A passagem da tempestade Ingrid provocou 65 ocorrências no Médio Tejo em 24 horas, sobretudo quedas de árvores, desabamentos e inundações, com as autoridades a manterem em vigilância os caudais do Tejo e Zêzere, sob alerta amarelo de cheia.
O comandante sub-regional do Médio Tejo da Proteção Civil, David Lobato, considerou a situação “um pouco (…) complicada”, sobretudo entre a tarde e a noite de segunda-feira e durante a manhã de hoje, após um período de elevada instabilidade.
“Agora deve aliviar um pouco durante a tarde, mas a previsão é que a noite se torne mais complicada, com incremento exponencial do vento e chuva forte, com os condicionamentos que trará àquilo que já é a saturação dos solos e aos caudais do Tejo e afluentes”, afirmou.
O responsável adiantou que as equipas estão a “monitorizar, controlar e sensibilizar a população” para a adoção de medidas de autoproteção, alertando para a continuidade da precipitação nos próximos dias, segundo previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
David Lobato destacou que os caudais do Tejo e do Zêzere estão elevados e dependentes também das descargas das barragens espanholas, no caso do Tejo.
“O problema poderá não ser o Tejo em si, mas os seus afluentes, que ao não conseguirem entrar no leito do rio podem provocar situações a montante”, explicou.
Junto ao Zêzere, o parque de estacionamento da praia fluvial de Constância encontra-se novamente submerso. Ainda assim, o comandante considera que não são expectáveis episódios semelhantes às grandes cheias de 2001, embora sublinhe que “os rios levam um forte caudal”.
De acordo com dados fornecidos pelo Comando Sub-regional do Médio Tejo, a tempestade Ingrid provocou 65 ocorrências entre as 09h00 de segunda-feira e as 13h00 de hoje.
Os desabamentos de estruturas edificadas lideram o número de incidentes, com 15 registos, seguidos de 11 quedas de árvores, 10 inundações de superfícies, 10 ações de patrulhamento, reconhecimento e vigilância e 10 movimentos de massa (deslizamentos). Foram ainda contabilizadas sete limpezas de via e duas quedas de elementos de construção.
O concelho de Tomar foi o mais afetado, com 16 ocorrências, incluindo o desabamento parcial de um edifício, que deixou duas famílias desalojadas. Seguem-se Torres Novas, com 15 ocorrências, Mação, com nove, Ferreira do Zêzere, com seis, e Sardoal e Abrantes, ambos com cinco.
Vila Nova da Barquinha não registava ocorrências, embora a Câmara Municipal tenha indicado, ao início da tarde, o corte da EN3 entre a sede de concelho e Tancos devido a uma derrocada.
No distrito de Santarém, a subida dos caudais do Tejo e dos seus afluentes provocou a submersão ou interdição de pelo menos 36 vias rodoviárias e acessos, distribuídos por vários concelhos, além de zonas ribeirinhas, cais e campos agrícolas inundados.
As situações mais significativas registam-se nos concelhos de Coruche, Cartaxo, Santarém, Golegã, Salvaterra de Magos, Rio Maior, Alpiarça, Azambuja, Benavente, Abrantes, Constância, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha, onde o cais do Almourol se encontra submerso, bem como diversas estradas municipais, nacionais, pontes e caminhos agrícolas afetados pelo galgamento de rios e ribeiras.
O IPMA prevê para os próximos dias um agravamento do estado do tempo, com precipitação por vezes forte, vento intenso e possibilidade de inundações urbanas, cheias e movimentos de massa.
