A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) esclareceu à Lusa que a Quinta da Granja, exploração de suínos acusada de maus tratos aos animais, continua em atividade, mas está a implementar medidas corretivas.

“Na sequência da notificação efetuada pela DGAV, o operador informou sobre algumas ações corretivas que se encontra a implementar”, indicou, em resposta à Lusa, esta direção-geral.

Contudo, esclareceu que só serão determinadas medidas adicionais, que poderão incluir a redução do efetivo ou o despovoamento da exploração”, se não forem asseguradas as condições exigidas por esta entidade.

A RTP divulgou, no final de março, uma reportagem com imagens recolhidas na Quinta da Granja, localizada na freguesia de Almoster, entre janeiro e fevereiro, nas quais são vistos suínos mortos, feridos e doentes.

Os pavilhões apresentam zonas degradadas e os corredores de acesso às boxes estão cobertos de fezes, lama e sangue.

A DGAV determinou a apresentação imediata de um plano de ação com medidas corretivas.

A Quinta da Granja, que pertence ao ValGrupo, aderiu ao programa de bem-estar animal da Filporc em 2023.

No âmbito deste processo, foi sujeita a auditorias anuais, tendo a última sido realizada em julho de 2025.

A DGAV assegurou hoje que as medidas definidas vão ser adotadas com rapidez e eficácia e acrescentou que estas têm por base o bem-estar animal.

Em 27 de março, a DGAV realizou uma nova ação inspetiva ao local para verificar a implementação das medidas.

O operador foi ainda notificado para, com urgência, indicar e assegurar o destino adequado dos animais.

Após a divulgação da reportagem, a Filporc garantiu que nunca ter presenciado situações como as relatadas.

Também a Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS) disse, em comunicado, que as imagens divulgadas não representam o setor, que vincou ser altamente regulado e fiscalizado. Contudo, lamentou que as imagens estigmatizem as empresas e os empresários.

Já a Associação Portuguesa dos Industriais de Carnes (APIC) esclareceu que, em Portugal, o abate de animais carece da aprovação prévia de um médico veterinário oficial, encarregue de assegurar a inspeção sanitária dos animais vivos e de validar a aptidão da carne destinada ao consumo humano.

Em 29 de março, a Lusa contactou o Valgrupo, mas não obteve resposta.

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