A empresa detentora da fábrica da Tupperware em Montalvo, Constância, foi declarada insolvente na segunda-feira pelo Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, desfecho que coloca 200 pessoas no desemprego e que o presidente da Câmara Municipal já lamentou.

“Claro que é uma notícia triste, é uma empresa que já estava cá instalada há uma série de décadas, que empregava 200 pessoas (…) e obviamente que lamentamos e é um dia triste para todos nós”, disse hoje à Lusa o presidente do município de Constância Sérgio Oliveira.

“E, além de ser triste para nós, obviamente quem sofre e quem mais vai sofrer com esta questão são os trabalhadores e as famílias que, além destes meses todos de desgaste e de incerteza nas suas vidas, agora vão ter um período difícil de tentar procurar outro trabalho, outra atividade, sabendo também que muitos dos trabalhadores que agora provavelmente irão para o desemprego toda a vida trabalharam ali”, acrescentou.

A Tupperware – Indústria Lusitana de Artigos Domésticos, Lda, empresa que detém a fábrica em Montalvo, foi declarada insolvente na segunda-feira pelo Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, segundo o portal Citius, no mesmo dia em que os trabalhadores foram notificados do alargamento da dispensa da apresentação ao trabalho até 21 de fevereiro, tendo a Câmara Municipal de Constância publicado hoje a informação nas suas redes sociais.

“Após longos meses de incerteza, na semana passada a Tupperware pediu a insolvência. O Município de Constância procurou, por todos os meios ao seu dispor, que o desfecho não fosse este. Fizemo-lo num quadro complexo e difícil, com poucas informações e perante uma multinacional”, pode ler-se na nota divulgada, tendo a autarquia lamentado que a proposta de investimento de um grupo de empresários não tivesse tido resposta.

“Neste processo contámos com a colaboração do senhor secretário de Estado da Economia e da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), que, através dos delegados em Nova Iorque, trabalharam para que, tendo em conta o interesse de um grupo de empresários portugueses, fosse possível dar continuidade à laboração na fábrica em Montalvo”, segundo a mesma fonte.

Na nota à população, o município deixa uma “palavra de solidariedade aos trabalhadores da Tupperware e respetivas famílias”, tendo assegurado continuar a acompanhar este processo.

Segundo pode ler-se na sentença do Tribunal, “o prazo para a reclamação de credores foi fixado em 30 dias”, tendo sido nomeado Jorge Manuel e Seiça Dinis Calvete para administrador de insolvência.

De acordo com o portal Citius, no pedido de insolvência foram identificados como credores várias empresas do grupo Tupperware e, ainda, a Gráfica Ideal de Águeda – Indústrias Gráficas S.a., a Dart Industries Inc., o BCP, Carla Sofia Soeiro Cruz Gonçalves e Ignacio Zubizarreta.

A fábrica da Tupperware em Montalvo era controlada pela sociedade Tupperware Indústria Lusitana de Artigos Domésticos que, por sua vez, era detida em 74% pela Tupperware Portugal – Artigos Domésticos Unipessoal Lda e em 26% pela Tupperware Iberia.

Ambas as empresas dependem a 100% da casa-mãe sediada nos Estados Unidos – a Tupperware Brands Corporation.

Os 200 funcionários da Tupperware foram informados em 09 de janeiro de que iriam continuar a trabalhar até final do mês, com o respetivo pagamento de vencimento, sendo o período alargado, inicialmente, até 07 de fevereiro, e agora, até 21 de fevereiro, período durante o qual deverão receber as cartas de despedimento.

A fábrica da multinacional Tupperware em Portugal, a funcionar desde 1980, dependia a 100% da casa-mãe norte-americana, vendida depois de em setembro ter entrado em falência, e os planos para o futuro não parecem passar pela Europa, uma vez que a empresa revogou a sua licença de venda de produtos em todos os países europeus, segundo noticiou a imprensa internacional.

O pedido de insolvência da casa-mãe tem consequências diretas na unidade portuguesa e vai deixar no desemprego os 200 trabalhadores que ali são efetivos, a maioria dos quais residente em Constância e concelhos limítrofes.

A Lusa pediu informações à administração da fábrica instalada em Portugal, sem resposta até ao momento.

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