Cerca de 40 pessoas floriram, na segunda-feira, os portões do antigo mercado de Abrantes, encerrado desde 2010, numa “acção simbólica” que pretendeu reclamar pela valorização do edifício e a não demolição do mesmo, prevista no Plano de Urbanizacção de Abrantes (PUA).

O apelo à concentração dos populares foi feito pelo denominado grupo ‘Os Amigos do Mercado de Abrantes’, movimento criado em Janeiro e que conta com cerca de 1.500 aderentes nas redes sociais, tendo os cidadãos e autarcas de diversos quadrantes políticos levado flores, enquanto se concentraram, durante cerca de duas horas, no antigo espaço.

Reclamavam pela “valorização do nosso mercado”, dizendo “não à demolição do edifício histórico”, situado numa das entradas nobres daquela cidade do distrito de Santarém.

“Esta é uma acção cívica, não partidária, aberta a toda a sociedade e que vai decorrer duas vezes por ano, a 01 de Julho e no dia 01 de Janeiro, dia da inauguração do antigo mercado, no ano de 1933, e enquanto não for claramente decidida a reversão no PUA de demolir o mercado”, disse José Nascimento, dinamizador do grupo ‘Os Amigos do Mercado’.

No manifesto divulgado publicamente, pode ler-se que as flores vão ser colocadas no edifício do mercado “até que a autarquia cumpra cumulativamente duas obrigações”, que passam por “conservar adequadamente o edifício até à sua requalificação” e “garantir a reversão da orientação legal de demolição inscrita no PUA desde 2017”.

A acção “fez sair dezenas de pessoas das redes sociais e virem para a rua defender a conservação e requalificação de um edifício que é importante em termos turísticos, sociais, económicos e identitários”, notou Nascimento, ao mesmo tempo que os populares iam colocando nos portões do edifício um cartaz reivindicativo, um quadro oferecido por um artista de Abrantes e dezenas de flores de várias espécies, cores e feitios.

Outros populares presentes disseram que viram o apelo nas redes sociais e que marcaram presença na iniciativa para defender a remodelação e não a demolição do edifício, numa acção que se apresentou como de “dimensão cívica, patrimonial, identitária e geracional”.

O presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos (PS), disse que a iniciativa foi “completamente extemporânea”, tendo assegurado que “ninguém vai derrubar mercado nenhum”, não se querendo alongar em mais declarações.

“Quando houver projectos cá estaremos para os discutir”, concluiu, quando questionado sobre a existência de ideias para a eventual requalificação do antigo mercado.

O processo remonta a março de 2010, quando o antigo Mercado Municipal, datado de 1933, foi encerrado pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), tendo os comerciantes sido realojados “temporariamente” em diversos espaços da cidade.

Em 2015, a Câmara de Abrantes inaugurou um novo mercado municipal, um edifício construído no centro histórico, a poucas dezenas de metros do antigo mercado, tendo a anterior presidente da autarquia, Maria do Céu Albuquerque, afirmado então à Lusa que pretendia “fazer recuar” o espaço do edifício do antigo Mercado Municipal – “um entrave à entrada na cidade e sem grande valor historial ou arquitectónico” -, para, no âmbito de um projecto de reabilitação urbana, “requalificar o Vale da Fontinha e dotar Abrantes de uma entrada mais digna”.

Na ocasião, o antigo Mercado Municipal de Abrantes foi convertido no espaço cultural ‘Mercado Criativo’, substituindo as bancas de peixe e hortícolas por ateliês de pintura, livrarias e artesanato, tendo encerrado essa função poucos anos depois.

Desde aí, o espaço tem sido ocupado com festas pontuais organizadas por associações de estudantes, feira de doçaria, entre outras, estando encerrado a maior parte do tempo.

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