Vítima de doença que se vinha arrastando, faleceu ontem o carismático Campino António Maria Abreu, conhecido por todos por António Colorau, que levou uma vida dedicada à Casa Agrícola de Infante da Câmara. Primeiro ao serviço do Senhor Fernando Infante da Câmara, e depois da sua morte às ordens de seu filho, Emílio. Era tratado como pessoa de família e gozando de uma confiança ilimitada.
António Colorau era filho de um pastor de ovelhas e depois do ensino primário seguiu as pisadas do pai, ajudando-o na apascentação do gado miúdo. Mas, o seu sonho era ser Campino, actividade a que o seu irmão mais velho também se viria a dedicar, na Casa Agrícola de José Infante da Câmara.
Com o correr dos anos, António Colorau, que estava sempre às ordens da Família Infante da Câmara, fazendo o que era preciso, corria sempre para ajudar o irmão e os restantes campinos da Quinta do Castilho, nas tarefas da campinagem. As desmamas, as enchocalhações, as tentas, as apartações e até o maneio do gado nas praças de toiros.
O ser Campino enchia-lhe a alma, e aprendeu tudo o que sabia com velhos amigos e campinos de excelência, como eram o Fróis, o José da Piedade, seu irmão José, João Martinho, os irmãos António e Manuel Germano e outros que ao longo do tempo foram servindo a Casa, ou até da Quinta de Alpompé, como foi o caso de António Vardasca. Todos, infelizmente, já partiram deixando muitas saudades.
Apesar de não ter uma actividade permanente como campino, António Colorau estava sempre disponível para tudo o que fosse preciso fazer, até porque os diversos ramos da Família Infante da Câmara se davam muito bem e cooperavam entre si.
Nas festas e feiras onde a Casa estava representada, António Colorau, homem folgazão, extrovertido e bem disposto, pontificava, participando nas provas de perícia ou de velocidade dos campinos, e nas provas de condução dos cabrestos e do cabresto guia. Era uma festa, e António Colorau arrecadou largas dezenas de prémios e de troféus que testemunham para todo o sempre os seus elevados méritos.
Durante alguns anos, António Colorau chegou a fazer parte da Comissão dos Campinos que organizava as provas na Feira do Ribatejo, mas abandonou esta colaboração por achar que a organização da Feira não dava o valor devido aos Campinos e às tradições ribatejanas.
Depois de reformado, mas mantendo sempre um vínculo com a Casa Agrícola de Emílio Infante da Câmara, António Colorau era uma presença assídua nas festas e feiras por todo o nosso Ribatejo, tendo sido homenageado na maioria delas, nomeadamente em Azambuja, Chamusca, Benavente, Cartaxo, Salvaterra de Magos e Vila Franca de Xira.
Aos 86 anos de idade partiu mais uma figura ilustre da nossa região, defensor intransigente das tradições ribatejanas e um Homem bom, sério, trabalhador, bom chefe de Família e amigo dos seus amigos.
As exéquias fúnebres de António Maria Abreu terão lugar hoje, sexta-feira, encontrando-se em câmara ardente, na Casa Mortuária do Vale de Figueira.
O funeral realiza-se no hoje, sexta-feira, pelas 16.30 horas, na Igreja Paroquial do Vale de Figueira. Logo após a celebração das cerimónias religiosas, o cortejo fúnebre sai para o cemitério do Vale de Figueira, onde será sepultado.
Apresentamos a expressão das mais sentidas condolências a sua Esposa e Filha, ao Eng.º Emílio Infante da Câmara e a todos os Campinos do Ribatejo, que nesta hora choram o bom Amigo que foi António Colorau.
Que Descanse em Paz!
