temporada?
O balanço da temporada não tem sido fácil, pois temos um plantel muito curto e além disso temos tido lesões muito graves, consequentemente os resultados não tem sido os melhores. Mas acredito que no final vamos conseguir o nosso objectivo.


Anthony Silva, árbitro AF Santarém

“Nada mais é importante que a saúde porque sem saúde, não há jogos”

Como árbitro que tipo de implicações tem esta paragem forçada?
Acho que o mais importante é a saúde pública e o bem-estar da população, nada mais importa.

Acha que é benéfica para todos?
Acho que as medidas devem ser tomadas e cumpridas por toda a população em geral, que deve tomar consciência. Nada mais é importante que a saúde porque sem saúde, não há jogos.

Concorda com as medidas tomadas pela Federação e Associação?
Concordo totalmente, penso que são adequadas.

O surto provocou algum receio entre a classe de arbitragem?
O surto provoca receio na população em geral, a classe de arbitragem não é excepção.

Qual é a sua opinião sobre as suspeitas de corrupção que estão a surgir no sector?
Acho que devem investigadas e deixar as autoridades e a justiça tirar as suas conclusões.

Até onde espera chegar no mundo da arbitragem?
Até onde for possível chegar… não faço planos. Andamos na arbitragem por amor, por ser um agente importante na gestão do jogo e da sua justiça para no fundo haver verdade desportiva.


André Luís, treinador União Desportiva de Santarém

“O futebol é apenas a coisa mais importante depois de todas as outras coisas realmente importantes”

Que tipo de implicações tem esta paragem forçada no ritmo da equipa e nos treinos? 
Neste momento e com toda a velocidade das coisas a acontecer é impossível ter a percepção certa das implicações que possa vir a ter. Para já parar 4/5 dias não é de todo grave, mas como parece ser o caso, iremos parar bem mais que isso já é deveras preocupante em termos de tudo o que envolva as rotinas e intensidades individuais e colectivas. Treinar não é mais que hábito, seja ele físico, técnico, táctico ou outro e quando o deixamos de fazer vai-se perdendo esse hábito que se adquire com maior ou menor rapidez mediante o tempo de inactividade. Portanto vamos analisando dia-a-dia, sabendo quanto mais dias passam mais preocupante é a situação.

Acha que beneficia a equipa?
Vendo do ponto vista global e apenas puramente desportivo a nossa equipa chega a esta fase da época com pelo menos 28 treinos (1680 minutos; 70horas) a menos que a grande maioria dos nossos adversários. São muitas horas a menos de hábitos, de rotinas. Que só nos iria beneficiar se os nossos adversários parassem e nós continuássemos a treinar, o que não irá acontecer. Vendo pelo lado positivo, a maioria dos meus jogadores que juntam outra actividade ao futebol, o que é muito desgastante, pode ser benéfico a nível recuperar de todo esse cansaço acumulado, físico e mental, que vão tendo com o decorrer da época. Porque quem compete nestes moldes terá sempre a ausência de um tipo de treino que é o “treino descanso”, porque descansar também faz parte do processo de treino e do maior ou menor rendimento, e eles isso não tem e é muitíssimo importante.

Concorda com as medidas tomadas pela federação?
Obviamente que as medidas da federação foram ajustadíssimas, embora quase cometendo um erro de permitir que se jogasse à porta fechada, ainda foram a tempo de o emendar. Todos sabemos da importância que o futebol tem na sociedade, mas o futebol é apenas a coisa mais importante depois de todas as outras coisas realmente importantes. E com o poder que o futebol tem, com toda a sua capacidade aglutinadora, todo o seu impacto na sociedade acho que podemos e devemos fazer jus a isso, unirmo-nos todos por esta causa social que é transversal a todos e ser ele, o futebol, um dos grandes mentores da consciencialização de todos nós.

