Os membros eleitos pelo Partido Socialista (PS) à Assembleia de Freguesia de Alvega e Concavada, em Abrantes, apresentaram uma carta de renúncia aos seus mandatos em protesto pela “instabilidade política”, reclamando novas eleições intercalares, foi ontem anunciado.

Na carta de renúncia apresentada, os eleitos pelo PS justificam a posição, “tomada por unanimidade e com total solidariedade e apoio da Concelhia do Partido Socialista de Abrantes”, com a “instabilidade provocada pela governação do executivo maioritário da União de Freguesias de Alvega e Concavada, liderado pelo Movimento de Independentes da União de Freguesias de Alvega e Concavada” (MIUFAC).

“Depois de umas eleições intercalares em que o MIUFAC venceu com maioria absoluta, logo, com todas as condições para governar, é inexplicável que neste momento nos encontremos sem orçamento, com demissões, com renúncias de grande parte dos eleitos por este movimento, mas também sem contratos interadministrativos assinados e sem kits de 1.ª intervenção [contra incêndios]”, refere a concelhia socialista, em comunicado.

Por outro lado, acrescenta, “o MIUFAC está em rota de colisão com o próprio MIUFAC, tendo sido relegadas para segundo plano as nossas terras e as nossas pessoas, num comportamento inqualificável que tem sido constante deste Setembro de 2021, com especial agravo desde março de 2022”, data do apuramento do resultado das eleições intercalares, que deram a vitória a António Moutinho, cabeça de lista do movimento independente.

Citado na nota, Ricardo Aparício, presidente da comissão política da estrutura concelhia, afirma a decisão de renúncia dos eleitos PS como “a única solução possível para dar resposta ao estado governativo para o qual o MIUFAC levou a freguesia”.

O socialista defendeu ainda a “necessidade de pôr fim a este mandato, dando a palavra novamente aos eleitores para que seja possível encontrar uma solução política capaz de devolver a estabilidade” à autarquia.

O actual presidente da União de Freguesias de Alvega e Concavada remeteu declarações sobre a anunciada renúncia dos eleitos do PS para “mais tarde”, tendo, no entanto, assegurado que não irá renunciar ao mandato.

“Não me vou demitir das minhas responsabilidades e das funções para as quais fui eleito e, apesar da renúncia dos eleitos do PS, continuará a haver quórum para a Assembleia de Freguesia funcionar”, afirmou António Moutinho.

O MIUFAC venceu no dia 27 de Março deste ano as eleições intercalares, ‘destronando’ o PS, ao obter uma maioria com 51,2% dos votos.

Com António Moutinho como cabeça de lista, o movimento obteve 481 votos do total dos 1.678 eleitores inscritos, contra 369 votos do PS (39,3%) e 79 votos da CDU (8,4%).

A lista de António Moutinho apresentou-se a votos nas intercalares com elementos que em Setembro de 2021 (nas eleições autárquicas de todo o país) pertenceram a listas do PSD e do BE. Nestas novas eleições, estes partidos abdicaram de apresentar candidaturas próprias.

Em Setembro, o PS, que recandidatou José Felício, venceu a corrida à união de freguesias por 23 votos de diferença, elegendo três elementos, tantos quantos o PSD, a segunda força política mais votada, e tantos quantos o BE.

As três propostas apresentadas então pelo PS para formação de executivo foram sempre chumbadas por BE e PSD, que acabaram por pedir renúncia de mandato e antecipar o cenário de novas eleições, o que se viria a confirmar em Janeiro, num despacho assinado pelo secretário de Estado da Descentralização e Administração Local, Jorge Botelho.

Na altura, em declarações à Lusa, José Felício descartou a ideia de formar executivo com pessoas “em quem não tem confiança”, ou seja, um executivo de acordo com o proposto pelos restantes dois partidos, que integraria, além do presidente socialista, o cabeça de lista do PSD, António Moutinho, e o cabeça de lista do BE, Eduardo Jorge.

O Partido Socialista propôs, por seu lado, durante o processo, que a presidência da Mesa da Assembleia de Freguesia fosse detida pelo PSD e pelo BE, o que foi recusado.

Leia também...

Salvador Quintas apresenta livro no Sardoal

Salvador Quintas vai apresentar o seu mais recente livro “Então foi assim…”, no Centro Cultural Gil Vicente, no Sardoal, a 27 de Maio, pelas…

Preços das casas em Portugal sobem 0,8% em Janeiro para 2.582 euros por metro quadrado

Os preços das casas subiram 0,8% em janeiro, para 2.582 euros por metro quadrado (euros/m2), face a Dezembro, anunciou hoje a plataforma ‘online’ o…

Bombeiros de Rio Maior apresentaram nova viatura em Dia da Proteção Civil

Uma oferta da Câmara Municipal de Rio Maior que foi apresentada na manhã de ontem, no decorrer de um conjunto de iniciativas que tiveram…

JMJ: Maioria do episcopado português em Fátima no sábado

A maioria dos bispos portugueses vai estar no sábado, em Fátima, com o Papa Francisco, para a recitação do terço na Capelinha das Aparições,…