Com o mundo em estado de alerta para um problema global, como sucede actualmente com o potencial perigo do novo coronavírus de 2019 (2019-nCoV), é a altura propícia para nos interrogarmos sobre onde estão e como implementamos soluções.

Em alturas em que o perigo ronda por perto, somos menos abstractos na análise de soluções e mais objectivos na escolha de um caminho seguro que nos deixe menos vulneráveis. É o que se passa com o perigo associado ao recém-descoberto 2019-nCoV.

O governo chinês de pronto construiu novos hospitais, a OMS lançou rapidamente mecanismos de vigilância e rastreio, os cientistas começaram a estudar a composição e funcionamento do vírus, os jornalistas começaram a difundir informação e, um pouco por toda a parte, começou a tentar-se estancar a progressão dos contágios pelo vírus.

É cedo para dizer onde parará mais esta batalha da longa guerra entre humanos e micróbios mas já podemos ir tirando alguns ensinamentos. Olhando em volta, notamos que toda a protecção das vidas humanas contra o 2019-nCoV assenta sobre conhecimento científico do vírus e todas as estratégias de combate à doença se baseiam no melhor que a Medicina moderna ocidental (entretanto tornada global) oferece.

Apesar dos problemas causados por vírus serem tão antigos como a humanidade e de muitas epidemias virais surgirem na China, não é nas chamadas “medicinas alternativas milenares” que se encontram soluções.

Os hospitais construídos na China, para lidar com a doença causada pelo vírus, são infraestruturas sofisticadas baseadas na prática médica moderna; não têm alicerces na “medicina alternativa”.

Se assim é, por quê insistir em considerar alternativas as chamadas “medicinas alternativas”?

A propósito, uma outra questão: Talvez seja também oportuno os apologistas antivacinação esclarecerem se abandonar milhares de vidas humanas à mercê do vírus é melhor opção do que investir no desenvolvimento de vacinas que poupem essas mesmas vidas.

Miguel Castanho – Investigador em Bioquímica

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