Qual é o estado do balneário?
O balneário neste momento está bem, apenas quer que tudo se ultrapasse da forma mais rápida possível e com os menores danos possíveis para todos. O importante neste momento é realmente estar com a nossa família, protegidos e salvo desta pandemia e fazermos a nossa parte enquanto cidadãos. Neste momento o “balneário” é Portugal inteiro e temos que estar mais unidos que nunca. Porque só grandes balneários têm capacidade para superar grandes desafios.

O surto provocou algum receio entre os jogadores e equipa técnica?
Obviamente que sim, os jogadores de futebol ao contrário do que muita gente parece pensar são cidadãos normais iguais a todos os outros, tem família, sentimentos, erram e acertam, decidem mal e bem. E mesmo os que ganham muito dinheiro jogam por paixão, ainda mais no nosso contexto que o que levam para casa jamais será suficiente para suprimir todas as nossas ausências e isso não se consegue explicar. Estamos conscientes que somos apenas parte do espectáculo, e que sem adeptos esse espectáculo jamais fica completo. Portanto rapidamente percebemos que quanto mas célere e melhor fizermos as coisas, mais rapidamente poderemos voltar para onde verdadeiramente gostamos de estar… num campo de futebol com as bancadas cheias a apoiar-nos.

O clube vai continuar a treinar?
O clube cessou toda a actividade tal qual como todos os restantes, seria imoral que fosse ao contrário. Logicamente que fizemos chegar a todos os atletas um plano de treino individual que irão cumprir mediante a disponibilidade, tanto de espaços físicos, de material que possam ter em sua posse. E iremos estar em contacto permanente com eles de modo a que no caso do regresso da competição possamos estar minimamente preparados para competir.

Que balanço faz até agora da temporada da União Desportiva de Santarém?
A época da União de Santarém, tem sido primeiro uma época de aprendizagem nem tanto para jogadores e equipa técnica, mas essencialmente para toda a restante estrutura. Visto ser um campeonato já muito profissionalizado em todos os aspectos. A nível desportivo sabíamos ao que íamos, sabíamos que ia ser um ano cheio de coisas novas, uma equipa 80 por cento nova, uma equipa técnica nova no clube, um departamento médico novo e tudo isso implica novas dinâmicas, e para ser ter novas dinâmicas é preciso tempo, ainda para mais no nosso contexto onde mais de 80% tem outra actividade, onde 90 por cento fazem cerca de 200km/dia para vir treinar ao início da noite. Mas também quando iniciamos esta caminhada sabíamos que isso seria muito longe do ideal e que podia pesar em determinada altura e que teríamos que nos agarrar ao que melhor tínhamos, a nossa ambição, toda a vontade de fazer bem e a aprendermos rapidamente que os erros que eventualmente iriamos cometer.
Desportivamente falando, queríamos estar melhor classificados numa série bastante competitiva. Não estamos confortáveis, e logicamente também para nós e para quem nos acompanha mais de perto fica fácil de perceber que para o nível futebol que temos praticado podíamos e deveríamos ter mais alguns pontos, que nesta série quase nos poderia colocar num lugar bem perto dos primeiros lugares. Mas temos que olhar para a realidade e essa diz-nos que temos que fazer mais e melhor, que temos que olhar para dentro e mais do que nunca perceber o que precisamos nesta altura. Nesta altura precisamos de pontos, seja com um futebol mais ou menos espectacular, mais ou menos agradável. Até porque muito dos pontos que deixamos de ganhar foi por vermos sempre o jogo de uma forma pura, sem anti-jogo, e sem malandrice nem truques, que é isso que incuto aos meus jogadores. Para não recorrermos a isso teremos que ser ainda mais fortes e que no fim dos jogos sentirmos e fazermos sentir que fomos tão fortes que era impossível para os adversários nos ganhar.

Como é que a equipa se vai apresentar assim que a competição voltar ao activo?
Neste momento é tudo muito imprevisível, porque não sabemos quando, se voltaremos e em que contexto voltaremos. Vamos fazendo uma avaliação dia-a-dia, para que possamos estar nas melhores condições possíveis a quando do regresso que esperemos ser breve.

PUBLICIDADE

PARTILHE COM OS SEUS AMIGOS